quarta-feira, 12 de abril de 2017

12 de Abril de 1633: Começa o processo da Inquisição contra Galileu Galilei

No dia 12 de Abril de 1633 iniciava-se o processo contra Galileu Galilei. Galileu, possuindo muitos privilégios junto da cúria, em vez de ocupar uma cela, residia no apartamento do procurador fiscal, uma espécie de hospedaria do palácio do Santo Ofício, providência de excepcional deferência para um acusado de excepção.
Durante o processo, o comportamento do papa foi aparentemente parcial. Em vez de ter deixado o inquérito seguir o seu curso normal junto do Santo Ofício, chamou a si a instrução, ocultou as denúncias e nada deixou transparecer além da suspeita para justificar o processo, pois queria livrá-lo de uma condenação grave.

O cientista prestou declarações diante do Tribunal da Inquisição afirmando:

“Eu, Galileu, filho do falecido Vincenzo Galilei, florentino, de setenta anos de idade, intimado pessoalmente à presença deste tribunal e ajoelhado diante de vós, Eminentíssimos e Reverendíssimos Senhores Cardeais Inquisidores-Gerais contra a gravidade herética em toda a comunidade cristã, tendo diante dos olhos e tocando com as mãos os Santos Evangelhos, juro que sempre acreditei, que acredito, e, mercê de Deus, acreditarei no futuro, em tudo quanto é defendido, pregado e ensinado pela Santa Igreja Católica e Apostólica. Mas, considerando que (... ) escrevi e imprimi um livro no qual discuto a nova doutrina (o heliocentrismo) já condenada e aduzo argumentos de grande força em seu favor, sem apresentar nenhuma solução para eles, fui, pelo Santo Oficio, acusado de veementemente suspeito de heresia, isto é, de haver sustentado e acreditado que o Sol está no centro do mundo e imóvel, e que a Terra não está no centro, mas move-se ; desejando eliminar do espírito de Vossas Eminências e de todos os cristãos fiéis essa veemente suspeita concebida mui justamente contra mim, com sinceridade e fé verdadeira, abjuro, amaldiçoo e detesto os citados erros e heresias, e em geral qualquer outro erro, heresia e seita contrários à Santa Igreja, e juro que no futuro nunca mais direi nem afirmarei, verbalmente nem por escrito, nada que proporcione motivo para tal suspeita a meu respeito."

No dia 22 de Junho de 1633, numa sala do convento dominicano de Santa Maria Sopra Minerva, em Roma, encerrava-se um dos episódios mais discutidos da história. Galileu era considerado culpado, teve que abjurar publicamente o heliocentrismo (terá murmurado ironicamente: "eppur si muove" - "e, no entanto, ela move-se") e foi condenado a prisão perpétua, mas por ordem do papa, em vez de ser encarcerado nas celas do palácio do Santo Ofício, pôde imediatamente instalar-se na residência do embaixador e em seguida cumprir a pena sob a forma de prisão domiciliar em sua casa.

As suas obras foram incluídas no Índex dos livros proibidos pela Igreja, juntamente com as de Kepler e Copérnico.
É necessário salientar que não foi somente pelos católicos que a tese de Galileu foi condenada, mas também pelos protestantes.
Lutero julgava que as ideias de Copérnico eram ideias de louco, que tornavam confusa a astronomia. Em 1662, a Faculdade de Teologia protestante da Universidade de Estrasburgo afirmou estar o sistema de Copérnico em contradição com a Sagrada Escritura. Em 1679, a Faculdade de Teologia protestante de Upsala (Suécia) condenou Nils Celsius por ter defendido o sistema de Copérnico. Ainda no século XVIII a oposição luterana contra o sistema de Copérnico era forte: em 1744 o pastor Kohlreiff, de Ratzeburg, pregava energicamente que a teoria do heliocentrismo era abominável invenção do diabo.
wikipedia (imagens)
Ficheiro:Galileo facing the Roman Inquisition.jpgGalileu frente ao tribunal da Inquisição romana - Cristiano Banti

 cArquivo: Galileo diante do Santo Office.jpg

Galileu diante do Santo Ofício -Joseph Nicholas Robert-Fleury

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