sábado, 15 de outubro de 2016

15 de Outubro de 1815: Napoleão é exilado na ilha de Santa Helena

Após a derrota de Waterloo a 18 de Junho de 1815, Napoleão foi imediatamente para Paris. No Palácio do Eliseu reuniu o Conselho de Ministros a fim de decretar que ‘a Pátria está em perigo’. Porém, o imperador compreendeu que a partida estava perdida e que não poderia abdicar pela segunda vez em favor do seu filho. Retirou-se para Malmaison com uma parte dos que lhe eram fieis.
Encurralado pelas potências inimigas, que já apontavam os seus canhões para as cercanias da sua casa, o Imperador viajou a Rochefort onde permaneceu alguns dias, aguardando os passaportes do governo provisório a fim de se isolar na ilha de Aix.
Rapidamente a corte dos exilados percebeu que o chefe de governo, Fouché, os havia enganado. Depois de estudar todas as possibilidades de fuga, Napoleão decidiu  render-se e confiar o seu destino ao príncipe regente da Inglaterra.
No dia 15 de Julho de 1815, o imperador foi levado a bordo da corveta Bellerophon. Lá seria severamente recriminado pelo almirantado inglês, pois após o seu retorno da ilha de Elba, o Congresso de Viena havia-lhe retirado todos os seus títulos e  tinha-o classificado como sendo “perturbador da paz no mundo e inimigo do género humano”. Em 31 de Julho tomou conhecimento da sua deportação para a ilha de Santa Helena e em 7 de Agosto foi transferido a bordo do Northumberland que o conduziria ao seu lugar de exílio.

A longa viagem terminou  no dia 15 de Outubro de 1815. Napoleão, que se encontrava na proa do navio, exclamou: “Santa Helena, não será uma bela temporada”. A partir de 1818 e a pedido do ex-imperador, os ingleses autorizaram a vinda dos abades Buonavita e Vignali, bem como do médico Antommarchi.
A vigilância do prisioneiro foi confiada ao almirante Cockburn e ao governador Wilks, que seria substituído em 1816 pelo terrível Hudson Lowe. Três mil soldados formavam a tropa. Um círculo de 8 quilómetros de diâmetro foi traçado em torno de Longwood. Nas colinas ao redor, havia sentinelas. Em torno da ilha, 4 navios de guerra revezavam-se  a fim de impedir qualquer desembarque ou toda tentativa de fuga. Situada a 2 mil quilómetros da costa africana , Santa Helena tem 17 quilómetros de comprimento, 10 de largura e está perdida no  meio do Atlântico Sul.
A monotonia do tempo e do clima criava uma mediocridade de existência. Um ambiente de morosidade instalava-se  apesar dos esforços de Napoleão para diversificar as jornadas. Mudava os horários das refeições, dos passeios e do descanso.

À noite, havia muitas vezes um grande jantar, à moda das Tulherias. Acendiam-se todos os lustres do salão, os exilados vestiam as suas melhores roupas, alguns homens em trajes militares, as mulheres em vestidos decotados. A despeito dos esforços, da mesa farta, as noitadas eram tristes. Por vezes, Mme de Montholon  ao piano, cantava árias de Paesiello ou de Cimarosa.

Intimamente persuadido que iria terminar a sua vida nesta ilha, queria convencer os ingleses que não era somente o general Bonaparte, mas que ficaria para a posteridade como o Imperador Napoleão I.

Em Abril de 1816 a esperança renasceu: o almirante Cockburn seria substituído pelo general Hudson Lowe.  Napoleão pensou que se daria melhor com um artilheiro do que com um marinheiro. A esperança não passou de fogo de palha. Lowe era personagem para se tornar um carcereiro: meticuloso, vaidoso, rígido, detalhista. O ambiente entre os dois  deteriorou-se rapidamente. Faltando-lhe totalmente a psicologia, tornou impossível a vida de todos os residentes de Longwood.
As restrições impostas acabariam por fechar as portas de Longwood a todos os visitantes estrangeiros. Isto levou a uma lenta degradação física de Napoleão, que praticamente não saía da sua residência. Em 1820, a conselho do seu médico, fazia trabalhos de jardinagem e outros afazeres domésticos. Não obstante, a partir do Outono a sua saúde declinou e em Abril de 1821 era visível o deplorável estado de saúde em que se encontrava. Começava uma agonia que levaria 40 dias no meio de dolorosos sofrimentos.
Napoleão recusava-se a ser examinado pelos médicos ingleses e toda a responsabilidade recaiu sobre o doutor Antommarchi, que procurou o seu colega inglês Arnott para juntos prescreverem o tratamento e os cuidados. Foi receitado o calomelano - cloreto mercuroso usado como purgativo e anti-sifilítico – a fim de aumentar a secreção biliar.

A partir de Abril, o imperador não mais deixou o leito, de onde redigiu o seu breve testamento: “Hoje, 15 de Abril de 1821, em Longwood, ilha de Santa Helena. Eis meu testamento ou acto de última vontade: 1º - Morro na religião apostólica romana no meio da qual nasci há mais de 50 anos; 2º - Desejo que as minhas cinzas repousem às margens do Sena junto ao povo francês que eu tanto amei".

Em 5 de Maio, Lowe foi alertado pelo doutor Arnott que o fim estava próximo. Todos estavam ao pé do leito de morte, lembrando-se do grande homem e da sua imortal epopeia. Napoleão exalou  o seu derradeiro suspiro. Eram 17h51.

No dia seguinte, em presença de médicos ingleses, Antommarchi fez a autópsia: morreu de úlcera, provavelmente cancerosa, aos 51 anos. Os seus restos mortais seriam depositados numa laje funerária anónima até 1840, quando o rei Louis-Philippe obteve autorização do governo inglês para repatriar o seu corpo. É no Palácio dos Inválidos, em Paris, às margens do Sena, ao lado do seu povo, que repousa para sempre.

Fontes: Opera Mundi
wikipedia (imagens)


Napoleão em Santa Helena



Longwood House,  a residência de Napoleão em Santa Helena

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