domingo, 26 de junho de 2016

26 de Junho de 1662: "Golpe" na Corte portuguesa põe termo à regência de D. Luísa de Gusmão, viúva de D. João IV. O trono é entregue a Afonso VI.

D. Luísa  de Gusmão nasceu em em S. Lucar de Barrameda, na Andaluzia, Espanha, a 13 de Outubro de 1613 e faleceu em Lisboa a 27 de Fevereiro da 1666. Era filha do 8.º duque de Medina Sidónia D. Manuel Peres de Gusmão, e de D. Joana de Sandoval, filha do 1.º duque de Lerma. 
Casou por procuração no princípio de Janeiro de 1633, com D. João, 8.º duque de Bragança, que em 1630 herdara aquela opulentíssima casa por morte de seu pai, o 7.º duque, D. Teodósio, sucedida em 29 de Novembro do referido ano. A ratificação do casamento realizou-se com grande pompa em Elvas no dia 12 do citado mês de Janeiro de 1633, sendo celebrante o bispo D. Sebastião de Matos Noronha, mais tarde arcebispo de Braga. Efectuaram-se então em Vila Viçosa brilhantes festas. Este consórcio fora muito do desejo do ministro castelhano conde-duque de Olivares, tanto que, em atenção a ele, restituiu à casa de Bragança ducado de Guimarães e outras prerrogativas que lhe haviam sido tiradas. Não realizou, contudo as suas esperanças aquele ministro, porque a nova duquesa, longe de aconselhar o seu marido à submissão à Espanha, sempre o aconselhou a cumprir o seu dever de Príncipe português. 
 A duquesa era ambiciosa; e atribui-se-lhe a seguinte resposta: que tinha por mais acertado morrer reinando, que acabar servindo, palavras que os manuais da história nacional parafrasearam deste modo: antes ser rainha uma hora, do que duquesa toda a vida. Esta resposta cuja veracidade tem sido contestada, se acaso é verdadeira, exprime bem, contudo, a sua resolução intrépida, e o seu desejo de subir ao primeiro lugar da hierarquia do reino. Realizada a revolução do primeiro de Dezembro, D. João IV dirigiu-se a Lisboa, onde chegou no dia 6, celebrando-se a cerimónia da aclamação em 15. A rainha D. Luísa de Gusmão entrou em Lisboa a 21 de Dezembro, acompanhada pelo seu filho, o príncipe D. Teodósio, e pelas filhas D. Joana e D. Catarina. Apesar de ser espanhola, o povo, que bem sabia quanto ela concorrera para decidir seu marido a aceitar a coroa de Portugal, prestou-lhe as maiores manifestações de simpatia e entusiasmo.D. Luísa de Gusmão sofreu grande desgosto com a perda do seu filho primogénito, o Príncipe D. Teodósio, que faleceu apenas com 19 anos, em 15 de Maio de 1643. 
D. João IV morreu em 1656, deixando em testamento a rainha sua mulher como tutora e curadora dos seus filhos, e regente do reino durante a menoridade de D. Afonso. D. Luísa de Gusmão, porém, já não tinha a energia da sua primeira mocidade; como política, foi joguete de dois partidos que então dividiam a corte, a deixou-se dominar especialmente pelo frade holandês Frei Domingos do Rosário. Em 1661 quis largar a regência, tendo D. Afonso completado 18 anos de idade, mas o conselho de Estado instou muito com ela para que se conserva-se no poder, receando que o novo rei, ao assumir o governo, entregasse os primeiros lugares do Estado aos irmãos Conti, dois genoveses que eram seus validos, e que desde a infância se lhe haviam agregado, com o maior escândalo. D. Luísa de Gusmão cedeu, e o primeiro acto que praticou depois desta resolução, foi desterrar violentamente para o Brasil os dois Conti. Preparou assim, porém, o golpe que a devia derrubar, porque da influência que os Conti exerciam no ânimo do rei, se apoderou habilmente o conde de Castelo Melhor, que no ano imediato, em Junho de 1662, auxiliado pelo conde de Atouguia e Sebastião César de Meneses, levou el-rei para o palácio de Alcântara, a aí fez com que ele participasse à rainha ter resolvido assumir as rédeas do governo, visto ter chegado, havia muito, à maioridade legal. 
A rainha ressentiu-se profundamente com aquele procedimento, mas não hesitou em entregar a regência, continuando a viver no paço, até que em 1663 o conde de Castelo Melhor conseguiu que ela se retirasse para o convento do Grilo, em Xabregas, onde faleceu. No entretanto, nos seis anos que foi regente, teve de suportar a maior força da guerra com a Espanha; foi nesse período que o marquês de Marialva ganhou as batalhas das linhas de EIvas e de Monte Claros. D. Luísa de Gusmão fundou em Lisboa o colégio dos irlandeses ao Corpo Santo; o convento de Corpus Christi, de carmelitas descalços; e no sítio do Grilo o mosteiro de religiosas da mesma ordem. 
Fontes: www.arqnet.pt
wikipedia (imagens)
D. Luísa de Gusmão por José de Avelar Rebelo
D. Afonos VI - Autor desconhecido

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