terça-feira, 21 de fevereiro de 2017

21 de Fevereiro de 1513: Morre o papa Júlio II, " O Terrível", destacado mecenas renascentista

Nascido Giuliano Della Rovere, morre em 21 de Fevereiro de 1513 o papa Júlio II, pouco após a abertura do Concílio de Latrão V, convocado por ele. Durante o seu período como chefe da Igreja Católica, o papa apelidado de "O Terrível" empenhou-se em anexar territórios pontificais, contratou artistas de renome, como Miguel Ângelo e Rafael, e até criou a sua própria moeda.
Graças ao apoio do seu tio Francesco della Rovere, papa em 1471 sob o nome de Sisto IV e quem confiou a Miguel Ângelo a incumbência de decorar a magnífica capela que levou seu nome — Capela Sistina — , Giuliano Della Rovere começou a sua caminhada para a trono de São Pedro: foi nomeado cardeal em 15 de Dezembro de 1471 aos 28 anos e bispo de Avinhão em 1474. Tendo constituído um imenso património, usa-o para criar uma influente rede. Diplomata hábil, estabelece vínculos com o rei da França Luís XI assim como com o imperador Maximiliano I, tendo em vista alcançar a tiara pontifical.
Não rejeita os prazeres profanos como o atesta o nascimento de diversos bastardos. Todavia, muito pouco atraído pelo luxo, denuncia o nepotismo de Alexandre IV Borgia, o que o obrigou a esperar a morte dele para voltar a Roma e preparar a sua eleição. E ela ocorre em 1 de Novembro de 1503, após o breve pontificado de Pio III, papa por apenas 25 dias.
O novo papa já tinha, à época, 60 anos. Notadamente mais apaixonado pelos combates do que pelas belas palavras; mais à vontade numa armadura do que sob a mitra; homem de acção, combatente até à alma, Giuliano iria  comportar-se como soberano temporal. A escolha do nome Júlio, que remete a Júlio César, era em si todo um programa.
Preocupado em consolidar os Estados Pontifícios, reanexa, à frente do seu exército, a partir de 1504, a Romagna e outras possessões de César Borgia.  As suas excursões  valem a admiração de Maquiavel e o apelido de "O Terrível".
Não tardou, porém, a  ferir-se em Veneza. A ‘Sereníssima República’ pretendia estender as suas possessões de Terra Firma e conquistar a Emilia-Romagna. Em 10 de Dezembro de 1508, o papa Júlio II constitui contra ela a Liga de Cambrai, com o rei da França Luís XII, o imperador da Alemanha Maximiliano I, Fernando o Católico da Espanha e a Saboia.

Num dado momento, o papa volta-se contra os seus aliados e faz a paz em separado com a ‘Sereníssima’, tentando expulsar da Itália os "Bárbaros do Norte" — os franceses. Num acto de protesto, resolve deixar a barba crescer, jurando jamais cortá-la até que a Itália seja libertada.
Júlio II, muito pouco interessado nos dogmas e na reforma da Igreja, vale-se das riquezas da Santa Sé em benefício dos humanistas e dos artistas, pondo em prática os conselhos do seu contemporâneo Maquiavel: "Todo o bom príncipe deve mostrar-se amante das virtudes, oferecendo hospitalidade aos homens virtuosos e homenageando aqueles que se excedem numa determinada arte".
Faz importantes encomendas aos principais génios do seu tempo: Migule Ângelo, Rafael ou ainda Bramante. Abre novas artérias em Roma, entre as quais a Via Giulia. Empreende também em 1506 a construção da Basílica de São Pedro, um canteiro de obras de mais de 20 anos, sob a condução de Bramante.
A Miguel Ângelo confia, além da decoração da Capela Sistina, a realização do seu próprio túmulo na igreja de São Pedro em Vincolo. Esse túmulo permaneceria inacabado, reduzido a uma escultura monumental de Moisés. A Rafael confia a decoração dos seus apartamentos.
Essas obras, bem como o mecenato, além das despesas militares, acabaram por engolir as receitas da Santa Sé. Para remediar a situação, Júlio II multiplica a venda de benefícios eclesiásticos, as isenções e as indulgências — uma redução do tempo no purgatório prometido aos generosos fiéis após sua morte.
Quanto às empresas financeiras, ele vale-se dos prudentes conselhos de seu fiel banqueiro Agostino Chigi, que o leva até a criar a sua própria moeda, o giulio.
Estas medidas, continuadas pelo seu sucessor Leão X (João de Médicis) iriam escandalizar os fiéis, notadamente na Alemanha, e contribuir para a reforma luterana.
O papa sempre evitou aparecer com os seus filhos para escapar às maledicências que acompanharam o seu predecessor Alexandre VI. No entanto, preocupado em consolidar as suas ligações, casa sua filha Felice Della Rovere, nascida em 1483 da sua relação com uma jovem aristocrata romana, com o filho de uma grande família romana, Giordano Orsini.

Fontes: Opera Mundi
wikipedia (imagens)




 
Papa Júlio II - Rafael
Juliano ainda cardeal (esquerda) com o seu tio, o Papa Sisto IV


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