terça-feira, 17 de janeiro de 2017

17 de Janeiro de 395: Morte do Imperador Teodósio marca a partilha definitiva do Império Romano

A morte do imperador romano Teodósio I no dia 17 de Janeiro de 395 marca a partilha definitiva do Império Romano. A seu filho Arcádio, de 18 anos, o imperador lega o Oriente, com capital em Constantinopla, e ao seu filho Honório, de 11 anos, o Ocidente, com capital em Ravena. Esta cisão pode ainda hoje ser vista na fronteira que separa a Croácia, ocidental e católica, da Sérvia e da Bósnia, oriental e ortodoxa.

A história do século V está marcada pelo fim da unidade imperial do Império Romano. O Império Romano do Ocidente entra em longo período de agonia antes do seu desaparecimento, inevitável depois das invasões bárbaras. O Império Romano do Oriente entra numa fase de mutação que o converteria em Império Bizantino.

A morte de Teodósio deu lugar a uma dessas datas que marcaram a história do Ocidente, inclusive a história de toda a Europa. Não se pode perder de vista que geograficamente o Império Romano ia desde a Península Ibérica até à Arménia.

As diversas lendas sobre a decadência de Roma costumam mascarar a realidade. As invasões bárbaras já haviam começado século e meio antes e a ascensão da Igreja Católica ao poder além da nomeação de bárbaros para a chefia de Estado prenunciavam o fim do império. A guerra de Teodósio contra Arbogastes mostrava à sociedade que o poder imperial já não infundia o mesmo temor de antes.

Teodósio havia previsto que com sua norte o império se dividiria em dois. Partia da constatação realista de um facto: diante da aguda crise, uma só entidade seria ingovernável, em especial porque os filhos do imperador eram ainda jovens e sem experiência. Decide então criar dois impérios de dimensões similares, o Império do Oriente a ser governado por seu filho Arcaádio e o do Ocidente por Flávio Honório, um menino.

Todavia, o que mudava, acima de tudo, era a eleição do regente. Tratava-se do general, Estílicon, marido de Serena, sobrinha de Teodósio. A escolha é sensata porque Estílicon, embora ambicioso, era um homem competente. Se bem que fosse desde 385 cidadão romano, era de origem vândala. Na corte, isto representava uma afronta a toda uma classe aristocrata e conservadora. No entanto, a evidência mostrava que os mais capazes para administrar o império eram os bárbaros.

 Na corte do Oriente, o império era administrado por Rufino. Nascido na Aquitânia de origem obscura, este sexagenário, católico, inteligente e eloquente, mostrava-se ambicioso. Apreciado por Teodósio e favorito do jovem Arcádio desde 394, chega de uma maneira quase natural aos mais altos cargos. Porém outro personagem, muito mais obscuro, faria estragos na corte. Tratava-se de Eutrópio, um eunuco, ex-escravo, nascido na Arménia e que fora recrutado por Teodósio.
Rufino, por seu lado, torna impossível a vida dos visigodos aos quais havia vencido em Tesália na Primavera de 395, evitando ao mesmo tempo que Estílicon se apoderasse de Ilírico, zona na costa do Mar Adriático, a norte da Macedónia. Eutrópio não quis ficar para trás e em 27 de Abril, aproveitando-se da viagem de Rufino à Síria, casa Arcádio com Eudóxia, filha do notável franco, Flávio Bauto. Esta jovem, apreciada pela sua beleza e jovialidade, encanta o imperador, o que tranquiliza Eutrópio.

Momentaneamente aliado de Estílicón, Eutrópio prepara a eliminação de Rufino. Em Novembro de 395, sugere a Arcádio organizar um desfile das tropas com a finalidade de cumprimentar os homens do general godo Gainas os quais, não obstante, tinham acabado de saquear Olímpia. Rufino é convidado e, colhido numa armadilha, é apunhalado diante do imperador em 27 de Novembro de 395.

Uma vez no poder e cada vez mais audacioso e cruel, o  eunuco Eutrópio, humilha e desonra os oficiais e funcionarios a seu bel prazer. Pior ainda, vende os cargos públicos, cria e suprime empregos  e  comporta-se como um verdadeiro tirano. À sombra dele, Arcádio, homem enfermiço e insignificante, desaparece pouco a pouco. Eutrópio chega inclusive a exilar  o seu antigo protector,  Abundâncio, e depois despoja dos seus bens a Timas, um general influente e famoso, quem é enviado ao Egipto, onde morreria na miséria.

 
Em 398, Eutrópio é nomeado fidalgo e patrício e no ano seguinte, cônsul. Começa então a inspirar medo em todos os cortesãos. Temido, manda erigir estátuas em sua honra.

Na Primavera, Gainas arrasa os arredores de Constantinopla. Em Julho de 399, é nomeado Aureliano, um prefeito do pretório hostil a Eutrópio. Uma vez capturado, Eutrópio é desterrado para Chipre, onde volta a ser preso. Levado à Calcedónia, em Bitínia, é julgado e decapitado.

Fontes: Opera Mundi
wikipedia (imagens)

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Arcádio
Honorius steel engraving.jpg
Flávio Honório
Divisão do Império após a morte de Teodósio

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