quarta-feira, 5 de abril de 2017

05 de Abril de 1794: Revolução Francesa: Danton, Desmoulins e d'Églantine são mortos na guilhotina

Georges Danton, Camille Desmoulins e Fabre d’Églantine são presos, julgados e guilhotinados a 5 de Abril de 1794, em França. Maximilien Robespierre e Louis Antoine Saint Just, que dominavam a Convenção Nacional, decidiram eliminar os “indulgentes” do poder. 

Em 10 de Março de 1793 a Convenção cria o Tribunal Revolucionário, dando início ao período chamado de Terror. As sentenças, após breve julgamento, costumavam ser radicais: absolvição ou guilhotina. A finalidade deste tribunal era a de “lutar contra toda iniciativa contra-revolucionária, todo o atentado contra a liberdade, todo o complot dos monárquicos”. Dizia então Danton: “Sejamos terríveis para dispensar o povo de o ser.” O Tribunal Revolucionário funcionou até 31 de Maio de 1795, quando foi definitivamente suprimido. 
 

A Convenção, eleita em Setembro de 1792 por sufrágio universal, tinha dois objectivos: vencer a guerra contra os austríacos e redigir uma constituição republicana. Os lugares no interior da Convenção eram assim distribuídos: esquerda, centro e direita. Os lugares da esquerda eram ocupados pelos jacobinos. Os do centro, pelos membros que oscilavam entre reformas drásticas e conservadoras – também chamado de “planície” devido ao espaço físico que ocupavam. À direita  sentavam-se os girondinos. A convenção era composta por 749 membros: 200 jacobinos, 389 da planície e 160 girondinos. 

Os jacobinos representavam os sectores mais pobres da sociedade francesa – os "sans-culottes" – e parte da classe média. De início favoráveis à monarquia constitucional, com a fuga do rei passaram a defender ardorosamente a república. Dos 200 deputados jacobinos, 120 sentavam-se sempre na extremidade esquerda do salão e nos lugares mais altos, por isso ficaram conhecidos como montagnards, ou montanheses. Entre os montanheses destacavam-se Robespierre, Danton, Marat, Desmoulins e o pintor David. 

Os girondinos inicialmente representavam a esquerda política, mas perderam espaço para os jacobinos e passaram a defender, teoricamente, a direita mais conservadora. Representavam a alta burguesia e os seus principais representantes na convenção eram Jacques-Pierre Brissot, Pierre Vergniaud, Condorcet e o Ministro Roland. 


Em 25 de Setembro ocorreram as primeiras divergências. Os girondinos e a planície defenderam a ideia de que os 24 representantes da cidade de Paris contassem apenas um oitenta e três avos, alegando equilibrar com isso a representação dos departamentos do país. Danton  acusou-os de tentar destruir a unidade e a soberania nacional, pedindo a pena de morte para quem ousasse propor tal medida. No mesmo dia, a república francesa é declarada “una e indivisível”. 

O confronto entre jacobinos e girondinos acirrava-se. Os girondinos queriam uma república com forte protecção à propriedade privada; os jacobinos, que visavam o interesse do povo, queriam limites à propriedade privada. Robespierre atacou: “Todas as pessoas ambiciosas que surgiram até agora no teatro da Revolução tiveram isso em comum: defenderam os direitos do povo somente enquanto lhes convinha e todas elas viam o povo como um rebanho estúpido, destinado a ser conduzido pelo mais apto ou mais forte.” 

A Convenção vota então um decreto proposto por Saint Just, segundo o qual “o governo da França será revolucionário até à conquista da paz”. Acusado de corrupção e laxismo, o Conselho Executivo (o governo) é posto sob estrita vigilância da Convenção segundo o princípio revolucionário “é impossível que as leis revolucionárias sejam executadas se o próprio governo não é constituído revolucionariamente.” 

Danton começou a discordar de Robespierre achando que a sua política do uso do Terror deveria ter fim. Ainda no final de 1793, Camille Desmoulins dava início no seu jornal Le Vieux Cordelier, a uma campanha pela indulgência – os indulgentes eram os deputados da convenção que se opunham ao Terror. Foi quando Danton proclamou a famosa frase: “Vou destruir aquela maldita guilhotina ou tombarei diante dela.” 

A situação do país teve uma melhoria em 1794, já que não faltava comida e o exército estava mais forte. Danton julgava que o Terror já havia conseguido atingir os seus objectivos e organizou um grupo para debater o fim do Terror. Robespierre passou a ver na reunião uma conspiração contra-revolucionária e  denunciou-os na convenção, com a ajuda do seu amigo Saint Just. 


Danton, Desmoulins e d’Églatine, o criador do calendário da Revolução, são presos e enviados ao Tribunal Revolucionário. O julgamento aconteceu no dia 4 de Abril. Foram condenados à morte e, na prisão, preparados para a “navalha nacional”. Danton exclamou então: " A minha única tristeza é que vou antes de Robespierre". 

No dia seguinte, 5 de Abril, pouco depois das 9h, os portões da prisão da Conciergerie são abertos para a passagem das carroças que levaram os condenados até ao patíbulo. Danton manteve-se firme e mesmo diante da guilhotina, não se abalou. Desmoulins chorava e entregou ao carrasco uma mecha do seu cabelo para que ele  a enviasse à esposa como lembrança. d’Églantine permaneceu o tempo todo impassível. 

Pouco demorou para a queda de Robespierre. No dia 26 de Julho, numa sessão tumultuada da Convenção, ele foi ferido e teve que sair da sala às pressas. Foi detido imediatamente pelos seus inimigos e, dois dias depois, mandado à guilhotina. Às 4 horas de uma segunda-feira, 28 de Julho (10 Termidor) a carreta levando Robespierre e Saint-Just percorreu o trajecto até a praça da Revolução (hoje place de la Nation). Milhares de parisienses encheram as ruas, janelas e telhados por onde passaria o cortejo para imprecá-lo e apláudi-los. 

O período logo após a morte de Robespierre ficou conhecido como Termidoriano. Em 19 de Novembro (29 Brumário) o clube dos Jacobinos é fechado. Termina a fase mais radical da revolução francesa. Após a eliminação dos Jacobinos, a alta burguesia retorna plenamente ao poder.  

Fontes: Opera Mundi
wikipedia (imagens)
File:Georges-Jacques Danton.jpg
Georges Danton
File:Camille Desmoulins, Musée Carnavalet.jpg
Camille Desmoulins 
Fabre d'Églantine 

Sem comentários:

Enviar um comentário