sábado, 3 de dezembro de 2016

03 de Dezembro de 1886: O Teatro Folies Bergère estreia um novo tipo de espetáculo na noite parisiense

Anteriormente um teatro para operetas, pantomima, reuniões políticas e vaudeville, a Folies Bergère estreia em Paris em 3 de Dezembro de 1886 um espetáculo de revista (género popular de teatro musical) bem elaborado apresentando mulheres com figurinos sensacionais. A moda, a partir de 1830, era baptizar as salas de espetáculo com o nome de “Folies” (loucuras) seguido do nome do quarteirão ou de uma rua próxima de onde se localizavam.

O "Folies" foi o primeiro local de entretenimento nocturno de Paris. O teatro não se preocupava com as despesas, levando ao palco revistas que apresentavam por vezes mais de 40 quadros, mil figurinos, empregando nos bastidores cerca de 200 pessoas.

Na verdade o Folies Bergère datava de 1869, quando abriu as portas como o primeiro grande “music hall” de Paris. Produzia óperas ligeiras e pantomimas com cantores desconhecidos que pouco depois experimentaram rotundo fracasso.

O maior sucesso veio em 1870 quando o Folies Bergère levou à cena espetáculos de vaudeville. Entre outros números, os primeiros shows de vaudeville apresentavam acrobatas, encantadores de serpente, um canguru boxeador, elefantes amestrados, o homem mais alto do mundo, além de um príncipe grego com o seu corpo totalmente coberto por tatuagens supostamente como punição por ter tentado seduzir a filha do xá da Pérsia.

Era permitido que o público bebesse e se encontrasse nos jardins internos e áreas de passeio do teatro. O Folies Bergère tornou-se sinónimo das tentações eróticas da capital francesa. Famosos pintores como Édouard Manet e Henri de Toulouse-Lautrec tinham lugar cativo no Folies.

Em 1886, o Folies Bergère passou a ter uma nova direcção e, em 3 de Dezembro levaram à cena a primeira revista musical. O quadro "Place aux Jeunes," apresentando lindas coristas com trajes sumários, conquistou um tremendo sucesso. As mulheres do Folies apresentavam-se cada vez com menos roupa, à medida que se aproximava o século XX. Os figurinos e os sketches tornaram-se mais e mais audaciosos. Entre os artistas que marcaram o início das suas carreiras no Folies pode-se mencionar Yvette Guilbert, Maurice Chevalier e Mistinguett.

O Folies Bergère permaneceu envolto em sucesso internacional até meados do século XX iniciando um leve porém persistente declínio. No entanto, pode até hoje ser visitado em Paris, apesar de ser local cedido também para shows e concertos de outros artistas e empresários.
Todavia, o Folies Bergère mantém uma tradição que remonta há mais de um século: o título do espetáculo contém sempre treze letras e deve incluir a palavra “Folie”.

Fontes: Opera Mundi
wikipedia (imagens)



Bar no Folies Bergere por Edouard Manet 

O Arco-íris - Jules Cheret



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