sábado, 31 de dezembro de 2016

31 de Dezembro de 1877: Morre o pintor francês Gustave Courbet, mestre do realismo

Gustave Courbet, pintor, máximo representante do Realismo francês, morre em La Tour-du-Peilz, em 31 de Dezembro de 1877, devido a uma cirrose hepática, produto do consumo abusivo de bebidas alcoólicas. Para além das artes, era um comprometido activista democrático, republicano e muito próximo dos ideais do socialismo revolucionário.

Foi encarregado da administração dos museus da capital francesa durante a Comuna de Paris. Derrotada a Comuna, foi responsabilizado pelo governo no poder pela destruição da Coluna Vendôme, dedicada a Napoleão Bonaparte, sendo condenado a seis meses de prisão e a pagar uma multa de 300 mil francos. Depois de cumprida a sentença, Courbet  foge para a Suíça em 1873, evadindo-se do pagamento da multa, que era tão alta que só poderia ser paga em 30 anos.
Nasceu em 10 de Junho de 1819 numa localidade perto de Besançon, cuja paisagem reflectiu nas suas obras. Estudou na cidade e, em seguida, em Paris (1840). Os seus pais desejavam que empreendesse a carreira de Direito, porém ao chegar à capital inclinou-se inteiramente pela arte.

Como ele, as suas amizades eram contrárias ao academicismo artístico e literário; entre eles contam-se Baudelaire, Corot e Daumier. A partir da Revolução de 1848, Courbet foi marcado como "revolucionário perigoso".


Em 1845, expôs algumas das suas obras no Palácio das Artes da Exposição Universal de Paris, porém ao ver a rejeição do júri a alguns dos seus quadros decidiu inaugurar uma exposição individual localizada nas proximidades do Campo de Marte, baptizada de “Pavilhão do Realismo”. Entre as telas que exibiu cabe mencionar “O Atelier do Pintor”, em que retratava todas as pessoas que haviam exercido certa influência na sua vida.

Tinha fama de arrogante e sensacionalista. Afirmava que “se deixo de escandalizar, deixo de existir”. Alguns  acusavam-no de provocar escândalos somente para entreter as classes intelectuais e que, na realidade, a sua arte se mantinha fiel a um certo refinamento formal. No entanto, outras vozes, como Delacroix lamentavam que Courbet desperdiçasse a sua habilidade ao eleger temas sem um conteúdo elevado e de não depurar as suas telas de muitos detalhes desnecessários.

Apesar das polémicas, ele chegou a desfrutar de êxitos. Foi-lhe outorgada a medalha da Legião de Honra, que rejeitou. Afirmava que queria morrer “como homem livre, sem depender de nenhum poder nem religião”, se bem que concordou em participar do breve governo da Comuna de Paris de 1871. Dele, o filósofo Proudhon, pai do anarquismo, quis fazer um pintor proletário. Acreditava que a arte poderia sanar as contradições sociais. Admitia o seu compromisso com o socialismo e com o realismo quando afirmava: “Aceito com muito gosto esta denominação. Não somente sou socialista como também sou republicano. Numa palavra, partidário de qualquer revolução e, acima de tudo, um realista (…) realista significando sincero com a verdadeira verdade”.

Num primeiro momento, Courbet pintou paisagens, especialmente os bosques de Fontainebleau e retratos com alguns rasgos românticos. Todavia, a partir de 1849, torna-se decididamente realista. Foi de facto o “fundador” do realismo e a ele se atribuí a invenção de tal termo aplicado à pintura.

A sua técnica era rigorosa com o pincel plano e com a espátula, porém a sua maior inovação é a selecção de temas do dia a dia como motivos dignos dos grandes formatos, que até então eram reservados a “temas elevados”: religiosos, históricos, mitológicos e retratos de personalidades das classes abastadas. Reivindicava a honestidade e a capacidade de sacrifício do proletariado e afirmava que a arte devia estampar a realidade.
Courbet participou da Revolução de 1848, embora não intervindo em feitos sangrentos. A partir de 1849 torna-se realista. Rejeitaria a idealização da arte e a beleza arquetípica, nega-se a criar um mundo ideal à margem da vida.
Em 1867 expõe novamente na Exposição Universal de Paris. Influi e aconselha os primeiros impressionistas. A sua pintura reflete o trabalho e o trabalhador como novo herói, a vida ao ar livre, a cidade com as suas ruas, cafés e casas de dança, a mulher e a morte. Acreditava que a arte poderia resolver as contradições sociais. A sua pintura suscitou enormes polémicas de sectores conservadores da arte e da sociedade em virtude da selecção de “temas vulgares”.


O naturalismo combativo ficou patente nos seus nus femininos, em que evitava as texturas mascaradas e irreais tomadas da pintura e da escultura neoclássica. Reproduz formas mais carnais, que habitualmente eram omitidas nos nus académicos. Exemplo claro é a famosa tela “A Origem do Mundo”.

As suas referências foram os mestres do passado como Velazquez, Zurbarán ou Rembrandt.O seu realismo  converteu-se em modelo de expressão de muitos pintores, contribuindo, por exemplo, para o enriquecimento da obra do mestre Paul Cézanne.

Fontes: Opera Mundi
wikipedia (imagens)


Auto - retrato - Gustave Courbet
Gustave Courbert retratado por Nadar


 Enterro em Ornans -  Gustave Courbet

File:Gustave Courbet - A Burial at Ornans - Google Art Project 2.jpg

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