segunda-feira, 20 de fevereiro de 2017

20 de Fevereiro de 1811: Napoleão impede o escritor Chateaubriand de discursar ao tomar posse na Academia Francesa

No dia  20 de Fevereiro de 1811, o escritor François-René de Chateaubriand, considerado o pai do romantismo francês, foi eleito para a Academia Francesa, porém foi proibido por Napoleão Bonaparte de pronunciar diante dos seus pares o discurso de posse — um elogio à liberdade e um ataque à revolução.
A ameaça de prisão do imperador Napoleão chegou a Chateaubriand através do duque de Rovigo. O escritor acreditava poder manter a sua independência; no entanto, as diversas menções às liberdades contidas no seu discurso colocavam a Academia em situação delicada. Nele, Chateaubriand criticava as ideais do seu predecessor, reprovava o regicídio e exaltava a liberdade. O texto foi submetido à apreciação do imperador que simplesmente proibiu a leitura da peça.
Chateaubriand foi exilado em Dieppe e só ocupou a sua cadeira na Academia sob a Restauração. Nomeado por Luis XVIII embaixador na Suécia em 1814, foi impedido, com o retorno de Napoleão, de assumir o posto.
Orador político, Chateaubriand exerceu influência considerável sobre a literatura francesa no começo do século XIX, tendo sido o primeiro escritor do romantismo. 
Chateaubriand nasceu em 4 de Setembro de 1768, em Saint-Malo, na costa setentrional do país. Oriundo de uma família aristocrática, passou a infância no castelo ancestral de Combourg. Sentia desde muito cedo a vocação eclesiástica, no entanto decidiu tentar a sorte fazendo carreira na Marinha, seguindo o exemplo de alguns dos seus antepassados. Por volta de 1786, já era subtenente e, pouco depois, teve a honra de ser apresentado ao então rei da França, Luís XVI, pelo que passou a frequentar a corte de Paris.
A vida sumptuosa foi interrompida pela eclosão da Revolução Francesa em 1789. Embora tivesse compactuado a princípio com os revolucionários, logo se desiludiu, ao testemunhar os horríveis massacres perpetrados contra a nobreza. Decidiu partir em busca de aventura na América do Norte em 1791, regressando a Saint-Malo apenas no ano seguinte, fascinado pela natureza ainda intacta do Mississipi e pela beleza imponente das cataratas do Niágara.
Não muito tempo depois, voltou a  sentir-se descontente com o rumo que a França tomava, decidindo juntar-se ao Exército contra revolucionário estacionado na Alemanha. A tentativa de restauração da monarquia fracassou em 1793, depois do cerco de Thionville, de onde Chateaubriand saiu ferido. Procurou então refúgio em Inglaterra, lá permanecendo cerca de 7 anos.
De novo na França em 1800, sofreu enorme desgosto ao ter notícias da morte da mãe e da irmã, e tornou a abraçar a fé católica. No ano seguinte publicou o seu primeiro livro, um romance intitulado Atalá, em que contava a história dos amores entre um índio e uma virgem cristã algures no território da Luisiana. Em 1802, apareceu a sua obra mais conhecida, O Génio do Cristianismo ou As Belezas da Religião Cristã, obra em que procurava reavivar o interesse pelo catolicismo, traduzido para o português por Camilo Castelo Branco.
Imiscuíndo-se novamente na política, pôs-se a serviço de Napoleão Bonaparte o qual, em 1803, o nomeou embaixador francês em Roma. Demitiu-se logo no ano seguinte, após o assassinato do Duque de Enghien. Distanciando-se assim de Napoleão, zarpou de viagem em 1806, desta feita rumo ao Oriente, visitando lugares tão longínquos como a Grécia, a Turquia, o Egipto e a África do Norte, em busca dos lugares onde a fé cristã começara. Em resultado desta sua experiência publicou Os Mártires ou O Triunfo da Religião Cristã (1809).
Fontes: Opera Mundi
wikipedia (imagens)


 

 François-René de Chateaubriand por Anne-Louis Girodet de Roussy-Trioson
François-René de Chateaubriand by Anne-Louis Girodet de Roucy Trioson.jpg

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