terça-feira, 20 de setembro de 2016

20 de Setembro de 1378: Crise na Igreja Católica dá início ao Grande Cisma do Ocidente

No dia 20 de Setembro de 1378,  treze cardeais reúnem-se secretamente en Anagni, sul de Roma. Descontentes com o papa imposto pelo povo romano em 8 de Abril de 1378, sob o nome de Urbano VI, eles designam o prelado de Saboia, Roberto de Genebra, como novo sumo pontífice. O eleito assume o nome de Clemente VII e instala-se em Avinhão, sede abandonada em 17 de Janeiro de 1377 pelo seu predecessor Gregório XI. A rota de colisão com Urbano VI, qualificado de "antipapa", torna-se inevitável.
O episódio marca o início do Grande Cisma do ocidente, também conhecido como Cisma Papal, ou simplesmente Grande Cisma, crise católica que duraria 39 anos (1378-1417). 
Estava-se em plena Guerra dos 100 anos. A França toma o partido do seu papa enquanto a Inglaterra opta pelo italiano.  Em Nápoles, a rainha Joana I toma partido de Clemente VII enquanto o seu primo Charles de Duras, que reivindica a coroa, toma partido do papa romano.

É o começo do Grande Cisma do Ocidente. Este conflito entre "urbanistas" e "clementistas" dizia respeito às classes dirigentes. Deixava indiferente a maior parte dos católicos que, em matéria de religião, só tinha como interlocutor o padre da sua paróquia. O conflito de pessoas na alta hierarquia da Igreja Católica não impediu, porém, que a Igreja se cobrisse de descrédito, tendo concorrido para a emergência de movimentos de contestação e da Reforma.
Em 11 de Novembro de 1417, o Concílio de Constança põe fim ao Grande Cisma.
 
A crise do cristianismo medieval iniciou-se com a instalação do papa Clemente V em Avinhão em 1309. Tratava-se apenas de um exílio provisório motivado pelas violentas manifestações populares em Roma. Contudo, o papa, um francês do Sul, instala-se a título permanente na sua nova residência com o apoio do poderoso rei da França, Filipe, o Belo.

Avinhão conheceu  na época grandes ostentações sob o pontificado de Clemente VI (1342-1352), um monge da abadia de Chaise-Dieu. Ao mesmo tempo eclode a Guerra dos 100 Anos e sobrevém a Grande Peste. Diante de tantas infelicidades, os contemporâneos consideraram-nas uma punição divina à Santa Sé.
 
Em 1367, Urbano V, ex-abade de São Vítor em Marselha, decide voltar a Roma, mas a sua administração permanece em Avinhão. Somente em 1377 é que o seu sucessor, Gregório XI, põe termo definitivo ao "Cativeiro da Babilónia", sobre as insistentes recomendações de uma jovem dominicana mística, Santa Catarina de Siena.
Gregório XI morre em 27 de Março de 1378, pouco após a sua penosa viagem de retorno a Roma.
Dezasseis cardeais reúnem-se em Abril de 1378 a fim de eleger o novo titular da cadeira de São Pedro. O conclave não tarda em dividir-se em três facções: os franceses do Norte, os franceses do Sul e os italianos. O povo de Roma pressiona o conclave e a resposta à sua cólera é a eleição quase por unanimidade – 15 votos em 16 – de um italiano de 60 anos que se torna papa com o nome de Urbano VI.
O rei de França Carlos V contesta as circunstâncias da eleição e os 13 cardeais, essencialmente franceses, decidem pela eleição de Clemente VII.
As divisões no seio da Santa Sé não cessaram de agravar-se nos anos seguintes, e um outro papa foi aclamado na cidade italiana de Pisa, João XXIII.
O papado tinha de fazer face à renovação das heresias e a contestação de ilustres teólogos. O inglês John Wyclif e o checo Jan Hus defendem uma reforma da Igreja e o retorno aos ensinamentos do Evangelho.
A restauração da autoridade pontifícia torna-se urgente. A França, principal potência na época mostrou-se interessada em colaborar, porém estava arrasada pela guerra civil entre os Armagnacs e os Bourguignons e incapaz de agir.
Teve de se esperar até 1415 para que o imperador alemão Sigismundo forçasse a reunião de um concílio nas margens do lago Constança.
O colégio de cardeais destitui os três papas para eleger um novo e único papa, Oddone Colonna, pertencente à nobreza romana. Como sequer havia sido ordenado padre, repara-se esse lapso, conferindo-lhe às pressas o sacramento da ordenação. Adoptando o nome de Martinho V, o novo papa estabelece-se definitivamente em Roma. A sua eleição, em 11 de Novembro de 1417, põe praticamente fim ao Grande Cisma.
Um novo concílio reúne-se em Basileia a 3 de Março de 1431 com vista a reformar a Igreja e estabelecer a união das Igrejas do Ocidente e Oriente, os ortodoxos e os católicos. Esta reforma não se concretiza visto que o papa Eugénio IV, sucessor de Martinho V, se insurge contra as decisões. O concílio muda-se para Constança onde elegem o duque Amadeu VIII de Saboia como papa. O último dos antipapas adopta o nome de Félix V. A cristandade vê ressurgir o espectro do cisma. Sem apoios, ele acaba por depositar o resto de autoridade nas mãos do papa Nicolau V.
Apesar de encerrada a querela dos papas e antipapas, o estrago estava feito. A revolução religiosa em formação no império germânico,que acabaria por triunfar um século mais tarde com Martinho Lutero.
Fontes: Opera Mundi
wikipedia (imagens)

Mapa ilustrando o Grande Cisma do Ocidente.Os territórios em rosa são territórios obedientes a Avignon, os territórios em roxo são territórios obedientes a Roma.
Quadro de 1452 de Eguerrand Quarton representa a Virgem da Misericórdia reconciliando a Igreja 
Papa Urbano VI
Papa Clemente VII

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