sábado, 25 de junho de 2016

25 de Junho de 1857: Sai a primeira edição de "As Flores do Mal", de Charles Baudelaire

É colocada à venda em 25 de Junho de 1857, a colectânea de poesia  As Flores do Mal (Les Fleurs du mal) do genial poeta Charles Baudelaire. As Flores... foram julgadas indecentes e valeram um processo ao seu autor por “ofensa à moral pública, à moral religiosa e aos bons costumes”.  Baudelaire foi condenado em Agosto de 1857 a retirar da obra seis dos seus poemas e a pagar, 300 francos e a editora, 100, de multa. O mal foi irreparável. Concebida não como uma sequência aleatória e sim como um todo, a obra ficou desnaturada pela decisão da justiça. Baudelaire, com a morte na alma, suprime as passagens incriminadas, reposiciona o restante e reescreve os poemas a fim de recompor os liames ao conjunto. A organização original  perdeu-se para sempre.  


A obra As Flores do Mal, considerada o marco da poesia moderna, foi criada por Baudelaire com versos rigorosamente metrificados e rimados, que prefiguraram o Parnasianismo. Baudelaire tratou de temas e assuntos que vão do sublime ao escabroso, investindo liricamente contra as convenções morais que permeavam a sociedade francesa dos meados do século XIX. As Flores do Mal reúnem de modo exemplar uma série de motivos: a expulsão do paraíso; o amor; a morte; o tempo; o exílio e o tédio. Os poemas desta obra retratam como ninguém as mazelas do espírito humano. 

Nem mesmo as suas dilacerantes contradições e dramas íntimos, alternando orações a Deus e ao diabo, transformando a sua vida numa prodigiosa confusão entre amor sublime e degradação, dissipação e trabalho intelectual, tudo isso agravado pela doença que o corroía, não o impediram de ser consistente. A propósito comentava outro grande poeta, Paul Valéry: “As Flores do Mal não contêm poemas nem lendas nem nada que tenha a ver com uma forma narrativa. Não há nelas nenhum discurso filosófico. A política está ausente por completo. As descrições, escassas, são sempre densas de significado. Mas no livro tudo é fascinação, música, sensualidade abstracta e poderosa.” 


Além de precursor de todos os grandes poetas simbolistas, Baudelaire é considerado pela maior parte dos críticos como o mais provável fundador da poesia moderna. Isto deve-se ao facto de que valendo-se da percepção do real, chegava sempre a um objectivo para o sentimento que desejava expressar. 

Desta forma, a sua poesia tendeu para a expressão de imagens quotidianas, a visão do autor, tendo o poeta sido quem melhor intuiu a mudança radical provocada pelas metrópoles sobre a sensibilidade. Era, como os modernistas que lhe sucederam, um realista que detestava a simples reprodução do mundo em poemas e pinturas. Respondendo à pergunta, por ele mesmo formulada, sobre o que seria uma arte pura, concluiu: “É criar uma magia sugestiva, contendo a um só tempo o objecto e o sujeito, o mundo exterior ao artista e o próprio artista.” É por meio dos sentidos que Baudelaire apreende a realidade concreta. A mesma maneira de encarar a arte que o torna um precursor dos poetas do fim do século XIX e o faz ser considerado o pai da poesia moderna. 
Morreu de sífilis em Paris em 31 de Agosto de 1867, aos 46 anos. Está sepultado no cemitério de Montparnasse. 
Fontes: Opera Mundi
wikipedia (imagens)

Primeira edição de Les fleurs du mal com anotações do autor

Baudelaire em 1844 - Emile Deroy 

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