domingo, 21 de agosto de 2016

21 de Agosto de 1940: Morre Leon Trotsky

Leon Trotsky é mortalmente ferido no dia  20 de Agosto de 1940 por uma   picareta cravada na sua cabeça dentro da sua casa nos arredores da Cidade do México. O assassino, Ramón Mercader, era um comunista espanhol e provável agente do líder soviético Estaline. Trotsky morreu em decorrência dos ferimentos no dia seguinte.
Nascido na Ucrânia numa família judaica em 1879, Trotsky abraçou o marxismo ainda adolescente. Mais tarde, deixou a Universidade de Odessa para ajudar a organizar a clandestina União dos Trabalhadores do Sul da Rússia. Em 1898, foi preso pelas suas actividades revolucionárias e enviado para a prisão. Em 1900, foi mandado para o exílio na Sibéria.

Em 1902, fugiu para o Reino Unido valendo-se de um passaporte falsificado sob o nome de Leon Trotsky – o seu nome original era Lev Davidovich Bronstein. Em Londres, colaborou com o líder revolucionário bolchevique Vladimir Ilyich Ulianov Lenine. Com a eclosão da Revolução Russa de 1905, Trotsky retornou à Rússia e foi novamente exilado para a Sibéria quando a revolução fracassou. Em 1907, escapou novamente.

Durante a década que se seguiu, foi expulso de uma série de países devido ao seu radicalismo, vivendo na Suíça, França, Espanha e Nova Iorque antes de regressar à Rússia com a eclosão da Revolução de Fevereiro de 1917 que derrubou a monarquia czarista.

Trotsky desempenhou um papel de liderança na tomada do poder pelos bolcheviques, conquistando o poder em grande parte de Petrogrado antes do retorno crucial de Lenine ao centro dos acontecimentos. Indicado por Lenine, após o triunfo da Revolução de Outubro, como secretário de Relações Externas, negociou com os alemães o fim do envolvimento da Rússia na Primeira Guerra Mundial.

Em 1918, tornou-se Comissário de Guerra, tratando de formar o Exército Vermelho que conquistou uma decisiva vitória contra o Exército Branco, a oposição anti-comunista e a intervenção de tropas estrangeiras no curso da Guerra Civil russa. No começo dos anos 1920, parecia aos observadores que Trotsky era o herdeiro aparente de Lenine quando este ficou doente em 1922, possivelmente na decorrência de atentado sofrido poucos anos antes. Porém, Trotsky perdeu a batalha da sucessão.
Em 1924, Lenine morre e Estaline emerge como o líder do Partido Comunista e da União Soviética. Contra as políticas defendidas por Estaline e aprovadas pelo partido,  Trotsky apelou por uma “revolução mundial contínua que resultaria inevitavelmente no desmantelamento do Estado soviético crescentemente burocrático”. Criticou também o novo regime por suprimir a democracia no interior do Partido Comunista e por fracassar no desenvolvimento de um adequado planeamento económico.

Em resposta,  Estaline e os seus apoiantes lançaram um decidido contra-ataque. Em 1925, Trotsky foi exonerado do seu posto de Comissário de Guerra. Um ano mais tarde foi expulso do Politburo e em 1927 excluído do Partido Comunista. Em Janeiro de 1928, foi deportado para Alma-Ata, um remoto lugar na Ásia Central soviética. Ali viveu um exílio interno durante 12 meses antes de ser banido definitivamente da União Soviética por Estaline.

Foi recebido pelo governo da Turquia, estabelecendo-se na ilha de Prinkipo, onde trabalhou na conclusão da sua autobiografia e da história da revolução russa. Após quatro anos na Turquia, mudou-se para França e, depois, para a Noruega. Até que, em 1936 foi-lhe concedido asilo no México.

Passando a morar com a sua família no subúrbio de Coyoacán da Cidade do México, foi condenado à revelia pelos seus inimigos políticos de traição durante os Grandes Expurgos. Sobreviveu a um atentado anterior levado a cabo presumivelmente por agentes de Estaline, mas não teve a mesma sorte frente a Mercader, um comunista espanhol que havia ganho a confiança como assistente na casa de Trotsky. O governo soviético negou qualquer responsabilidade e Mercader foi sentenciado a 20 anos de prisão pelas autoridades judiciais mexicanas.

Fontes: Opera Mundi
wikipedia (imagens)
Trotsky c. 1929

Trotsky, Lenine e Kamenev no 2.º Congresso do Partido Comunista, 1919 

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