quarta-feira, 9 de novembro de 2016

18 de Brumário, ano VIII (09 de Novembro de 1799): Ascensão de Napoleão Bonaparte ao poder

No dia 9 de Novembro de 1799, Napoleão Bonaparte tomava o poder absoluto em França, no episódio que ficaria conhecido como "o golpe do 18 Brumário". Até então, passados 10 anos do início da Revolução Francesa, o país estava a ser governado pelo Directório. Ao derrubá-lo, aproveitando-se do seu prestígio nos campos de batalha, o jovem general consolidava o seu poder e abria caminho para coroar-se imperador, cinco anos mais tarde.

De volta da campanha do Egipto, Napoleão decidiu "salvar a República”, ameaçada pelos monárquicos e pelos jacobinos (revolucionários radicais). Num primeiro momento, os deputados do Conselho dos Quinhentos e do Conselho de Anciãos  recusaram-se a modificar a Constituição a favor do general, mas, fortemente pressionados, acabaram por ceder e nomearam um governo provisório com três cônsules com iguais poderes cada: Napoleão, Sieyès e Roger Ducos. Não demorou até que Napoleão assumiu as funções de Primeiro Cônsul e acumulou todos os poderes. Era o dia 18 Brumário (de "bruma" ou "névoa" em francês) pelo calendário da Revolução Francesa – correspondente a 9 de Novembro de 1799 pelo calendário gregoriano.

Napoleão valera-se de sua acção no Egipto para estimular a imaginação dos franceses com as imagens de pirâmides, camelos, dunas e a Pedra de Roseta. No campo de batalha, teria feito o célebre discurso: “Soldados de França, do alto destas pirâmides quarenta séculos vos contemplam”. Dois anos antes, com a sua vitória sobre os exércitos ítalo-austríacos, já havia adquirido o estatuto de herói nacional francês. O general recebeu uma recepção apoteótica quando regressou a Paris e, em seguida, começou a planear o golpe de Estado. 

Ao contrário de outros episódios da Revolução Francesa, o 18 Brumário foi resultado de planeamento. Napoleão certificou-se de que os generais não dispostos a acompanhá-lo, convenientemente, estivessem fora da cidade. Lucien Bonaparte, irmão de Napoleão, fora eleito presidente do Conselho dos Quinhentos poucos dias antes da data estipulada para o golpe. O plano foi também calculadamente financiado pelos banqueiros e altos membros da burguesia, que viram os seus interesses contrariados com a Revolução. Parecia que Bonaparte não teria de enfrentar grandes obstáculos.

Na véspera do 18 Brumário, o Conselho dos Anciãos recebeu a informação – falsa - de que estava em curso uma revolta dos jacobinos, marcando-se uma reunião de emergência para as primeiras horas do dia. Um contingente militar que incluiu Napoleão e outros 20 generais cercou o Palácio das Tulherias, sede do governo. Durante a sessão, alguns deputados que ficaram “convencidos” de que a conspiração realmente estava em andamento denunciaram-na ao presidente. O Conselho então decidiu que no dia seguinte se reuniria com os Quinhentos para enfrentar o problema. Foi entregue a Napoleão o controle total da praça militar de Paris.

O plano caminhava sem contratempos. Enquanto isso, dois dos cinco membros do Directório - Moulin e Gohier - desconfiaram. Esgotadas as tentativas de persuadi-los, Ducos e Sieyès (outros dois membros do Directório metidos na conspiração) mantiveram-nos fechados no Palácio de Luxemburgo.

O castelo de Saint-Cloud, a 10 quilómetros de Paris, onde se reuniriam separadamente os dois Conselhos, amanheceu cercado por soldados. Houve resistência dos jacobinos. O Conselho dos Anciãos estava relutante, e o dos Quinhentos manifestou-se, de repente, ardorosamente republicano. Vendo a situação em perigo, Napoleão resolveu enfrentá-la pessoalmente.

Napoleão não era bom orador e o seu discurso não conseguiu convencer os anciãos relutantes. Dirigiu-se aos Quinhentos, onde encontrou uma séria oposição.  Napoleão acusou os seus opositores de tentativa de assassinato. Lucien Bonaparte confirmou a tentativa de assassinar o irmão. As tropas, “irritadas”, invadiram o castelo. Pressionados e intimidados, os deputados votaram.

Napoleão, Sieyès e Ducos foram nomeados respectivamente Primeiro, Segundo e Terceiro cônsules, inaugurando o período conhecido como "Consulado". Em 31 de Dezembro, Napoleão substituiu Sieyès e Ducos pelos maleáveis cônsules Cambaceres e Lebrun. Nessa oportunidade, teria declarado: “A Revolução acabou!”. Em 1804, coroou-se imperador dos franceses.

Fontes: Opera Mundi
wikipedia (Imagens)

Ficheiro:Bouchot - Le general Bonaparte au Conseil des Cinq-Cents.jpg
O General Bonaparte no Conselho dos Quinhentos- François Bouchot
Arquivo: Salle des cinq cents.jpg
A Sala dos Quinhentos em Saint-Cloud -  Jacques Sablet

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