sábado, 3 de setembro de 2016

03 de Setembro de 1759: É decretada a expulsão dos Jesuítas de Portugal

A 3 de Setembro de 1759, o rei D. José I decretou a expulsão dos Jesuítas do país. Os primeiros padres saíram a 16 de Setembro rumo a Itália, para Civitate Vechia.
Algumas razões conduziram à sua expulsão, saída e consequente confiscação dos seus bens para a coroa: o terramoto de 1 de Novembro de 1755 levara à morte milhares de pessoas e à destruição do país. O pânico e o terror instalaram-se sobretudo em Lisboa. Os padres jesuítas, principais confessores e educadores da população, justificavam o terrível acontecimento como castigo divino, pela falta de manifestação de fé e de devoção. O respeitado padre Gabriel Malagrida chegou a proferir que só por meio de procissões e de orações se acalmava a ira de Deus.
O ministro Sebastião José de Carvalho e Melo, empenhado na reconstrução do país, necessitava da energia da população para os trabalhos de remoção dos escombros e para a nova construção e justificando o terramoto como um fenómeno de causas naturais, repudiava a atitude dos padres, que prejudicavam a sua acção governativa.
Na noite de 3 de Setembro de 1758, o rei D. José I, sofreu um atentado, do qual escapou com ferimentos. A situação afectara-o em muito, o restabelecimento foi lento e o acontecimento recente do Terramoto, levara-o a refugiar-se em Belém, dado que se sucederam as réplicas sísmicas durante algum tempo. Vivia em pânico.
A investigação sobre o atentado e o processo judicial decorrente, conduziram à acusação e à prisão dos principais membros da família Távora, do Duque de Aveiro, respectivos criados envolvidos e à influência de alguns padres jesuítas, nomeadamente do padre Malagrida, confessor das famílias.
Em Janeiro de 1759, os implicados no crime de lesa-majestade, foram sentenciados e supliciados em Belém. Os seus bens tomados para a coroa e os jesuítas viram a sua influência e poder diminuídos, para além de recair sobre estes a suspeita do seu envolvimento, ainda que moral no atentado. A sua expulsão era iminente.
A 3 de Setembro desse mesmo ano, primeiro aniversário da tentativa de regicídio, um decreto real obrigava ao exílio de todos os jesuitas existentes no país. Foram presos os principais de cada colégio, reitores e padres mais influentes e conduzidos aos cárceres existentes na Junqueira e no forte de São Julião da Barra.
De Lisboa, os padres jesuítas partiram das suas principais casas: do Colégio e convento de Santo Antão, que logo foi transformado em Real Hospital de São José, substituindo o antigo e arruinado Hospital Real de Todos os Santos, localizado no Rossio, da Igreja e Casa professa de São Roque, transformada mais tarde em Misericórdia de Lisboa e centro assistencial dos mais necessitados, do Noviciado da Cotovia, na rua da Escola Politécnica, convento jesuita, que o Marquês de Pombal transformou em Colégio dos Nobres, para a educação dos filhos fidalgos e da nobreza citadina e finalmente do Convento de Arroios, também mais tarde convertido em hospital.
Partiram em barcos, escoltados pela guarda real e recolheram-se primeiro em Setúbal antes de partirem definitivamente do país.
Foram confiscados todos os bens e propriedades da Companhia de Jesus que reverteram para o Estado. O seu regresso a Portugal só foi permitido em 1858.


Aguarela representativa da expulsão dos Jesuitas, fotografia de Garcia Nunes, Arquivo Municipal de Lisboa, AFML - A59744
Aguarela representativa da expulsão dos Jesuitas, fotografia de Garcia Nunes, Arquivo Municipal de Lisboa, AFML - A59744
O Marquês de Pombal por Louis-Michel van Loo

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