quarta-feira, 26 de abril de 2017

26 de Abril de 1478: A família Médicis é vítima de um atentado, a chamada Conspiração dos Pazzi

No dia 26 de Abril de 1478, um Domingo, um conflito eclode em Florença, durante a missa da catedral da cidade, o Duomo. O atentado acarretaria a morte de Juliano de Médicis e abriria espaço para a ascensão do seu irmão à frente da rica república mercantil.
Esse foi o começo de uma saga familiar inigualável. A vítima de 25 anos governava, de facto, a República de Florença ao lado de seu irmão, Lourenço, de 29 anos. Tanto um quanto o outro portavam o título de principe dello stato (príncipe de Estado). A autoridade dos Médicis sobre a cidade remontava a Cosimo de Médicis, avô dos dois, e ao pai, Pedro de Cosme. Ambos exigiam que as suas magistraturas fossem conservadas, mas  organizavam-se para que fossem confiadas a pessoas leais.
Por meio de generosidades, os Médicis tratavam de conservar o apoio do povo. Porém só dispunham de uma autoridade informal sobre as instituições da República e ela era contestada. Uma desavença entre o papa e os Médicis abriria a oportunidade para os opositores se manifestarem.
O papa Sisto IV era um mecenas a quem Roma devia a ponte Sisto e a capela que leva o seu nome, a Sistina. Praticava também o nepotismo em grande escala em favor dos seus bastardos e dos seus sobrinhos. Desejoso de oferecer a ‘Signoria’ de Imola ao seu sobrinho, Girolamo Riario, dirige um pedido de empréstimo aos Médicis. Lourenço, que tinha igualmente intenções sobre Imola, recusa o auxílio.
Inconformado, Girolamo dirige-se aos seus rivais, os Pazzi, uma outra grande família de banqueiros florentinos. Os Pazzi estavam muito descontentes por terem sido privados pelos Médici de certos cargos “apetitosos”. O seu chefe, Francesco Pazzi, aproveita a ocasião para ajustar contas com os Médicis. Organiza a conspiração do ‘Duomo’ com apoio de Girolamo Riario e do arcebispo de Pisa, Francesco Salviati, cuja nomeação Lourenço de Médicis havia rejeitado.
Juliano morre no atentado, mas Lourenço fica apenas ferido. Escapou da morte refugiando-se na sacristia com alguns fiéis e conseguiu escapar. À época, os partidários dos Pazzi tentavam sublevar o povo de Florença aos gritos de ‘Popolo e libertà’ (Povo e Liberdade). Contudo, o povo permaneceu fiel aos Médici e Lourenço retoma o comando da situação em seu proveito.
Os conspiradores são massacrados sem indulgência. Jacopo e Francesco Pazzi, assim como o arcebispo Francesco Salviati, são enforcados e dependurados nas janelas do Palácio de la Signoria. Em virtude da morte do arcebispo de Pisa, o papa proclama o ‘interdito’ de Florença. Excomunga todos os seus habitantes. De resto, entra em guerra contra a República de Florença com o apoio de Nápoles e Veneza.
Lourenço de Médicis, devido à sua habilidade política e estratégia militar, derrota a aliança. Ao cabo de uma guerra de dois anos entre as facções rivais e de uma repressão impiedosa, a sua autoridade surge mais incontestável que nunca.
Fontes: Opera Mundi
wikipedia (imagens)

 Arquivo: Giuliano de 'Medici por Sandro Botticelli.jpeg
Retrato de Juliano de Médici- Sandro Botticelli
Ficheiro:Lorenzo de' Medici-ritratto.jpg
Retrato de Lourenço de Médici - Girolamo Macchietti

1 comentário:

  1. Muito interessante e esclarecedor o conteúdo deste artigo. Chamou-me atenção e despertou minha curiosidade em saber que tipo de objeto Lourença de Medici, segura na sua mão direita, na fotografia acima. Pela época não poderia ser uma calculadora eletrônica muito menos um Celular. kkk

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