quinta-feira, 2 de fevereiro de 2017

02 de Fevereiro de 962: Nasce o Sacro Império Romano-Germânico

No dia 2 de Fevereiro de 962, Otão I, o Grande, rei da Germânia, dos francos, dos lombardos e de Pavia, recebeu em Roma a coroa imperial das mãos do papa João XII. A coroação marca o nascimento de um poderoso império, conhecido como Sacro Império Romano-Germânico - na verdade, denominação adoptada séculos mais tarde. Otão I confirma a sua supremacia em relação ao pontífice, colocado desde então sob a sua tutela. Dali em diante, nenhum outro papa poderia ser eleito sem prestar juramento ao imperador. 


Em perigo diante das famílias da aristocracia romana, os Estados Pontifícios precisaram de contar com ajuda externa. Otão I da Germânia foi em socorro em troca de ser coroado "imperador dos romanos". Desde então os Estados Pontifícios ficaram uma vez mais sob a protecção imperial. Otão I passou a ser o primeiro soberano do império, cujo território abarcava a Germânia e a Itália – hoje, Alemanha, Itália, Suíça, Áustria, Liechtenstein, República Checa, Eslovénia, Holanda, Bélgica e Luxemburgo. 


Otão I tentou intervir na Igreja para controlar os grão-duques. Fundou dioceses e abadias, e os seus titulares recebiam dele tanto o poder religioso (anel e cruz) quanto o político. Nasceu assim um processo de controlo da Igreja sobre o poder do Estado. Estes senhores religiosos eram o sustentáculo do império, pois forneciam a maior parte dos guerreiros e dos impostos. 

As consequências da intervenção política na Igreja não demoraram. Abades e bispos alemães levavam a vida mundana e influenciaram monges e padres. A devassidão levou o nome de "nicolaísmo": desrespeito aos bons costumes, violação do celibato, vício da bebida e do jogo e o comércio ilícito de bens espirituais (simonia). 


O poder político da Igreja Católica consolidou-se ao longo da Idade Média, paralelamente ao declínio da noção de Estado trazido pelo fim do Império Romano. No vácuo gerado pela pulverização do poder político, cada vez mais fragmentado pelas relações de vassalagem, a Igreja assumiu um papel centralizador na vida europeia. Um dos factos que marcaram essa importância católica na vida política foi a coroação de Carlos Magno como imperador, no ano de 800. 


Numa Europa quase integralmente cristã, o título de imperador pressupunha um poder sobre a cristandade. A ideia vigente na época era de que havia um único poder, o poder de Deus, manifestando-se em termos espirituais no papado que legava ao imperador os assuntos temporais.
O poder papal mantinha mais força na região germânica. O título de imperador, ali, não era dinástico - ou seja, não passava de pai para filho. Os duques da Saxónia, Francónia, Suábia e Baviera elegiam um deles para ocupar o trono. Essa formação monárquica electiva, visava à aliança dos grandes senhores feudais alemães, principalmente em caso de guerra contra invasores. O imperador representava todos, sendo que cada nobre mantinha o poder feudal sobre os seus territórios. A configuração do eleitorado variou até o ano de 1356, quando a Bula Dourada fixou os sete eleitores, mantidos até ao final do império, estabelecendo ainda funções para cada um dos chamados "príncipes eleitores". 
O Sacro Império Romano-Germânico só desapareceria quase um milénio depois, em 1806, sob a pressão de Napoleão Bonaparte. 

Fontes: Opera Mundi
wikipedia (imagens)

Otão I aceita a rendição de Berengário de Ivrea
Die deutschen Kaiser Otto der Große.jpg
Otão I, o Grande
Sacro Império Romano-Germânico quando da morte de Otão I.

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