terça-feira, 6 de setembro de 2016

06 de Setembro de 1926: Nasce a artista plástica portuguesa Menez, Maria Inês Ribeiro da Fonseca

Menez, de seu nome Maria Inês Ribeiro da Fonseca, foi uma artista portuguesa, natural de Lisboa. Autodidacta, chega a pintura pelo impulso de uma vocação pessoal amadurecida ao contacto com as artes visuais e com as numerosas viagens que realizou, produzindo os primeiros quadros em 1952.

Em 1954, trava conhecimento com José-Augusto França, na época, empenhado na dinamização da Galeria de Março, com um projecto de divulgação das modernas correntes da arte europeia e portuguesa, em particular, as tendências do abstraccionismo. Menez irá expor pela primeira vez nesta galeria, nesse mesmo ano, sendo os seus guaches apresentados pela poetisa Sophia de Melo Breyner Andresen. As obras deste período, de pequena ou média dimensão, sofrem o influxo da tendência não figurativa na qual Menez, grande e sensível colorista, se coloca com facilidade.
Com uma obra logo aclamada pela crítica, Menez participa nas principais exposições colectivas de artistas novos da década de 1950, como a Exposição de Pintura Moderna Portuguesa, em 1955 (Associação de Estudantes da Faculdade de Ciências, Lisboa), o 1º Salão dos Artistas de Hoje, 1956, ou Cinquenta Artistas Independentes, em 1959.

Menez foi bolseira da Fundação Gulbenkian, em duas temporadas distintas, entre 1964-65 e 1969, durante a sua estadia em Londres, tendo participado nas três edições das Exposições de Artes Plásticas da FCG (1957; 1961, com um Segundo Prémio de Pintura; 1986). Ao longo da década de 1960 e 1970, a sua obra teve presença regular nalgumas grandes mostras internacionais de arte portuguesa (Bienal de Tóquio, 1966; Art Portugais – Du Naturalisme à nos jours, Bruxelas, Paris, Madrid, 1967; Pintura portuguesa de Hoy – Abstractos y neofigurativos, Madrid, Salamanca, Barcelona, 1973; Portuguese Art since 1910, Londres, 1978.).

Por volta de 1965, o estilo da artista acusa uma inflexão na direcção informalista e expressionista lírica – aérea e dinâmica – que vinha experimentando para uma nova concepção e tratamento da forma colorida no plano, circunscrita agora por linhas fechadas e estabelecendo com o plano de fundo novas relações de ritmo e contraste, as informações visuais inscrevendo-se predominantemente sobre fundos brancos ou claros. As formas ganham uma consistência e ponderabilidade de signos gráficos, padrões ou volumes compactados e amalgamados, figuras humanas, por vezes, embora sem a clareza necessária a uma interpretação explícita ou inequívoca da mensagem, evoluindo na primeira metade dos anos de 1970, no sentido de um fechamento tímbrico da cor, com uma preferência por tonalidades pardacentas com matizes azulados ou esverdeados.

Nos anos de 1980, o percurso criador de Menez denuncia uma nova mudança, após um período de inactividade gravemente precipitado pelo falecimento dos filhos. A partir de então, as suas obras apresentam marcas de uma teatralidade cifrada e enigmática, sugerida na organização do espaço pictórico como simulacro a partir do qual se multiplicam outros espaços entreabertos, desdobrando-se uns a partir dos outros, cenários povoados de objectos e figuras algumas das quais evocando, pela cor pálida como pelos figurinos anacrónicos, os tempos pretéritos da arte antiga ou da Renascença. 

Menez deixou-nos assim também trabalhos para azulejo, alguns dos quais bem conhecidos dos lisboetas, como os que realizou para o Metropolitano de Lisboa (Estação Marquês de Pombal, 1995), ou para a Faculdade de Psicologia da Universidade de Lisboa (1990; Menção Honrosa no Prémio Municipal de Azulejaria Jorge Colaço em 1991 – com um padrão figurativo composto por sequências alternadas de anjos dançantes). Dentro de uma linguagem semelhante, merecem igualmente ser lembrados os painéis que realizou para a Universidade de Coimbra (Polo de Ciências da Saúde, aplicados em 2007), ou para a Universidade do Minho (Associação para a Investigação Biomédica, 1989), sempre em parceria com a Galeria Ratton. Em 1990, Menez foi agraciada com o Prémio Pessoa pelo conjunto da sua obra que nesse mesmo ano seria revista numa importante exposição antológica no Centro de Arte Moderna. Em 2007, a sua obra foi novamente apresentada numa mostra antológica organizada pelo Centro de Artes Manuel de Brito, em Algés, assinalando-se assim a relação de amizade que perdurou entre a pintora e o coleccionador e proprietário da Galeria 111, desde os anos de 1960.
wikipedia (imagens)

 

Menez, sem título, 1987, acrílico sobre tela
Menez, sem título, 1990, guache sobre papel

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