quarta-feira, 6 de julho de 2016

06 de Julho de 1415: Jan Huss é morto na fogueira

No dia 6 de Julho de 1415, o reformador checo Johannes (Jan) Huss foi queimado na fogueira por criticar o poder terreno da Igreja em prol da justiça social. Diante do Concílio de Constança, recusou-se a renegar a sua doutrina.
 “Nós sabemos que todas as coisas concorrem para o bem daqueles que amam a Deus, dos que são eleitos segundo os seus desígnios. Os que de antemão conheceu, também os predestinou a serem conformes à imagem do seu Filho […]. E aos que predestinou, a esses também chamou. E aos que chamou, também justificou. E aos que justificou, a esses também glorificou. O que diremos, pois, a essas coisas? Se Deus é por nós, quem será contra nós?”
Pregar a glória divina, mencionada no capítulo 8º da Epístola de São Paulo aos Romanos, como sendo predeterminada por Deus, e negar a dedução do poder terreno da Igreja era uma heresia no século XV, podendo ser punida com a morte. Jan Huss atacava assim a essência do cristianismo medieval.
Ele pregava o ideal da pobreza e condenava o património terreno dos príncipes da Igreja. Ele defendia a autoridade da consciência e tentava aproximar a Igreja do povo, através das pregações. E isso não era tudo: as suas pregações eram feitas em língua checa e não em latim, como determinava a Igreja oficial na época.
Jan Huss só reconhecia a autoridade da Bíblia nas questões da fé, repudiava os tribunais da Inquisição e os juízes terrenos. Um verdadeiro herege, que suscitava a cólera e o ódio das autoridades eclesiásticas.
A doutrina de Jan Huss encontrou solo fértil na Boémia. Ela baseava-se na justiça social e expressava a insatisfação de todos os cidadãos checos. Na época, a agitação envolveu todas as camadas sociais.
A maior parte da população estava insatisfeita com a política financeira e de poder das autoridades eclesiásticas: negociantes e mestres artesãos disputavam as riquezas oriundas da mineração de prata, os camponeses queriam libertar-se da servidão feudal e os nobres tentavam assegurar duradouramente os seus privilégios.
As tensões sociais agravavam-se ainda através do rápido aumento de preços, que beneficiava sobretudo os cidadãos ricos, empobrecendo os camponeses e os nobres sem terra.
E as profundas barreiras sociais entre as populações alemãs e checas faziam florescer sentimentos nacionalistas. Os ricos alemães eram vistos pelos checos como exploradores e concorrentes. Da sua parte, os alemães mostravam-se interessados em manter a situação reinante e, especialmente, em usar o poder da Igreja em proveito próprio.
Por volta de 1400, tanto a recém-fundada Universidade de Praga como a alta hierarquia da Igreja eram inteiramente dominadas pelos alemães.
Com Jan Huss começou a agitação. Quando a disputa entre alemães e checos se agravou, em 1409, os alemães foram postos fora da Universidade de Praga e Huss foi escolhido como seu reitor. A actividade docente do reformador aumentou ainda mais as tensões com a Igreja e culminou em Praga, três anos mais tarde, com o confronto entre os protestantes checos e os católicos alemães.
A fim de manter a situação sob controlo, o rei Venceslau baniu o reitor rebelde da universidade. Mas Jan Huss insistiu em que a sua doutrina era a correcta: continuou a pregar a imprescindibilidade da pobreza e da humildade da Igreja.
As consequências vieram logo. Em 1414, Huss foi convocado a apresentar-se ao Concílio de Constança e a renegar a sua doutrina. O reformador negou-se a cumprir a exigência, reafirmando a crença na sua doutrina. No dia 6 de Julho de 1415, Huss foi então executado na fogueira.
Não foi atingido, porém, o propósito da Inquisição de liquidar o movimento protestante de Huss através da morte do seu líder. As revoltas esparsas transformaram-se numa rebelião geral dos protestantes da Boémia, que durou 20 anos. Só em 1434 é que o movimento foi  aniquilado, em decorrência de traições e intrigas nas próprias fileiras.

 Fontes: DW
 wikipedia (imagens)
Jan Huss
Spiezer Chronik - A Morte de Jan Huss

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