sexta-feira, 14 de outubro de 2016

14 de Outubro de 1906: Nasce a filósofa alemã Hannah Arendt, referência do pensamento contemporâneo, autora de "As Origens do Totalitarismo".

No dia 14 de Outubro de 1906, nascia em Hannover a grande filósofa alemã Hannah Arendt. Judia e sobrevivente do Holocausto, ela reflectiu sobre a banalidade do mal e a necessidade de ousar e de cada um expor-se  na vida pública.

Hannah Arendt foi uma das maiores pensadoras do século XX. As suas análises políticas perspicazes valeram-lhe distinções como o Prémio Lessing de 1959 ou o Sonning de 1975, atribuído pela Universidade de Copenhagua por mérito em prol da cultura europeia.
Arendt nasceu em Hannover em 14 de Outubro de 1906 e estudou filosofia em Marburg, onde foi aluna de Martin Heidegger. A estudante de talento extraordinário e o filósofo de fama mundial teriam, em seguida, um caso de amor.
O seu romance com Heidegger gerou manchetes e até hoje fornece material para estudos biográficos. Os dois são exemplo de um dos mais famosos casais de intelectuais, ao lado de Jean Paul Sartre e Simone de Beauvoir.
Porém, o mestre era casado, facto que fez a jovem decidir mudar-se para Heidelberg, onde completou o seu doutoramento em 1928, sob a assistência da Karl Jaspers. Entretanto, a ascensão de Hitler ao poder na Alemanha alterou radicalmente a vida da filósofa judia.
"Na época, repetia-se sem cessar uma frase que evoco agora: 'Se você é atacado como judeu, é preciso defender-se como judeu'. Não como alemão, ou cidadão do mundo ou em nome dos direitos humanos, algo assim. Mas sim, bem concretamente: o que eu posso fazer?", declarou durante uma entrevista à televisão em Outubro de 1964.

Quando Martin Heidegger se tornou o primeiro reitor nacional-socialista da Universidade de Freiburg, Hannah Arendt afastou-se da filosofia para comprometer-se com a resistência anti -nazi. Em meados de 1933, foi presa pela Gestapo, porém conseguiu escapar.
Posteriormente, Arendt fugiu para Paris. Lá conheceu o seu futuro marido, o também filósofo Heinrich Blücher, com quem emigraria para os Estados Unidos em 1941. Em Nova Iorque, ela inicia a sua grande carreira: escreveu para revistas, trabalhou como  professora universitária e em diversas organizações judaicas.
Em 1951, Arendt publicou o seu revolucionário estudo Origens do totalitarismo. Seguem-se outros escritos, entre os quais Vita activa, uma teoria da actividade política. Em Sobre a revolução, ela examina as reviravoltas políticas radicais.
Certa vez, Arendt classificou a sua profissão como "teoria política, se é que se pode falar em profissão". Os seus livros colocaram-na na capa de revistas importantes, aclamada como uma das grandes filósofas do século.
Em 1963, publicou Eichmann em Jerusalém, sobre o processo contra o criminoso nazi. No livro, que desencadeou uma longa e acirrada controvérsia, Hannah Arendt cunhou a famosa expressão "a banalidade do mal".
Entre outros argumentos, a filósofa foi acusada de, com sua teoria da banalidade, minimizar os crimes nazis e o sofrimento dos judeus. Em resposta, Arendt disse, de certa maneira, compreender a reação indignada ao facto de ela ainda poder rir.
"Mas eu realmente achava que Eichmann era um palhaço. Li, e com muita atenção, o seu interrogatório policial, de 3.600 páginas. E não sei quantas vezes tive que rir, mas com vontade! As pessoas levam a mal essa minha reação."
O tema não mais a deixou mais em paz. Em 1965, ela fez uma palestra intitulada Sobre o mal, somente publicada em 2006, ano do seu centenário. O tema é o mal, diante do qual as palavras falham e o raciocínio fracassa.
Segundo Arendt, a origem dessa forma do mal está na própria recusa de pensar e julgar. Desta, resulta uma incapacidade de – na qualidade de agressor potencial – se ver no papel da vítima. Assim, Adolf Eichmann jamais levou em conta o destino dos judeus, cujo transporte e morte nos campos de extermínio ele organizara.
Da mesma forma, os terroristas suicidas não pensam nas vítimas dos seus actos.
Hannah Arendt faleceu em 4 de Dezembro de 1975. A partir da sua própria experiência como judia, durante toda a vida ela interferiu no tema, sabendo que a irreflexão moral e política é o maior perigo. Por isso ela sempre procurou a "ousadia da exposição pública". A filósofa explica:
"Trata-se de nos expormos à luz pública, precisamente como pessoas. A segunda ousadia é: estamos a iniciar algo, entrelaçamos o nosso fio na rede das relações. No que isso resultará, não sabemos jamais. E concluindo, eu diria que essa ousadia só é possível com confiança nos seres humanos."
Fontes: DW
wikipedia (imagens)


 
Hannah Arendt


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