terça-feira, 25 de abril de 2017

25 de Abril de 1859: Início da Construção do Canal do Suez

No dia 30 de Novembro de 1854, o rei egípcio Said Pascha assinou licença para a construção de um canal entre os mares Mediterrâneo e Vermelho: o Canal de Suez. Pascha deu ao engenheiro francês e visconde Ferdinand Marie de Lesseps a permissão para explorá-lo durante 99 anos, sendo que as obras foram iniciadas cinco anos mais tarde. 
De Lesseps concretizou um anseio que existia desde o Egipto Antigo. Os romanos também tinham a mesma ideia; quando invadiram a região, construíram canais que ligavam o sul até ao delta do Nilo, já que, sem o canal, as mercadorias precisavam de ser transportadas por terra entre o Mar Mediterrâneo e o Mar Vermelho. 

Antes de De Lesseps, engenheiros e cientistas haviam tentado planear uma ligação entre os dois mares, mas fracassaram devido a um erro de cálculo de uma equipa encarregada por Napoleão, em 1800, que queria um enorme canal ao marchar sobre o Egipto com os seus soldados em 1798. Entretanto, o então imperador francês foi responsável por um dos fracassos da obra, já que havia sugerido erroneamente a construção de eclusas. Mesmo com as medições contestadas já em 1830, os engenheiros continuavam inseguros para planear o canal novamente.  

Convencido de que os níveis dos mares eram os mesmos, o ex-cônsul francês Lesseps convenceu o recém-coroado rei Said Pascha sobre a viabilidade do projecto, após ter passado um mês na sua corte para conseguir a permissão da obra. Finalmente, em 30 de Novembro de 1854, a permissão foi concedida. 

O primeiro passo foi criar a Companhia Geral do Canal de Suez, que recebeu a concessão para administrar o canal durante 99 anos. No dia 25 de Abril de 1859, a obra foi iniciada. 

Com elevado custo, esse foi o maior projecto da navegação marítima mundial: o canal foi construído com 171 quilómetros de comprimento, larguras que variavam entre 160 e 200 metros e uma profundidade média de 16,2 metros. Após dez anos de obras, no dia 17 de Novembro de 1869, o caminho que aproximava a Europa da Ásia era aberto à navegação. Estima-se que 1,5 milhão de egípcios tenham participado na construção do canal e que 125 mil morreram, principalmente de cólera. 

Não demorou muito tempo para o canal começar a ser motivo de disputas políticas. No final dos trabalhos, o Egipto e a França eram os proprietários do canal. A dívida externa do Egipto obrigou o país a vender a sua parte do canal ao Reino Unido, que garantia assim a sua rota para as Índias. Portanto, os direitos da Companhia Geral passaram para os ingleses em 1875. O caminho marítimo diminuía em 10 mil quilómetros a distância até às colónias na Ásia. França, Inglaterra e Egipto haviam decidido a neutralidade da área, mas a criação de Israel, em 1948, levou o presidente egípcio Gamal Abdel Nasser a proibir a passagem de navios israelitas. 

Posteriormente, em guerras que aconteceram na região, o canal foi bombardeado várias vezes, chegou a ser bloqueado e até mesmo fechado, em 1967. Durante oito anos, os europeus foram obrigados a contornar o Cabo da Boa Esperança para chegar à Ásia. Só em 1975, o presidente egípcio Anuar el Sadat mandou reabrir aquele caminho. 
Fontes: Opera Mundi
wikipedia (imagens)

Litografia que retrata a construção do Canal
Ficheiro:SuezCanalElGuisr.jpg
Ficheiro:Ferdinand de Lesseps.jpg
  Ferdinand de Lesseps, construtor do canal

Sem comentários:

Enviar um comentário