terça-feira, 6 de dezembro de 2016

06 de Dezembro de 1383: D. João, Mestre de Aviz, apunhala o Conde de Andeiro

João Fernandes de Andeiro, 2.º Conde de Ourém, foi um fidalgo galego natural da Corunha . Apoiou o rei D. Fernando  quando este invadiu a Galiza, desejoso de alcançar o trono de Castela, e sendo a sorte adversa ao monarca português, parte para Inglaterra, onde se torna um homem de confiança de Duque de Lencastre.
Em Julho de 1372, tendo voltado de Inglaterra na companhia de um outro embaixador do Duque, o escudeiro Roger Hoor, encontra-se com D. Fernando perto de Braga . Deste encontro resultou o tratado de Tagilde.
No decurso das suas subsequentes viagens a Portugal, que passam a ser feitas em segredo a partir de 1373, apaixona-se por D. Leonor Teles, e teve com ela um romance quando o rei português já se encontrava muito doente e se começava a colocar o grave problema da sucessão (Crise de 1383-1385), em que a rainha viria a apoiar o lado castelhano e a sua filha, D. Beatriz. Os seus amores com a rainha e a sua ligação ao Partido Castelhano explicam o seu assassinato no dia 6 de Dezembro de 1383 pelo Mestre de Avis, que chefiava uma das facções na sucessão ao trono.
Embora o Mestre de Avis tenha ferido de morte João Fernandes de Andeiro, este só acabou por morrer após a estocada de Rui Pereira.

"O pagem do Mestre começou a ir a galope em cima do cavalo em que estava, dizendo altas vozes:
- Matam o Mestre! Matam o mestre nos paços da rainha. Acorrei ao Mestre que o matam.
[...] As gentes que isto ouviram, saíram à rua a ver que cousa era [...] e começavam de tomar armas, cada um como melhor podia. A gente era tanta que não cabiam pelas ruas principais e atravessavam lugares escusos, desejando cada um ser o primeiro. E perguntando uns aos outros quem matava o Mestre [...] Unidos num só desejo foram às portas do paço que estavam já fechadas e começaram a dizer:
- Onde mataram o Mestre? Que é do Mestre? Quem fechou estas portas?
De cima não faltava quem dissesse que o Mestre era vivo e o conde de Andeiro morto. Mas isto não queria nenhum crer, dizendo:
- Pois se é vivo, mostrai-no-lo e vê-lo-emos!
[...] Ali se mostrou o Mestre a uma grande janela que vinha sobre a rua e disse:
- Amigos: pacificai-vos, porque eu vivo e são estou, graças a Deus!


Fernão Lopes, "Crónica de D. João I"
(Adaptado)
wikipedia (Imagem)


Ficheiro:Morte do Conde Andeiro.jpg
Morte do Conde Andeiro -Museu Nacional Soares dos Reis
D. João I

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