segunda-feira, 8 de agosto de 2016

08 de Agosto de 1588: A "Armada Invencível" espanhola é arrasada pelos ingleses

No dia 8 de Agosto de 1588, diante do porto de Gravelines (norte da França, no Canal da Mancha), o fogo e os canhões dispersam a frota espanhola que se destinava a conquistar a Inglaterra.

Isabel I, filha de Ana Bolena e fruto do segundo casamento de Henrique VIII, tinha sucedido em 1558 à sua meia-irmã Maria Tudor, nascida do primeiro casamento de Henrique VIII com Catarina de Aragão e casada por procuração com o rei da Espanha, o muito católico Filipe II.

Isabel era protestante. Os católicos ingleses e os do continente consideravam-na bastarda e herética. Para eles, a herdeira legítima do trono deveria ser Maria Stuart, a mal-afortunada e abatida rainha da Escócia, prisioneira de Isabel.

Conspirações realizadas com o objectivo de afastar Isabel do poder para substituí-la por Maria foram trazidas à luz pela polícia secreta de Sir Francis Walsingham, comprometendo, sem margem de dúvida, a rainha da Escócia. A sua execução em 1587 levou o rei espanhol Filipe II a pôr em marcha o que ele chamou de "Operação Inglaterra".

À querela religiosa somou-se a rivalidade entre a Espanha, potência já em decadência, e a Inglaterra, potência em ascensão.

Com o correr dos anos, o desenvolvimento do poderio naval inglês bateu de frente com os interesses espanhóis. Na Flandres, onde Filipe II tentava reprimir violentamente as incessantes revoltas dos holandeses, Isabel apoiava os insurgentes.

A Armada espanhola era um formidável conjunto de navios. No total, 130 barcos a compunham. Transportava cerca de 30 mil homens dos quais 19 mil soldados mais 300 cavalos e mulas, o equipamento necessário para sitiar cidades, um hospital de campanha, etc. O seu objectivo era de operar um desembarque na Inglaterra e marchar sobre Londres.

Esta força, sob o comando do duque de Medina Sidónia, deveria juntar-se àquela do duque de Parma, localizada na Flandres e composta por cerca de 18 mil homens aguerridos. Uma vez concluída a junção, a Armada deveria escoltar as chatas de Parma para a travessia do Canal da Mancha.

Para fazer face à ameaça, a Inglaterra dispunha de uma frota composta de navios da rainha e de navios mercantes fornecidos pelos oficiais da marinha real, pela cidade de Londres ou por simples voluntários, perfazendo um total de 197 navios e 15.835 homens.

Ao longo da noite de 7 para 8 de Agosto de 1588, enquanto a Armada ancorava os seus navios no Canal da Mancha, os ingleses a atacam com barcos carregados de explosivos e de materiais incendiários infiltrados entre as naves inimigas.

Esta manobra inesperada semeia o terror e um indescritível caos. A fim de escapar às chamas, os capitães ordenam cortar as amarras atando-as às âncoras. A frota espanhola  fica dispersa  no meio da escuridão. Ao alvorecer, o duque de Medina Sidónia empenha-se em reagrupar os seus navios.

É então que tem início, ao largo de Gravelines, o confronto final com os ingleses. Os espanhóis recebem o fogo do inimigo sem poder responder eficazmente. E para cúmulo da desventura, um forte vento sul empurra os navios em dispersão na direcção norte.

Na impossibilidade de reagrupar os 112 navios que lhe restava, sem notícia dos eventuais preparativos da parte do duque de Parma e das suas chatas de desembarque,  Medina Sidónia resigna-se  a retornar a Espanha pela única rota possível em vista das circunstâncias e os ventos: contornar a Escócia e a Irlanda e fazer velas em direcção a Espanha.

Desafortunadamente, o mar não foi nem um pouco clemente e muitos navios desapareceram na costa da Irlanda. Tripulantes sobreviventes foram massacrados pelos insulares. Apenas um punhado deles chegaram a rever a terra espanhola.
 Fontes: Opera Mundi
 wikipedia (imagens)
File:Invincible Armada.jpg
A Amada espanhola e as embarcações inglesas em Agosto  de 1588, pintor  desconhecido
File:Philip II, King of Spain from NPG.jpg
Filipe II de Espanha - Pintor desconhecido
File:Elizabeth I (Armada Portrait).jpg
Isabel I de Inglaterra - Obra atribuída a George Gower

1 comentário:

  1. De salientar os seguintes navios da armada portuguesa (Esquadrão de Portugal), construídos em Portugal e propriedade da Coroa de Portugal, que participaram na batalha:

    Galeões

    São Martinho 48 canhões (Líder de toda a Armada [Capitânia da Armada], e Líder de secção [Esquadrão de Portugal], Duque de Medina-Sidonia)
    São João 50 canhões (Vice-líder de toda a Armada [Almiranta da Armada] e Vice-líder de secção [Esquadrão de Portugal])
    São Marcos 33 canhões (Dom Diogo Pimentel ou Penafiel) — obrigado a vir a terra, danificado, cerca 8 agosto perto de Ostend.
    São Felipe 40 canhões (Dom Francisco de Toledo) — veio a terra em 8 agosto entre Nieupoort e Ostend, capturado pelos Holandeses 9 agosto
    São Luis 38 canhões
    São Mateus 34 canhões — veio a terra dia 8 agosto entre Nieupoort e Ostend, capturado pelos Holandeses a 9 agosto
    Santiago 24 canhões
    Galeão de Florença (nau em design) 52 canhões (ou San Francesco ex-Levantine [ex-esquadrão do Levante], Niccolo Bartoli) - nau italiana integrada no esquadrão de galeões de Portugal.
    São Cristóvão 20 canhões
    São Bernardo 21 canhões
    Zabra Augusta 13 canhões
    Zabra Julia 14 canhões
    Três grandes galeões portugueses anteriormente escolhidos foram dispensados, dois pelo seu estado e antiguidade, e um que seguiu para o Oriente.

    Galés:

    Capitania (5 canhões)
    Princesa (5 canhões)
    Diana (5 canhões)
    Bazana (5 canhões)

    Fonte: Wikipedia

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