quarta-feira, 27 de julho de 2016

27 de Julho de 1656: O Filósofo Baruch Espinosa é excomungado

Por manifestar interesse na filosofia de René Descartes, de Thomas Hobbes e de filósofos cristãos, o jovem Baruch Espinosa atrai a ira dos judeus  de Amsterdão. Os rabinos de Amsterdão decidem puni-lo com chérem, equivalente hebraico da excomunhão católica.

A sua excomunhão, entretanto, não o impede de continuar a interessar-se pela teologia. Livre pensador, não se preocupando muito com as tradições, Espinosa seguiria o seu caminho e desenvolveria o seu sistema filosófico panteísta, ao mesmo tempo que trabalhava no polimento de vidro. Todavia, sofreu igualmente uma tentativa de assassinato e não pôde jamais difundir livremente o seu saber. 

Espinosa está entre os mais importantes filósofos pós-cartesianos da segunda metade do século XVII. Deu significativas contribuições em praticamente todas as áreas da filosofia. Os seus textos revelam a influência de distintas fontes como o estoicismo, o racionalismo judaico, Maquiavel, Hobbes, Descartes e uma variedade de pensadores religiosos heterodoxos do seu tempo. Por essa razão, é muito difícil classificá-lo, embora seja habitualmente considerado, ao lado de Descartes e Gottfried Leibniz, como um dos três maiores racionalistas – o precursor da modernidade iluminista que conclama a humanidade a viver sob a égide da razão. Para outros, ele é o inimigo das tradições que nos sustentam e o negador do que há de nobre entre os homens. 

A sua obra mais conhecida, A Ética é um trabalho monumental que apresenta uma visão ética em que Deus e a natureza se identificam. Deus não é mais que o transcendente criador do universo e que o governa por meio da providência. Contudo, a natureza em si é entendida como infinita e um sistema plenamente determinista do qual os seres humanos fazem parte. O homem busca a felicidade somente através de uma compreensão racional desse sistema e o seu lugar dentro dele. 

A Ética
 somente seria publicada após sua morte, em 21 de Fevereiro de 1677, sem que o seu nome fosse mencionado, e foi necessário aguardar um século para que o apaziguamento religioso permitisse ler as suas obras. O seu pensamento inspiraria inúmeros filósofos como Denis Diderot, Georg W. F. Hegel, Karl Marx, Friedrich Nietzsche e ainda Henri Bergson. 
Fontes:Opera Mundi
wikipedia (imagens)
Baruch Espinosa

A excomunhão de Espinosa

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