quarta-feira, 20 de julho de 2016

20 de Julho de 1873: Nasce Santos Dumont, pioneiro da aviação

Inventor e aeronauta brasileiro nascido na fazenda Cabangu, próxima da estação de Palmira, hoje denominada Santos Dumont, Estado de Minas Gerais, pioneiro no uso do relógio de pulso, criador do aeromodelismo e do avião com motor dirigível, inventou a navegação aérea com veículos mais pesados que o ar, ao realizar o primeiro voo público com um avião capaz de descolar, voar, retornar e pousar com os seus próprios meios, sem o auxílio de equipamentos ou dispositivos externos e, por isso mesmo, denominado de o pai da aviação. Um dos dez filhos de um engenheiro e magnata do café, Henrique Dumont, a partir das muitas e modernas máquinas utilizadas nos trabalhos com os cafezais na fazenda do seu pai, desenvolveu a sua habilidade para a mecânica.

Impressionado com a obra de Júlio Verne, formou-se na Universidade do Rio de Janeiro e foi estudar física, química, mecânica e electricidade em Paris (1891), onde se especializou em aeronáutica após o que realizou a sua primeira experiência com balões (1897). Introduzindo modificações técnicas para dar maior estabilidade, alterou o centro de gravidade do balão, mediante o alongamento das cordas de suspensão do compartimento destinado ao tripulante, e também utilizou pela primeira vez a seda japonesa, tornando-o mais leve e permitindo suportar maior tensão. Assim construiu um balão em forma de charuto e com um volume abaixo da média, media aproximadamente 20,2 m de comprimento por 3,5 m de diâmetro e volume de 180 m3, propulsionado por um motor a gasolina de 4,5 HP e deu-lhe o nome de Brasil, o primeiro de uma série, pilotado pela primeira vez em 4 de Julho de 1898, em Paris, demonstrando a dirigibilidade dos balões.

A série de balões foi diferenciada à medida que eram introduzidas inovações. No número 2 colocou maior potência no motor, no número 3 empregou pela primeira vez o gás de iluminação em lugar do hidrogénio, mais caro, e o aparelho tinha um formato diferente, mais afilado nas pontas e, para abrigá-lo, construiu um hangar especial, o primeiro do mundo. No Brasil 4, pilotou sentado num selim de bicicleta, de onde dirigia e controlava o motor e o leme de direcção. Este balão subiu com sucesso no dia 1 de Agosto de 1900, quando se realizava em Paris a Grande Exposição e também o Congresso Internacional de Aeronáutica. No nº 5 apresentou como novidade um motor de 16 HP, ao qual se adaptava uma formação triangular de pinho, com 41kg e fabricada pelo próprio aeronauta.

O balão, no entanto, chocou com um prédio de Paris e o cientista ficou pendurado a vinte metros de altura, mas saiu ileso. Com o dirigível Brasil nº 6, que custou cerca de 30 mil dólares, contornou a torre Eiffel (1901) e voltou ao ponto de partida  em menos de uma hora, e pelo feito conquistou em Paris o Prémio Deutsch de la Meurthe (cerca de 125 mil francos). Com o mesmo dirigível tentou atravessar o Mediterrâneo (1902), mas caiu no mar, sofrendo o seu segundo  acidente sério. Em seguida esteve no Brasil (1903) onde foi tratado como herói nacional e, logo depois, voltou a Paris para continuar a construir balões. Três anos depois, em  Outubro de 1906, em Bagatelle, Paris, realizou o primeiro voo mecânico do mundo, voando a dois metros do chão numa distância de  sessenta metros.

Um mês após (12 de Novembro de 1906) voou em Paris a seis metros do chão ao longo de 220 metros com o 14-Bis, avião que inventou e construiu. Com este feito ganhou a Taça Archdeacom, instituída para o primeiro aeroplano que com seus próprios meios se elevasse a mais de 25 m, e o prémio do Aeroclube da França, para o primeiro avião que fizesse um percurso de cem metros. Após o 14-bis criou, o chamado hydro-glisseur (1907) que foi o precursor do hidroavião. Ainda aperfeiçoou o aparelho Demoiselle ou Libellule (1907-1909), uma espécie de modelo de ultraleve com hélice frontal, feito com bambu e seda que, com o piloto, pesava pouco mais de 100kg, e com um motor de 30 HP. Nele o cientista viveu o seu último voo como piloto e atingiu uma velocidade média de 96 quilómetros por hora (1909). Com a saúde deteriorada e vendo a sua invenção ser cada vez mais utilizada como instrumento bélico, começou a ter progressivas crises de depressão, agravadas a partir da Primeira Guerra Mundial.

De volta ao Brasil (1931), passou a residir numa pequena casa por ele projectada, a Encantada, em Petrópolis, RJ, que hoje é o Museu Santos-Dumont. Autor de várias invenções no domínio da mecânica, além das relacionadas com a aeronáutica e também de três livros. Foi eleito para a Academia Brasileira de Letras (1931), mas o seu estado de saúde  obrigou-o a declinar a honraria.
Conta-se que ao saber do emprego de aviões na revolução constitucionalista (1932), foi tomado de forte depressão, acabando por suicidar-se em casa. Postumamente recebeu o título de marechal-do-ar e, por decreto, foi proclamado patrono da Força Aérea Brasileira (1971).

 wikipedia (imagens)


O dirigível número 1.
Ilustração do voo do Santos-Dumont 14-bis em 12 de Novembro de 1906, que rendeu a Santos Dumont o Prémio do Aeroclube da França.

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