segunda-feira, 27 de março de 2017

27 de Março de 1809: Invasões francesas. Começa a investida sobre a cidade do Porto pelo exército de Soult

Falhadas as tentativas de entrar em Portugal pelo Minho (13 de Fevereiro, em Vila Nova de Cerveira, e 16 do mesmo mês, em Caminha), o marechal Soult, que comandava os soldados de Napoleão, inflecte para o interior da Galiza, subindo o rio Minho até Orense, à procura de um local para mais facilmente entrar em Portugal. Acaba por encontrar na veiga de Chaves o melhor local para atacar Portugal, o que acontece a 10 de Março. Dando assim início à segunda invasão francesa.
Dois dias depois, conquistada que estava a cidade de Chaves, os franceses iniciam a marcha para o Porto, por Braga. A guarda avançada dos franceses derrota as forças portugueses em Salamonde, dia 16, e quatro dias depois voltam a ser derrotadas às portas de Braga, em Carvalho d'Este. Estava aberto o caminho para o Porto.
Obrigado a atravessar o rio Ave em Santo Tirso face à feroz defesa montada pelos portugueses na Trofa, Soult acampa em S. Mamede de Infesta, dia 26 de Março, à frente de 18 mil dos 25 mil com que iniciara a guerra em Portugal. Os sete mil de diferença respeitam a baixas e aos soldados que foi deixando pelo caminho a guarnecer as posições conquistadas.
Neste interim, o brigadeiro Silveira, comandante da divisão que defendia Trás-os-Montes, reocupou Chaves, aprisionando a guarnição francesa (dia 25).
Já com o inimigo à vista o Porto concluía as obras de defesa, de forma atabalhoada, embora com aparente imponência. A linha defensiva do Porto seria constituída por 20 mil homens (somente dois mil seriam tropas regulares) apoiada por 35 baterias dispostas num longo semicírculo que se estendia de Campanhã à Foz - Campanhã, Senhor do Padrão, Monte Cativo, Monte das Enfestadas, Cativo, Bonfim, Antas, Póvoa de Cima, Quinta dos Congregados, Lindo Vale, Lapa, Sério, Regado, Monte Pedral, Falperra, Prelada, Lordelo, Ramalde, Senhora da Luz, etc. - um total aproximado de 200 canhões.
O pior é que destas peças só cerca de 20 podiam fazer fogo. As outras serviam de sustentáculo de amarração de navios. Com isto terão querido os defensores imitar o estratagema engendrado pelo arcebispo D. Gonçalo Pereira, que, no reinado de D. Afonso V, simulara com velas de embarcações as muralhas da cidade, defendendo o Porto e sustendo os ímpetos atacantes do infante D. Pedro, como relata Duarte Nunes de Leão.
Só que os tempos eram outros e Soult não se deixou ir no engodo. Dia 29 dá-se o ataque final. A infantaria francesa entra pelas baterias de Aguardente, de Santo António (Regado) e de S. Francisco (Monte Pedral) e a cavalaria pela de S. Barnabé (Prelada) - olhando para o mapa da cidade, as posições atacadas situam-se mais ou menos ao centro da linha defensiva. Só o brigadeiro Vitória consegue manter por mais tempo a linha do Bonfim a Campanhã, e retirar com ordem, já na cidade o inimigo avançava por toda a parte, num ou noutro local travado por desesperadas resistências.
A população foge em direcção à Ribeira, na tentativa de passar a ponte das barcas que unia o Porto a Vila Nova de Gaia. É então quer se dá a tragédia. Segundo uns, a ponte não aguentou o peso de centenas e cedeu; segundo outros (talvez o mais provável), as autoridades mandaram abrir os alçapões existentes na ponte para retardar o avanço francês. A onda de fugitivos não se apercebeu da armadilha e impelia os dianteiros para o buraco e para as águas do rio. De Gaia, os portugueses faziam fogo sobre os franceses. No meio, estava a população indefesa... Não se sabe ao certo quantos terão morrido afogados, mas há muitas dúvidas quanto ao número de quatro a cinco mil vítimas apontadas em alguns relatos.
Vencida a resistência, seguiram-se três dias de saques, até que Soult põe travão aos seus soldados e estabelece a ordem na cidade. Entre 29 de Março e 11 de Maio instala-se no Palácio dos Carrancas - actual Museu Nacional Soares dos Reis -, demorando em cumprir as ordens de Napoleão, que o queria em Lisboa em Fevereiro. Com o apoio do jornal "Diário do Porto" prepara abaixo-assinados para pedir ao imperador o título de rei do Norte e assume-se protector da cidade.
Fora do Porto os franceses vão sofrendo revezes sucessivos. A cavalaria de Caulaincourt, que ocupara Penafiel, é rechaçada na ponte de Canaveses (31 de Março); Botelho de Sousa reocupa Braga (5 de Abril), Silveira ataca e reocupa Penafiel (dia 13); o mesmo Silveira (de 18 de Abril a 2 de Maio) defende a ponte de Amarante do ataque francês comandado por Loison (o "maneta"), obriga Caulaincourt a retirar de Vila Real (dia 8) e volta a derrotar Loison em Moure (dia 12).
Enquanto isso, Arthur Wellesley (futuro duque de Wellington), nomeado comandante-chefe do exército anglo-português, chega a Gaia.
Depois de observar as posições, repara na importância estratégica de um edifício existente no Monte do Seminário (actual Colégio dos Órfãos). Ordena, então, a sua ocupação, o que é feito por uma pequena força que leva consigo três peças de artilharia. Quando Soult dá conta, já Wellesley tinha no Porto cerca de 600 homens, suficientes para travar as investidas francesas que deixam desguarnecida a Ribeira. Apercebendo-se disso, e com o apoio das populações ribeirinhas que lhe disponibilizam barcaças, Wellesley faz passar para o Porto o grosso das tropas que comandava em plena luz do dia (dia 12 de Maio). Duas horas depois, a cidade estava libertada. Dizem até que a fuga de Soult foi tão precipitada que Wellesley ainda encontrou quente o almoço que o francês se preparava para comer...
Seis dias depois, Soult abandonava Portugal por Montalegre, sempre perseguido pelo exército anglo-português. Terminava assim a segunda invasão francesa.
O Porto voltaria a ser notícia 11 anos mais tarde, com o Sinédrio, a associação encabeçada por Manuel Fernandes Tomás, José da Silva Carvalho e Ferreira Borges que lidera o pronunciamento de 1820 e dá início ao liberalismo.
Fontes: JN
wikipedia (imagens)
 
O Marechal Soult

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