quarta-feira, 28 de setembro de 2016

28 de Setembro de 1891: Morre o escritor Herman Melville, autor de Moby Dick

Herman Melville, escritor, poeta e ensaísta norte-americano morre em Nova Iorque no dia 28 de Setembro de 1891, aos 72 anos, em total obscuridade. O obituário do jornal The New York Times registava o nome como "Henry Melville". Embora tenha obtido grande sucesso no início da carreira, a sua popularidade foi decaindo ao longo dos anos. Faleceu sem conhecer o sucesso que a sua mais importante obra, o romance Moby Dick, alcançaria no século XX. O livro foi publicado em 1851 sob o título de "A Baleia", não obtendo sucesso da crítica.
Herman Melville foi o terceiro filho de Allan e Maria. Quando criança teve escarlatina, o que afectou permanentemente a sua visão. Mudou-se com a família, em 1830, para Albany, onde frequentou a Albany Academy. Após a morte do pai, em 1832, teve de trabalhar inicialmente como bancário, depois foi  professor e fazendeiro.
Em 1839, embarcou como ajudante no navio mercante St. Lawrence, com destino a Liverpool e, em 1841, no baleeiro Acushnet, a bordo do qual percorreu quase todo o Pacífico. Quando chegou às ilhas Marquesas, na Polinésia Francesa, decidiu abandoná-lo para viver junto aos nativos. As suas aventuras como "visitante-cativo" da tribo de canibais Typee foram registadas no livro Typee, de 1846. Ainda em 1841, embarcou no baleeiro australiano Lucy Ann e acabou por unir-se a um motim organizado pelos tripulantes. Melville foi preso, tendo fugido pouco depois. Todos esses acontecimentos são descritos no seu segundo livro Omoo, de 1847. No final de 1841, embarcou no Charles & Henry, na sua última viagem, retornando a Boston como marinheiro, em 1844. Os seus dois primeiros livros renderam-lhe muito sucesso da crítica e público e certo conforto financeiro.

Em 1849, lançou o seu terceiro livro, Mardi, que se inicia como uma aventura. No entanto, desenvolve-se de modo mais introspectivo, desagradando ao público. Retomou a antiga fórmula, lançando duas novas aventuras:Redburn (1849) e White-Jacket (1850). Nos seus novos livros já era possível reconhecer o tom visivelmente mais melancólico que adoptaria a seguir.

Moby Dick
 é publicado em Londres, em 1851. O fracasso de vendas de Moby Dick fez com que o seu editor recusasse o manuscrito, hoje perdido, The Isle of the Cross (A Ilha da Cruz).
Moby Dick foi vitima de todo tipo de interpretação, mas os elementos culturais da obra deixam claro o tipo predominante de abordagem. Pode-se perceber na mistura de etnias da tripulação do baleeiro, a presença de culturas distintas que chegaram aos Estados Unidos desde o ‘boom’ da industrialização. Com os imigrantes vieram também as suas crenças. Esta era a realidade em 1891. A interpretação do narrador gira principalmente em torno de uma característica da baleia – a sua brancura, à qual o autor dedica um capitulo inteiro, simbolizando a própria pureza da vida cristã da nação norte-americana.
Os temas abordados representam as condições humanas: aventura, ciência, metafísica, filosofia, a sujeição do homem à lei do mais forte, a fúria da natureza, bem como o juízo divino sobre o homem. Moby Dick serve também como critica aos preconceitos da época visto que o país estava a perder a sua “identidade nacional”, devido à mistura de culturas. Portanto, o universo de Moby Dick não une os homens do navio baleeiro mas separa-os levando-os à ruína total.
O livro foi revolucionário para a época, com descrições imaginativas das aventuras do narrador, Ismael, as suas reflexões pessoais, e trechos de não-ficção, sobre assuntos, como baleias, métodos de caça, arpões, detalhes sobre as embarcações e funcionamentos, armazenamento de produtos extraídos das baleias.
A obra foi inicialmente mal recebida pelos críticos e pelo público, mas com o passar do tempo tornou-se uma das mais respeitadas da literatura em língua inglesa, e seu autor é agora considerado um dos maiores escritores norte americanos.
A história começa quando Ismael resolve trabalhar na marinha mercante,  instalando-se na hospedaria “O espiráculo”, onde conhece Queequeg. Embarcam no navio The Pequod, mas antes Ismael recebe um aviso que o capitão, Ahab, é louco, possui “demónios”. E anuncia que tem um único e verdadeiro ódio: a baleiaMoby Dick. Quando Ismael  vê pela primeira vez o capitão fica espantado: descobre que o capitão perdeu uma perna pela acção do monstro.
A viagem dura três longos anos de relação com o capitão Ahab. E não só, havia tripulantes de todas as origens.
Durante a viagem a batalha entre a razão humana e animal começa. No fim da batalha, o Pequod é destruído. Ismael é o único sobrevivente e não tem mais nenhuma atracção em voltar ao mar à procura de baleias. EmMoby Dick, a loucura obsessiva de Ahab contagia toda a tripulação, até os mais prudentes e cautelosos. Era assim que Melville via a América, uma nação democrática e progressista, sendo arrastada para as trevas e para a loucura colectiva por causa da demência e obsessão de um só homem.
Melville lançou Moby Dick aos 32 anos. Nesta obra investiu todo o talento e erudição, buscando resgatar a sua reputação literária. De acordo com o seu biógrafo, o dia do lançamento foi o mais feliz da vida da Melville.
Contudo, chegavam a Boston as primeiras resenhas dos jornais de Inglaterra, onde o livro havia sido publicado um mês antes. A obra foi destroçada pelos críticos. Depois de Moby Dick nem mesmo a reputação de escritor resistiu. Sepultou a carreira literária do autor. Passou os 40 anos seguintes no anonimato. Quando morreu, ninguém dele se lembrou.
Fontes: Opera Mundi
wikipedia (imagens)
Herman Melville, 1870
 
Percurso fictício do Pequod, barco onde se passa a maior parte da saga de Moby Dick

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