quarta-feira, 21 de setembro de 2016

21 de Setembro de 1792: Revolução Francesa - A Convenção Nacional francesa vota a abolição da monarquia

Na França revolucionária, a Assembleia Legislativa vota em 21 de Setembro de 1792 a abolição da monarquia e estabelece a Primeira República. A decisão ocorre um ano após o rei Luis XVI ter relutantemente aprovado uma nova constituição que retirou  muito do seu poder. 
Luis XVI ascendeu ao trono francês em 1774 e desde o início teve de lidar com graves problemas financeiros herdados dos predecessores. Em 1789, a escassez rigorosa de alimentos e a aguda crise financeira levaram à eclosão da Revolução Francesa. Após o término das deliberações da Assembleia Constituinte em 1791, a burguesia passou a uma posição conservadora, por entender que as principais mudanças já haviam sido implementadas. A situação do povo mais pobre, porém, pouco tinha mudado. Os camponeses continuavam sem terra e nas cidades a situação tornava-se cada vez mais difícil. 
Em Agosto de 1792, uma intensa mobilização popular destronou o rei, e depois de elaborar a Carta Magna francesa, a Assembleia Nacional Constituinte dissolveu-se. A Assembleia Legislativa substituiu a Constituinte. Havia a ameaça de intervenção externa, crise económica e inflação. Em Abril de 1792 é declarada a guerra à Áustria e à Prússia e exércitos inimigos chegam a ameaçar Paris. A ala radical proclama a “pátria em perigo” e distribui armas à população. A Comuna de Paris assume o poder e exige da Assembleia o afastamento do rei. Em 10 de Agosto de 1792, os parisienses atacam o palácio real, detêm o soberano e exigem que o Legislativo suspenda as suas funções. Esvaziada do seu poder, a Assembleia convoca a eleição de uma Convenção Nacional. A revolução entra numa fase radical. As primeiras medidas tomadas pela Convenção foram a Proclamação da República e a promulgação da nova Constituição. A Convenção contava com o predomínio dos representantes da burguesia. 
Entre os revolucionários de 1789, houve divisão. A grande burguesia não queria aprofundar a revolução, temendo o radicalismo popular. Aliada aos sectores da nobreza liberal e do baixo clero, formou o Clube dos Girondinos. O nome "girondino" deve-se ao facto de Brissot, principal líder dessa facção, representar o departamento da Gironda. Eles ocupavam os bancos inferiores no salão das sessões. Os jacobinos - assim chamados porque se reuniam no convento de Saint Jacques – queriam aprofundar a revolução, aumentando os direitos do povo. Eram liderados pela pequena burguesia e apoiados pelos sans-culottes, as massas populares de Paris. Ocupavam os assentos superiores no salão das sessões, recebendo o nome de ‘montanha’ (montagnards). 

Os seus principais líderes foram Robespierre, Danton e Marat. A sua facção mais radical era representada pelosenragées, liderados por Jacques Hébert, que queriam o povo no poder. Havia ainda um grupo de deputados sem opiniões muito firmes, que votavam na proposta que tinha mais probabilidade de vencer. Eram chamados deplanície ou pântano. Havia ainda os cordeliers (camadas mais baixas) e os feuillants (a burguesia financeira). 

Dirigida inicialmente pelos girondinos, a convenção realizava uma política contraditória: era revolucionária na política externa — ao combater os países absolutistas — mas conservadora na interna — ao procurar acomodar-se com a nobreza, tentar salvar a vida do rei e combater os revolucionários mais radicais. Nesse primeiro período, foram descobertos documentos secretos de Luís XVI, no Palácio das Tulherias, que provaram o seu comprometimento com o rei da Áustria. O facto acelerou as pressões para que o rei fosse julgado como traidor. Na Convenção, a Gironda dividiu-se: alguns optaram por um indulto, outros pela pena de morte. Os jacobinos, reforçados pelas manifestações populares, exigiam a execução do rei, indicando o fim da supremacia girondina na Revolução. O rei e a rainha Maria Antonieta foram presos em Agosto de 1792 e em Setembro a monarquia foi abolida. Em Janeiro de 1793, Luis XVI foi julgado e condenado à morte por escassa maioria. Nove meses depois foi a vez de Maria Antonieta ser guilhotinada. 
Fontes: Opera Mundi
wikipedia (imagens)
Luís XVII, sendo julgado pela Convenção, na Sala do Manege, durante o processo de Luís XVI
A grande guilhotina desce sobre a cabeça de Luís XVI, que é exibida ao povo, como se costumava fazer com todos os executados.

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