terça-feira, 21 de junho de 2016

21 de Junho de 1908: "Women's Sunday", Manifestação pelo direito ao voto leva 250 mil mulheres a Hyde Park

No dia 21 de Junho de 1908, as sufragistas manifestaram-se violentamente em Hyde Park, em Londres. Apesar da enorme multidão de cerca de 250 mil pessoas, os manifestantes não conseguiram fazer avançar a sua reivindicação: o voto das mulheres. A manifestação ficaria conhecida como "Women's Sunday" — "domingo das mulheres" —, primeira reunião política em massa das militantes do Women's Social and Political Union (WSPU) em Inglaterra.
As militantes, porém, só viriam a obter uma vitória em 28 de Dezembro de 1918 com a concessão do direito de voto às mulheres com mais de 30 anos.
Desde os primórdios, o movimento feminista propunha uma renovação dos métodos de acção política que reproduziam pautas patriarcais. Se bem que tenha havido vozes contemporâneas à Revolução Francesa, como as da inglesa Mary Wollstoncraft ou da francesa Olimpe de Gouges, o movimento articulou-se ao longo do século XIX em torno do direito de voto da mulher.
A principal campanha de acção directa levada a cabo pelo movimento sufragista  realizou-se no Reino Unido, a partir de 1903 por Emmeline Pankhurst, pertencente à Liga Fabiana e ao Partido Trabalhista, fundadora da Liga em Favor do Direito do Voto da Mulher em 1892 e em 1898, da União Política e Social da Mulher (WSPU). As activistas que acompanharam a sua estratégia ficaram conhecidas como “suffragettes”, foram aos poucos radicalizando as suas acções e não mantiveram a pauta de ‘não-resistência’. Tanto Emmeline como as suas filhas foram presas em várias ocasiões.
Ficaram famosas as palavras de Emmeline dirigidas aos jurados que a julgavam em 1908: “Estamos aqui não para violar as leis e sim pelo esforço de criar novas leis.”
Em 21 de Junho de 1908 conseguiram convocar uma manifestação com mais de 250 mil mulheres no Hyde Park, Londres, que acabou com as participantes a lançar pedras contra a residência do Primeiro-Ministro.
A partir de 1909 começaram a usar a greve de fome como estratégia, a violência policial manifestava-se cada vez mais nas ruas. Num célebre incidente às portas do Parlamento em 18 de Novembro de 1910, conhecido como Sexta-Feira Negra, 300 mulheres foram maltratadas, vexadas e 100 delas presas quando tratavam de furar o bloqueio policial para terem uma entrevista com o Primeiro-Ministro Asquith. Entretanto, a consequência da Sexta-feira Negra foi a aprovação das Conciliation Bills, leis que possibilitaram o sufrágio às mulheres ricas.
Em 1912, uma segunda lei eleitoral estava a ser discutida quando as sufragistas  faziam uma campanha para partir vidros, o que levou Emmeline à cadeia. Na prisão, iniciou a sua primeira greve de fome, negando-se a ser alimentada, procedimento habitual em outras ocasiões.
A polícia a princípio tratou de todo modo forçar a alimentação das presas. Depois colocavam as activistas em liberdade quando estavam muito debilitadas, a fim de evitar danos do governo junto à opinião pública. Uma vez restabelecida a saúde eram novamente presas quando tentavam retomar a actividade política.
Nesse mesmo ano as sufragistas radicalizam e chegam a provocar pequenos incêndios com coquetéis molotov. Chegaram a por cartazes na carruagem do Primeiro-ministro com a inscrição “voto para a mulher”. Estas tácticas foram afastando as sufragistas do apoio da opinião pública, levando até algumas figuras a abandonar o movimento.

Em 1918, no final da Primeira Guerra Mundial, uma lei permitiu o voto a mulheres com mais de 30 anos. Um novo cisma surgiu no movimento sufragista ante as divergências de se criar organizações mistas. Emmeline optou por continuar em organizações só de mulheres e fundou o Women Party, ainda activo nos nossos dias.
Fontes: Opera Mundi
wikipedia (imangens)



Manifestação de 21 de Junho de 1908
Emmeline Pankhurst presa em 1914

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