domingo, 12 de março de 2017

12 de Março de 1938: Hitler anuncia o "Anschluss", união entre Alemanha e Áustria

Em  12 de Março de 1938, Adolf Hitler anuncia o "Anschluss", a união entre a Alemanha e a Áustria, mas de facto, a anexação da Áustria à Alemanha nazi.
A união com a Alemanha havia sido um sonho dos social-democratas austríacos desde 1919. A ascensão de Hitler e o seu governo ditatorial tornam esse propósito menos atraente, apesar de ser uma situação irónica, uma vez que a união entre as duas nações era também um sonho de Hitler, austríaco de nascimento. Apesar do chanceler alemão não ter o pleno apoio dos social democratas austríacos, a ascensão de um partido de direita pró-nazi na Áustria em meados dos anos 1930, o Comité dos Sete, pavimentou o caminho para Hitler concretizar a sua jogada.  Em 12 de Fevereiro de 1938, o primeiro-ministro austríaco, Kurt Von Schuschnigg, intimidado por Hitler durante um encontro no refúgio do líder nazi em Berchtesgaden, nos Alpes Bávaros, concordou com uma maior presença dos nazis dentro da Áustria.
Von Schuschnigg, de 41 anos, era um homem de maneiras impecáveis, no velho estilo austríaco, e não era artificial para ele começar as conversações com referências à magnífica paisagem ou palavras agradáveis acerca da sala, palco de conferências importantes. 
Hitler, porém, era objectivo. ”Não nos reunimos aqui para falar da bonita vista ou do tempo”, disse. 
Para ele, a Áustria fazia de tudo para impedir uma política amigável. “A história inteira da Áustria é justamente um acto ininterrupto de alta traição. Semelhante paradoxo histórico deve agora ter fim. Neste momento. Posso dizer-lhe directamente, Herr Schuschnigg, que estou inteiramente decidido a pôr um fim a tudo isso. O Reich alemão é uma das grandes potências e ninguém levantará a voz se ele resolver os seus problemas fronteiriços”, afirmou.
Após uma hora de conversação, pontilhada por ameaças de Hitler, o chanceler nazi, dirigindo-se a ele rudemente e sempre pelo seu nome e não pelo seu título, como exigia a cortesia diplomática, concluiu asperamente que nada nem ninguém poderia frustrar suas decisões.
“A Itália? Estou de completo acordo com Mussolini. A Inglaterra? Esta não moverá um dedo pela Áustria. A França? A França poderia ter detido a Alemanha na Renânia e então teríamos de nos retirar. Mas agora é muito tarde para a França. Dou-lhe novamente pela última vez a oportunidade de chegar a um acordo, Herr Schuschnigg. Ou encontramos uma solução agora ou então os acontecimentos seguirão o seu curso. Pense a respeito, Herr Schuschnigg, pense bem. Posso apenas esperar até esta tarde”, afirmou.
Começavam neste momento as “quatro semanas de agonia”. No dia seguinte, Seiss-Inquart era nomeado Ministro da Segurança austríaco. Este ministro, o primeiro dos traidores, dirigiu-se apressadamente a Berlim para reunir-se com Hitler e receber as suas instruções. Foi decretada também uma amnistia aos prisioneiros nazis.
Schuschnigg esperava que a concordância com as exigências de Hitler evitasse a invasão alemã. Contudo, Hitler insistiu numa maior influência nos assuntos internos da Áustria, propondo até o aquartelamento de tropas do exército alemão no seu território. Schuschnigg denunciou o acordo assinado em Berchtesgaden, exigindo um plebiscito sobre a questão. Maquinações de Hitler e seus aliados internos na Áustria levaram ao cancelamento do plebiscito e à subsequente renúncia de Schuschnigg.
O presidente austríaco, Wilhelm Miklas, recusou-se a indicar um chanceler pró-nazi para substituí-lo. Em 12 de Março, tropas germânicas invadiram a Áustria. Hitler anunciou o Anschluss. O plebiscito anunciado teve lugar em 10 de Abril. Quer o plebiscito tenha sido manipulado ou o voto tenha sido resultado do terror que se disseminou com a determinação de Hitler, o Fuhrer colheu esmagadores 99,7% de aprovação para a união entre Alemanha e Áustria.
A Austria passou a ser então uma entidade sem nome absorvida pela Alemanha, ante a inacção e o silêncio dos seus aliados ocidentais. Pouco tardou para que os nazis iniciassem, com a sua típica prática policial, a perseguição aos inimigos e dissidentes políticos e às pessoas de ‘raça inferior’. 
Fontes: Opera Mundi
wikipedia (imagens)

Polícias alemã e autríaca desmontam um posto de fronteira
Cédula de votação de 10 de abril de 1938. O texto diz "Tu concordas com a reunificação da Áustria com o Império Germânico realizada em 13 de março, sob o führer Adolf Hitler?

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