terça-feira, 2 de agosto de 2016

02 de Agosto de 216 a. C. : O general cartaginês Aníbal, vence os romanos na Batalha de Canas

A Segunda Guerra Púnica durava já quase dois anos e o exército cartaginês estava impaciente com a carência de recursos provocada pela campanha prolongada. Para resolver a situação, Aníbal decidiu instalar-se no forte  abandonado pelos romanos na cidade de Canas, situada no monte do mesmo nome ao sul da península itálica.
Canas era uma região muito estimada pelos romanos. A perda material aliada ao orgulho ferido provocou uma forte reacção do Senado que, decidido a terminar com a ameaça cartaginesa definitivamente, resolveu enviar oito legiões inteiras - chefiadas pelos cônsules daquele ano (Caius Terentius Varro e Lucius Aemilius Paulus) - para combater o exército de Aníbal. Numa época em que normalmente se recrutava quatro legiões por ano e dificilmente se empregava todas juntas numa única campanha, esse movimento era perigoso. Se Roma fosse derrotada estaria completamente vulnerável. Mas apesar disso, a vantagem romana era grande. As oito legiões (cerca de 80.000 homens a pé e 6.000 homens a cavalo entre romanos e aliados latinos) - provavelmente o máximo de soldados que Roma dispunha, colocava o exército de Aníbal numa enorme inferioridade numérica, visto que este dispunha apenas de 50.000 homens. 
O que os romanos não sabiam é que, apesar do quadro desfavorável, Aníbal havia planeado tudo, inclusive o envio das legiões pelo Senado. A ocupação de Canas destinava-se não só a suprir o seu exército com víveres e armas, mas também a obrigar Roma - que evitava as batalhas campais devido às esmagadoras derrotas sofridas nas mãos dos cartagineses - a reagir num combate directo.

Junto ao rio Aufidus, perto da cidade de Canas, os exércitos entraram em confronto.
As legiões romanas eram a melhor unidade militar de sua época.  Mas um exército sozinho não ganha batalhas, precisa de bons comandantes e a longa linha de brilhantes líderes militares de Roma ainda estava para surgir.
O exército cartaginês estava em significativa desvantagem numérica, as suas armas e armaduras eram inferiores às do oponente mas o seu comandante, Aníbal, era um estratego brilhante.
No dia anterior havia ocorrido um ataque cartaginês infrutífero às linhas romanas e Aníbal, percebendo que o exército estava com a moral baixa, convocou os seus generais para uma reunião.Tentou convencê-los de que estavam em vantagem: as legiões romanas, que se encontravam acampadas à frente, tinham acabado de ser convocadas e ainda eram inexperientes (os soldados veteranos haviam sido dizimados em batalhas anteriores); os cônsules em comando nunca tinham estado juntos num campo de batalha; e o terreno plano proporcionava uma enorme vantagem às manobras de cavalaria.
A batalha começou com os romanos direccionados para o sul e os cartagineses para o norte, ambos tentando evitar lutar olhando directamente para o sol. 
Nesta época da história todas as batalhas ocorriam de forma frontal com o objectivo de quebrar a linha de frente do inimigo e era assim que os romanos pretendiam lutar em Canas. A infantaria foi alinhada e a cavalaria disposta nas duas laterais com a missão primordial de proteger os flancos.
Seguindo a sua táctica, os soldados romanos marcharam à frente buscando um confronto frontal. O primeiro contacto, entre as infantarias leves, terminou inconclusivo e Aníbal enviou sua tropa montada para um combate directo com a cavalaria romana.
A infantaria pesada de legionários avançou, mas somente os soldados ao centro encontraram os mercenários iberos e celtas, devido à disposição convexa das tropas cartaginesas. Como as unidades romanas nas extremidades estavam ansiosas para entrar em combate e as linhas inimigas eram excessivamente afinadas, seguiram instintivamente em direcção ao centro afunilando a linha de frente.
O exército romano, confiando na superioridade numérica e técnica dos seus legionários avançou para as linhas inimigas ignorando as manobras tácticas cartaginesas.
Na sua pior derrota até então as tropas romanas foram massacradas. Segundo o historiador romano Tito Lívio, 50 mil soldados tombaram no campo de batalha - incluindo 80 senadores e 29 tribunos militares (quase a totalidade da oficialidade legionária) -, 19 mil foram tomados como prisioneiros e 15 mil conseguiram fugir.
O destaque vai para a genialidade de Aníbal que transformou a batalha de Canas numa obra-prima das tácticas de guerra, obrigando o adversário a lutar simultaneamente em várias frentes. A partir daí, a visão apenas frontal de um conflito armado caiu gradativamente em desuso e os combatentes a cavalo ganharam mais importância.
A genialidade de Aníbal e a precisão de seu exército permitiram a vitória na batalha de Canas.
Fontes: Batalha de Canas. In Infopédia [Em linha]. Porto: Porto Editora, 2003-2013
wikipedia (Imagens)

Batalhas da Segunda Guerra Púnica - Canas

Ficheiro:Hannibal Slodtz Louvre MR2093.jpg
Aníbal contando os anéis dos cavaleiros romanos caídos na Batalha de Canas
Arquivo: A batalha de Cannae.jpg

Representação medieval da Batalha de Canas

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