segunda-feira, 29 de maio de 2017

29 de Maio de 1453: Queda de Constantinopla marca o fim da Idade Média

A data de 29 de maio de 1453 figura tradicionalmente entre as datas-chave da História. Nesse dia, Constantinopla cai nas mãos do sultão otomano Maomé II. A cidade, vestígio do Império Romano do Oriente e do Império Bizantino, era a última depositária da Antiguidade Clássica, além de muralha da cristandade ante a pressão do Islão.

A sua queda provocou forte comoção em toda a cristandade e consagra o surgimento de uma nova era histórica.

A capital do Império Bizantino já havia sido cercada duas vezes pelas frotas muçulmanas. O primeiro cerco durou cinco anos de 673 a 677; o segundo, um ano somente, em 717.

Nos dois episódios, os árabes foram repelidos graças a uma arma secreta dos bizantinos : o fogo grego. Tratava-se de uma mistura misteriosa de salitre, betume e enxofre que possuía a particularidade de queimar mesmo sob a água. Propelida em direcção às embarcações inimigas, permitia incendiá-las de um só golpe. Apesar disto, os bizantinos perderam ao longo dos séculos a sua superioridade bélica.


A queda da "Nova Roma" tornou-se inadiável quando novos invasores vindos da Ásia, os turcos otomanos, atravessaram o Estreito do Bósforo. Tomaram a maior parte dos Balcãs e instalaram a sua capital em Adrianópolis, cerca de Constantinopla. Isolando esta cidade, impediram qualquer apoio das nações ocidentais.

A partir do século XIV, as vitórias dos turcos no Kosovo e Nicópolis sobre os cristãos prenunciavam a queda iminente de Constantinopla.
A cidade de Constantino I, em meados do século XIV, era um pequeno Estado relacionado com os mercados do Extremo Oriente, porém em benefício dos mercadores de Veneza e Génova que negociavam com a seda chinesa por eles trazida.

Em 1451, Maomé II sucede a seu pai, Murad II, à frente do Império Otomano. Nascido de mãe escrava e cristã, o novo sultão, de 19 anos, decide acabar com Constantinopla.

Envia, em Julho de 1452, uma declaração de guerra ao imperador bizantino. Dois meses mais tarde, desencadeia as hostilidades testando as muralhas da cidade com 50 mil homens. O cerco começa em Abril de 1453 com 150 mil homens e uma poderosa frota. Os bizantinos só dispunham de sete mil soldados gregos e um destacamento de 700 genoveses sob o comando de Giovanni Longo, além de 40 navios.

O imperador Constantino XI envia emissários, disfarçados de turcos, que se infiltraram entre os navios e chegaram a Veneza. A Sereníssima República logo arma 10 embarcações para socorrer os seus tradicionais aliados. Porém, a ausência de vento e a pouca pressa dos venezianos não permitiram chegar a tempo para salvar Constantinopla.

Diante do tríplice anel de muralhas, Maomé II recorre a todos os seus recursos de artilharia. Durante semanas, sem trégua, arremessam  projécteis com as suas bombardas. Dispunha também de uma bombarda especial, a “Real” que, montada sobre um impressionante castelo de madeira e manobrada por um milhar de homens, atirava sobre a cidade enormes pedras pesando até 700 quilos.

  
A frota do sultão cerca a cidade pelo Bósforo e o mar de Mármara mas não consegue entrar no canal do Corno de Ouro que fecha a cidade pelo leste, protegida por uma cadeia de montes que interdita o acesso.

Em desespero de causa, Maomé II faz construir sobre a Colina de Gálata, da margem do Bósforo à margem do Corno de Ouro, uma pista de madeira de 4,5 quilómetros que permitiu a chegada dos soldados até à borda do Corno de Ouro.

No dia 28 de Maio, os arautos do sultão anunciam a batalha decisiva. Na alvorada de 29, dezenas de milhares de ansiosos soldados invadem a cidade. Diante da Basílica de Santa Sofia, o imperador Constantino XI, de armas na mão, morre no meio dos seus soldados. Ao meio-dia o sultão entra triunfalmente na cidade.Os combates fizeram pelo menos quatro mil mortos.
Maomét II, que se dispunha a fazer de Constantinopla a capital e conservar a sua grandeza, fez chegar à cidade habitantes de todo o Império a fim de assegurar o seu antigo esplendor. Logo mudou a capital de Adrianópolis para Constantinopla, em seguida rebaptizada de Istambul.
A cidade atingiria o seu apogeu sob o reinado de Solimão, “o Magnífico”, e até o fim do Império Otomano manteria uma população maioritariamente cristã.
Fontes: Opera Mundi
wikipedia (imagens)



Maomé II com o exército otomano em marcha desde Edirne, transportando a grande bombarda -Fausto Zonaro


O Cerco de Constantinopla


Constantinople 1453.jpg

As Muralhas de Constantinopla



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