domingo, 19 de fevereiro de 2017

Mulheres na História (LXXXVIII) Madre Paula de Odivelas, a amante mais famosa de D. João V

Religiosa portuguesa, Paula Teresa da Silva e Almeida, a mais célebre amante do rei D. João V, nasceu no ano de 1701, em Lisboa. Neta de João Paulo de Bryt, antigo soldado da guarda estrangeira de Carlos V e, mais tarde ourives em Lisboa, Paula Teresa entra, aos 17 anos, para o convento de Odivelas. Depois de um ano de noviciado, aí professa.
Bela e jovem, rapidamente conquista o coração de D. João V, frequentador do convento de Odivelas. D. Francisco de Portugal e Castro, conde de Vimioso, que mantinha relações com Soror Paula, teve de a deixar a favor do soberano. Esta passa a ser sua amante, tornando-se Madre do Convento e passando a receber todas as atenções do rei e uma generosidade extensiva à sua família. Em Memorial do Convento, de José Saramago, o rei caracteriza Madre Paula como "flor de claustro perfumada de incenso, carne gloriosa" (editorial Caminho, pág. 158). Odivelas era um local frequentado pela nobreza da corte na época em que Paula se tornou freira. Em 1719, decorreu no mosteiro a festa do Desagravo do Santíssimo Sacramento, organizada pelo conde de Penaguião e por Francisco de Assis de Távora, na qual se ofereceu "um magnífico jantar a toda a nobreza que assistiu" à cerimónia. Ainda em 1719, no dia 23 de Outubro, decorreu em Odivelas, com a presença da Corte, a tourada comemorativa do casamento de D. Brás Baltasar da Silveira e D. Joana de Meneses (filha dos condes de Santiago). Não faltariam oportunidades para o Magnânimo  se deslocar a Odivelas.
D. João V mandou construir  para Madre Paula aposentos luxuosos, com tectos em talha dourada, onde era auxiliada por nove criadas. As camas eram de dossel, forradas com lâmina de prata e rodeadas de veludos vermelhos e dourados, e os jarros onde urinava eram de prata. Ao longo dos 10 anos que durou esta relação, o monarca atribuiu-lhe um rendimento anual de 1708$000 réis, mas apenas podia ir para Odivelas ter relações com a freira quando o médico do paço o autorizava. Das relações da Madre Paula com D. João V nasce, a 8 de setembro de 1720, o infante D. José, chamado um dos "Meninos de Palhavã" (por ter sido criado neste palácio, como D. António e D. Gaspar, filhos de outras amantes do rei), que se forma em Teologia pela Universidade de Coimbra e chega a inquisidor-mor em 1758.
Madre Paula viveu sumptuosamente, mesmo após a morte do rei. Faleceu com 67 anos, sendo sepultada na Casa do Capítulo do Convento de Odivelas.

Fontes: Infopédia
http://www.mosteirodeodivelas.org/
wikipédia (imagem)






Representação de Madre Paula de Odivelas enquanto Nossa Senhora em quadro votivo à Madre de Deus









3 comentários:

  1. Posso perguntar, por favor, onde está documentada a tourada citada no texto?
    Muito obrigado

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  2. O bordel da monarquia de início do sec. XVIII.

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