quinta-feira, 27 de outubro de 2016

27 de Outubro de 1949: O Prémio Nobel da Medicina é atribuído ao professor e investigador português Egas Moniz.



Neurologista português, nasceu  a 29 de Novembro de 1874, em Avanca, Estarreja, e morreu  a 13 de Dezembro de 1955, em Lisboa. Formou-se em Medicina na Universidade de Coimbra em 1898, na qual foi nomeado professor em 1902. A partir de 1911 e até 1944 passou a ocupar a recém-criada cadeira de Neurologia da Faculdade de Medicina de Lisboa, onde foi o primeiro professor. Em 1927 efectuou a primeira angiografia cerebral no homem. Este novo processo permitiu obter em películas radiográficas a imagem dos vasos sanguíneos intracranianos e constituiu o maior progresso da cirurgia cerebral dos últimos 50 anos. Egas Moniz levou à criação da cirurgia vascular no encéfalo e trouxe uma contribuição fundamental para os diagnósticos dos tumores cerebrais. Nos traumatismos cranianos também o método do neurologista português se revelou importante porque indica com segurança a presença de hematomas. Em 1935 concebeu uma nova forma de intervenção cirúrgica cerebral, a leucotomia pré-frontal, muito utilizada no tratamento de certas psicoses graves, o que lhe valeu o Prémio Nobel da Medicina em 1949, partilhado por W. R. Hess. Na justificação para o Prémio, a Academia sublinhava a “descoberta do valor terapêutico da leucotomia em algumas psicoses“. Egas Moniz pretendia, assim, utilizar a cirurgia cerebral no tratamento de doenças do foro mental. O uso e abuso desta técnica levou a que muitos pacientes ficassem completamente inactivos e sem qualquer capacidade de iniciativa, falhando o objectivo de tratamento de perturbações psicológicas. De Leucotomia, o processo de Egas Moniz passou a Lobotomia. O método caíu em desuso a partir dos anos 60, altura em que o aparecimento e proliferação dos anti-depressivos votou ao quase total abandono, por parte da comunidade médica, uma técnica cirúrgica já profundamente deturpada em relação à que valera a Egas Moniz, o primeiro Nobel português.

Egas Moniz publicou uma extensa autobiografia da qual se destacam: Confidências de um Investigador Científico (1949) e A Nossa Casa (1950). Egas Moniz também se dedicou à política, tendo ocupado o cargo de Ministro dos Negócios Estrangeiros. A sua atividade política decorreu no período entre 1903 e 1917.
 
Fontes: Egas Moniz (médico). In Infopédia [Em linha]. Porto: Porto Editora, 2003-2011.
wikipedia (Imagem)



 
 

Retrato de Egas Moniz da autoria de Henrique Medina
 



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