sábado, 24 de setembro de 2016

24 de Setembro de 1572: Túpac Amaru, o último herdeiro do Império Inca, é decapitado

Túpac Amaru, irmão de Titu Cusi, é capturado pelos espanhóis sob as ordens do vice-rei Francisco de Toledo e decapitado em público, no dia 24 de Setembro de 1572. Havia retomado a bandeira do seu irmão a fim de resistir à dominação colonial. Desse modo, o último herdeiro do Império Inca desaparecia. 
Túpac Amaru foi o último líder indígena moderno do Império Inca no Peru. Túpac Amaru assumiu o título imperial após a morte do seu meio irmão, Titu Cusi, em 1570. Os incas achavam que os espanhóis haviam envenenado Titu quando enviaram dois embaixadores para negociar com os nativos. Foram ambos mortos na fronteira por um capitão inca. 
Alegando que os incas tinham “rompido a inviolável lei de todas as nações do mundo: respeito aos embaixadores” o novo vice-rei, Francisco de Toledo, decidiu atacar e conquistar Vilcabamba, declarando guerra em 14 de Abril de 1572. 
Em 1 de Junho, o primeiro confronto da guerra começou no vale de Vilcabamba. Os incas resistiram bem desde o primeiro momento apesar de estarem pouco armados.  Em 23 de Junho o forte de Huayna Pucará rendeu-se frente à artilharia espanhola. O exército inca optou por abandonar a sua última cidadela e dirigir-se à selva para se reagrupar. 
Em 24 de Junho os espanhóis entraram em Vilcabamba e encontraram a localidade deserta. A cidade foi inteiramente destruída. Túpac Amaru tinha -se retirado no dia anterior com cerca de 100 soldados. O grupo, que incluía os seus generais e membros da sua família, dividiu-se numa tentativa de evitar a captura. Três grupos de soldados espanhóis perseguiram-nos. Um capturou a esposa e filho de Tuti Cusi. O segundo regressou com prisioneiros militares e também com ouro, prata e outras pedras preciosas. O terceiro regressou com os dois irmãos de Túpac Amaru, outros parentes e os seus generais. 
Túpac Amaru e o seu comandante conseguiram escapar. Um grupo de 40 soldados saiu em perseguição. Seguiu o rio Masahuay ao longo de 250 quilómetros. Os espanhóis capturaram um grupo de índios chunco e obrigaram-nos a contar o que tinham visto.  Os chunco informaram que que o grupo de Túpac tinha seguido rio abaixo, num bote, para um lugar chamado Momorí. 
Em Momorí descobriram que Túpac Amaru tinha escapado por terra. Os índios Mamarí informaram que Túpac estava atrasado na caminhada porque a sua mulher estava a ponto de dar a luz. Após uma marcha de 80 quilómetros avistaram uma fogueira. Encontraram  Túpac Amaru e a sua mulher. Túpac  foi preso. 
O líder inca e alguns dos seus seguidores foram levados às ruínas de Vilcabamba e juntos entraram em Cuzco no dia 21 de Setembro. Fizeram várias tentativas de converter Túpac Amaru ao cristianismo. Em vão, pois o líder indígena estava convencido da sua fé. Os cinco generais incas capturados receberam um julgamento sumário e  foram sentenciados à forca. 
O julgamento de Túpac Amaru começou dois dias mais tarde. Foi condenado pelo assassinato dos embaixadores em Vilcabamba e sentenciado à morte por decapitação. Numerosos clérigos, convencidos da inocência de Túpac Amaru, suplicaram de joelhos ao vice-rei que o Inca fosse enviado a Espanha para ser julgado em vez de ser executado. 
Testemunhas da execução disseram que havia uma grande multidão e centenas de guardas com lanças. Em frente à catedral, na praça central de Cuzco, um patíbulo tinha sido erguido. Túpac Amaru subiu ao patíbulo acompanhado pelo bispo de Cuzco. 
Segundo Baltasar de Ocampo e frei Gabriel de Oviedo, chefe dos dominicanos em Cuzco, ambos testemunhas oculares, Túpac levantou a sua mão para silenciar a multidão. As suas últimas palavras foram: “Ccollanan Pachacamac ricuy auccacunac yahuarniy hichascancuta.” Mãe Terra, sirva de testemunha de como os meus inimigos derramam o meu sangue”. 
Para prevenir o ressurgimento do império e apagar todo o  rasto da sua descendência, a fonte de futuras gerações reais foi prontamente eliminada pelo vice-rei. Incontáveis pessoas, incluindo o filho de 3 anos de Túpac Amaru, foram desterradas para o México, Chile, Panamá e para outros lugares distantes. 
Fontes: Opera Mundi
wikipedia (imagens)
Captura de Túpac Amaru por Felipe Guamán Poma de Ayala (também Felipe Guamán Poma)

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