domingo, 21 de agosto de 2016

21 de Agosto de 1911: A "Mona Lisa" é roubada do Louvre

Segunda-feira, 21 de Agosto de 1911. Como quase todos os museus fecham às segundas-feiras, também o Louvre estava fechado nesse dia. Somente uns poucos funcionários faziam trabalhos de manutenção nos salões do importante acervo artístico em Paris. Entre eles, o pintor de paredes Vicenzo Peruggia.
Sem testemunhas, o italiano aproxima-se da obra-prima de Leonardo da Vinci. Naquela época, o quadro Mona Lisa, era conhecido apenas por alguns entendidos em arte, tanto que ocupava um lugar discreto no Louvre. Peruggia retira a tela da moldura e deixa o museu sem chamar a atenção. O roubo só se tornaria público no dia seguinte. Os 257 funcionários que estavam de serviço foram interrogados e tiveram as suas impressões analisadas. Ninguém foi acusado.
Dia 26 de Agosto de 1911 a notícia torna-se matéria de primeira página.  O jornal Le Petit Parisien  relata o roubo em duas páginas; Le Matin oferece 5 000 francos aos videntes, numerólogos, cartomantes ou qualquer outra ciência oculta para se encontrar a obra. A Sociedade dos Amigos do Louvre oferece 25 000 francos para quem a encontrasse. Um milionário anónimo oferece o dobro. A revista L’Illustration oferece 50.000 francos para aquele que levar o quadro até à editora.
Semanas depois o museu reabre ao público e uma multidão  corre para ver o espaço vazio do quadro. Alguns deixam  flores como símbolo da perda de um ente querido.
A busca decorre até ao mês de Setembro quando um juiz manda prender o escritor Guillaume Apollinaire, que havia declarado que gostaria de ”queimar o Louvre”. Gery-Pieret, amigo e antigo secretário particular de Appolinaire, ladrão confesso de três estatuetas ibéricas e máscaras fenícias do museu,  declara ao Paris-Journal que foi ele quem furtou a Mona Lisa e que somente a devolveria em troca de 150 000 francos. E para provar que não estava a mentir enviou uma das três estatuetas roubadas para o jornal.
Pablo Picasso também foi interrogado e acusado de cumplicidade pois havia comprado para estudos uma estatueta e uma máscara fenícia a Gery-Pieret. O roubo também foi reivindicado pelo poeta, escritor e dramaturgo italiano Gabriele D’Annunzio, autor de uma peça de teatro intulada La Giocconda. Finalmente, todos são declarados inocentes.
Dois anos depois, a informação de um comerciante de antiguidades levou a Polícia de Florença à província de Como, no norte da Itália. Lá, o decorador Peruggia é encontrado e ao ser detido, confessou o crime e  justificou-o com um motivo incomum: patriotismo.
O pintor queria apenas levar de volta ao seu país um dos maiores tesouros da arte italiana e, assim, vingar-se de Napoleão, que no século anterior teria confiscado a obra. Um engano de Peruggia, condenado a um ano e 15 dias de prisão. Na verdade, o próprio Da Vinci vendera o retrato Mona Lisa ao rei francês Francisco I, em 1516. Reencontrada a pintura, especialistas do Louvre levaram-na à Galleria degli Uffizi, em Florença, para verificar a sua autenticidade. Eles identificaram o retrato como original. Desde então, a Mona Lisa passou a estar bem vigiada. Com o seu "sequestro", que quase provocou uma crise cultural na Europa,a  Mona Lisa tornou-se famosa em todo o mundo. Numerosos entendidos passaram a discutir cada detalhe da pintura. Seria ela Isabella Gualanda, uma cortesã do Vaticano, ou realmente a esposa do mercador florentino Francesco del Giocondo, motivo pelo qual o quadro também é conhecido como La Gioconda?
Outros afirmaram tratar-se, na verdade, de um auto retrato de Da Vinci,em 1914 um estudioso francês defendeu a opinião de que Mona Lisa não deveria ser vista como uma florentina histórica, mas como uma representação artística idealizada, sem necessidade de identificação da pessoa.
Fontes:www.dw
wikipedia (Imagens)

Ficheiro:Mona Lisa, by Leonardo da Vinci, from C2RMF retouched.jpg
"Mona Lisa"- Leonardo Da Vinci
Ficheiro:Mona Lisa stolen-1911.jpg
Foto da parede do Louvre onde se encontrava o quadro em 1911, pouco após ter sido roubado
Ficheiro:Vincenzo peruggia.jpg


Vicenzo Peruggia, o autor do roubo

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