quinta-feira, 5 de janeiro de 2017

05 de Janeiro de 1875: É inaugurada a Ópera de Paris, do arquitecto Charles Garnier

No dia 5 de Janeiro de 1875 teve lugar a apresentação inaugural da Ópera de Paris, na presença do então presidente da República, marechal Mac-Mahon, da rainha-mãe da Espanha e do lorde-prefeito de Londres, bem como de cerca de 2500 espectadores convidados.
O arquitecto do teatro, Charles Garnier, não havia sido convidado e teve de pagar a entrada. Não foi menos aclamado pelo público quando o seu nome foi anunciado.
A Opera-Garnier era a 13ª sala de ópera construída em Paris depois da fundação dessa instituição por Luis XIV em 1669. Em 1781 fora construída rapidamente a sala da Porte-Saint-Martin. Em seguida, veio a sala Montansier em 1794, na rua da Lei.
Pela primeira vez, nesta sala, os espectadores poderiam assistir sentados.
No caso da Ópera de Paris, o seu projecto surgiu a partir de um concurso de arquitectura, algo inédito até então. Entre as 171 propostas em competição, o favorito era aquele de Eugène Viollet-le-Duc, protegido da imperatriz Eugénia. Contra toda a expectativa, é o projecto de Charles Garnier, um desconhecido arquitecto de 35 anos, que conquista os votos do júri presidido pelo príncipe.
Segundo as suas próprias palavras, o arquitecto lionês pretendeu conceber um “monumento à arte, ao luxo e ao prazer”. À imperatriz, que lhe perguntou de que estilo se tratava, respondeu: “Ora ...de Napoleão III, Madame!”.
A sua obra, conhecida como Opéra-Garnier ou Palais Garnier, permanece como o principal representante do estilo arquitectónico Napoleão III, barroco e fantasioso, à imagem do modo de vida alegre e festivo da alta sociedade do Segundo Império.
Podem-se encontrar elementos arquitectónicos desse estilo em edificações posteriores à Terceira República, como o Grand e o Petit Palais. Esse estilo  relaciona-se com uma corrente artística em voga em toda a Europa: o historicismo, porquanto toma emprestado estilos variados do passado.
A construção da nova sala teve início em 1860 e esteve a cargo do barão Georges-Eugène Haussmann, prefeito de Paris. Teve de se defrontar com numerosos obstáculos, a começar pela presença de um lençol de água subterrâneo sobre o qual o arquitecto teve de fincar as fundações do imóvel. Esta reserva de água iria servir mais tarde de fundo ao romance de Gustave Leroux, “O Fantasma da Ópera”.
Com 100 metros de largura e 60 de altura, a fachada conta com sete arcadas monumentais ornadas com esculturas alegóricas como “A Música” e a “Dança" de Jean-Baptiste Carpeaux. A cúpula é rodeada por conjuntos esculturais espetaculares. No interior, é de se admirar sobretudo a grande escadaria de honra e as suas trinta colunas monolíticas em mármore.
A sala de espetáculos em vermelho e dourado pode acolher 2.130 espectadores com  camarotes e balcões em semi-círculo em torno de um palco à italiana. O tecto foi decorado em 1965 pelo pintor Marc Chagall, a pedido do Ministro da Cultura, André Malraux.
Na década de 80 do século XX, o Palais Garnier deixou de apresentar óperas  que passaram para a Ópera-Bastille, construída por Carlos Ott. A Ópera-Garnier tornou-se oficialmente o Palácio da Dança.
wikipedia(imagens)

Ficheiro:The Opera House, Paris, France ca. 1890-1900.jpg
A Ópera Garnier em 1900
File:Paris Opera full frontal architecture, May 2009.jpg
O edifício na actualidade
File:Paris - Inaugurition de l'Opéra 1875.jpg
A inauguração da Ópera Garnier em 1875

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