quarta-feira, 5 de outubro de 2016

05 de Outubro de 1143: Conferência de Zamora, Afonso VII reconhece o título de rei a seu primo, D. Afonso Henriques

Vitorioso em Ourique (1139), afastadas, assim, as preocupações suscitadas pelos desastres de Leiria e Tomar, Afonso Henriques  renovou os seus ataques ao norte e, mais uma vez, invadiu a Galiza. Por seu turno, Afonso VII, parando o golpe, entrou em Portugal. Todavia, após o recontro de Arcos de Valdevez (1140) e mediante intervenção do arcebispo de Braga, D. João Peculiar, os dois primos assentaram na cessação das hostilidades, com vista ao estudo das condições definitivas de paz, tudo parecendo indicar que o duelo militar entre os dois chefes se aproximava de um desfecho político. E, com efeito, três anos volvidos, a trégua tornou-se paz na Conferência de Zamora, reunida a 4 e 5 de Outubro de 1143, com directa ingerência do cardeal Guido de Vico, legado do papa Inocêncio II. Quais tenham sido as condições de paz em que se assentou é ponto que hoje se ignora, dado que nenhum documento especial que no-lo diga chegou até nós. "Mas o que se pode asseverar", escreveu Alexandre Herculano, "é que o imperador reconheceu o título de rei que seu primo tomara, e que este recebeu dele o senhorio de Astorga, considerando-se por essa tenência seu vassalo. Não é menos provável que, ainda como rei de Portugal, ficasse numa especie de dependência política de Afonso VII, o imperador das Espanhas ou de toda a  Espanha, como ele se intitulava nos seus diplomas." Refira-se, no entanto, que o Prof. Damião Peres, afastando-se neste ponto, do parecer de Herculano, manifestou a opinião de que, "Ao contrário do geralmente suposto, não constituiu, segundo creio, matéria litigiosa  a tratar na reunião o título de rei dos portugueses. Havia três anos que Afonso Henriques assim se proclamava, e os textos oficiais leoneses lavrados enquanto decorria a conferência já assim lhe chamavam também. Mas se esse título não constituiu então matéria litigiosa, constituíam-na certamente as relações pessoais do rei de Portugal com Afonso VII, como senhor de Astorga, e sobretudo os limites do reino português. Isso ali se resolveu. Tudo mostra que Afonso Henriques desistiu de qualquer reivindicação territorial para além dos limites da terra propriamente portuguesa, cujo governo seu avô Afonso VI, avô por igual do imperador Afonso VII, doara ao conde Henrique meio século antes, e que Afonso VII, por seu lado, aceitou a anulação doas obrigações assumidas para com ele por Afonso Henriques no Tratado de Tui." Firmada a tranquilidade dos dois Estados, Afonso I voltou aos seus domínios, deixando por governador de Astorga o seu alferes, Fernando Captivo.
Fontes: Dicionário de História de Portugal
wikipedia (Imagens)


D. Afonso Henriques
Afonso VII de Leão e Castela

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