domingo, 4 de dezembro de 2016

04 de Dezembro de 1679: Morre o filósofo Thomas Hobbes, autor de "Leviatã"

Thomas Hobbes, filósofo inglês muito influente na sua época, nasceu a 5 Abril de 1588 em Hardwick Hall. Estudou os conceitos do estado da natureza, do pacto de submissão e do contrato social.

Publicou em 1651 a sua obra principal, “Leviatã”, que lhe valeu a acusação de ateísmo e a hostilidade da Igreja. Nela expôs que as pessoas são naturalmente perversas e não seriam confiáveis em governar. Por isso, acreditava que uma monarquia absoluta era a melhor forma de governo.

Thomas Hobbes formou-se na Universidade de Oxford onde estudou os clássicos. Viajou para outros países europeus diversas vezes a fim de se encontrar com cientistas e estudar diferentes formas de governo. Verificou que a filosofia de Aristóteles estava a perder influência devido às descobertas de Galileu e Kepler, que formularam as leis do movimento planetário.

Interessou-se na razão pela qual os povos  permitem serem governados e qual seria a melhor forma de governo para a Inglaterra. Durante uma terceira viagem ao continente encontrou-se com o matemático e físico Marin Mersenne e, depois, com Galileu e Descartes. Descobriu os "Elementos", de Euclides, e a geometria, que o ajudaram a clarear as suas ideias sobre a filosofia.

Em 1650, publicou "Os Elementos da Lei", em duas partes, a "Natureza Humana" e o "Do Corpo Político". Com a ideia de que a causa de tudo está na diversidade do movimento, escreveu no seu primeiro livro filosófico, "Uma Curta Abordagem a Respeito dos Primeiros Princípios" e começou a planear a sua trilogia: "De Corpore", demonstrando que os fenómenos físicos são explicáveis em termos de movimento (publicado em 1655); "De Homine", tratando especificamente do movimento envolvido no conhecimento e apetite humano, (1658); e "De Cive", a respeito da organização social, que seria publicado em 1642.

Hobbes acreditava que os homens eram basicamente criaturas egoístas que fariam de tudo para melhorar sua posição particular. Deixados à solta, agiriam por impulsos perversos. Sentia que também as nações eram movidas por sentimento egoístas, pois cada uma vivia numa constante batalha por poder e riqueza.

Segundo Hobbes, os governos eram criados para proteger as pessoas do seu próprio egoísmo e maldade. O melhor governo seria aquele que tivesse o poder do Leviatã, o monstro marinho. Acreditava no governo de um rei porque sentia que um país necessitava de uma figura autoritária para exercer liderança.

Por julgar que o povo estaria interessado somente em promover os próprios interesses, a noção de permitir que os cidadãos elegessem seus governantes jamais funcionaria. Em consequência, conferir poder ao indivíduo criaria uma situação perigosa que daria início a uma “guerra de todos contra todos” e levaria a uma vida “solitária, pobre, desagradável, estúpida e curta”.

Apesar da sua descrença na democracia, Hobbes acreditava que um grupo distinto de representantes pudesse apresentar os problemas comuns das pessoas e evitar que o rei fosse cruel ou injusto. À época, os negócios começaram a ter uma grande influência sobre o governo. Àqueles que contribuíam com dinheiro ao governo era dado um estatuto especial.


A fim de contrabalançar o crescente poder dos negócios, Hobbes defendia que um indivíduo poderia indicar um representante que falaria ao governo em seu favor. Chamou a isto de a “voz do povo” que significava que uma pessoa poderia ser escolhida como representante de um grupo com os mesmos pontos de vista. Mas a decisão final estaria sempre com o rei.

Com a restauração da monarquia inglesa, em 1660, Hobbes voltou a ser admitido na corte. Seis anos depois, sentiu-se ameaçado, devido à tentativa de aprovação no Parlamento de uma lei contra o ateísmo, com base na análise do "O Leviatã". A lei não foi aprovada, mas Hobbes nunca mais pôde publicar algo sobre a conduta humana.
Fontes: Opera Mundi
wikipedia (imagens)
File:Thomas Hobbes (portrait).jpg
Capa da edição original do Leviatã (1651)

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