quarta-feira, 17 de maio de 2017

Zé do Telhado, o Robin dos Bosques português

Segundo a "lenda" tirava aos ricos para dar aos pobres.

José Teixeira da Silva nasceu em 1816, no lugar do Telhado, freguesia de Castelões de Recesinhos em Penafiel e morreu em 1875 em Angola. 

Alistou-se no exército, em Lisboa, tendo-se destacado pelo seu comportamento militar e pela sua postura destemida ao serviço dos designados "Lanceiros da Rainha". A nível militar ele teve uma carreira de enorme sucesso. Participou na Revolta dos Marechais em 1837 e seguiu o Duque de Saldanha nos combates de Ruivães.

Com o fim da guerra civil, em 1837, e a caminho do exílio, recebeu autorização do seu tio para casar com a sua prima Ana. Regressa então a Recesinhos, onde constitui família.

Com a Revolução da Maria da Fonte, em 1846, José do Telhado integra a revolta popular. Durante os confrontos, chega mesmo a salvar a vida ao general Sá da Bandeira, sendo por este feito, posteriormente condecorado por ele, com a medalha de Cavaleiro de Torre e Espada. 

Após a Convenção de Gramido, que ocorreu em Junho de 1847, termina a "Revolta de Maria da Fonte". Por esta altura, a sua família debatia-se já com sérias dificuldades financeiras. É a partir daí que lhe é atribuída a lenda de "roubar aos ricos para dar aos pobres". O tempo que estivera a cumprir serviço militar trouxe-lhe por um lado muito orgulho mas por outro também lhe trouxe muitas dívidas. Assim quando chegou a Lousada (localidade em que vivia) os credores começaram a persegui-lo e naquela hora de nada lhe valeu o seu empenho, coragem e destreza no cumprimento do  dever militar, pois ninguém o ajudou neste momento tão complicado da sua vida. Foi neste momento que por desespero tornou-se bandido.
No ano de 1852 José Teixeira da silva já era bem conhecido pelas autoridades durienses devido aos seus famosos roubos e assaltos a casas de cidadãos abastados. Desta forma a sua fama chegava a todos os lavradores da região do Douro.
O bandoleiro mais conhecido do país acaba por ser apanhado pelas autoridades em 31 de Março de 1859 quando tentava fugir para o Brasil. Esteve preso na Cadeia da Relação, onde conheceu Camilo Castelo Branco que se lhe refere nas Memórias do Cárcere.
Em 9 de Dezembro de 1859 foi julgado e condenado ao degredo perpétuo na África Ocidental Portuguesa. Foi-lhe comutada a pena aplicada na de 15 anos de degredo, em 28 de Setembro de 1863. Viveu em Malanje, negociando em borracha, cera e marfim. Casou-se com uma angolana, Conceição, de quem teve três filhos. Conhecido entre os locais como o kimuezo – homem de barbas grandes –, viveu desafogadamente. Faleceu em 1875, vítima de varíola, sendo sepultado na aldeia de Xissa, município de Mucari, a meia centena de quilómetros de Malanje, sendo-lhe erguido um mausoléu, objecto de romagens.
Fontes: Câmara Municipal de Penafiel
wikipédia


Resultado de imagem para zé do telhado

José Teixeira da Silva, José do Telhado e o seu irmão

Resultado de imagem para zé do telhado

4 comentários:

  1. Apreciei este texto sobre o já lendário, ZÉ do Telhado, mas.....pelo que ouvi contar desde criança, há muito mais para contar sobre a vida do ZÉ do Telhado!! Teria sido muito boa ideia, já que este texto foi escrito, que se contasse, em mais pormenores, sobre a sua vida que ficou na História!! Obrigada.

    ResponderEliminar
  2. Contava-me a minha avó que o meu bisavô Pinto Bandeira , que era do contra, lhe dava guarida na casa da encadada em Celorico de Bastos, quando a polícia o procurava

    ResponderEliminar
  3. Contava-se que chegou a raptar uma filha do conde de Mangualde, na Casa de Mateus, em Vila Real. Pedira resgate. A miúda, quando foi libertada disse que durante os 15 dias foi tratada como uma princesa que era!

    ResponderEliminar
  4. Dizia-se que os pobres estavam habituados a ser ajudados pelo Zé do Telhado! Um dia um pobre aproximou-se dele e pediu-lhe esmola. Ele deu-lhe umas moedas! O pobre terá achado pouco e continuou a pedir-lhe esmola... pediu, insistiu, insistiu, até que o Zé do Telhado, zangado, tirou-lhe o pau, que era uma cana, para lhe dar uma paulada! Ao pegar na cana ouvia tilintar moedas dentro! Olhou para o pobre de soslaio e meteu o joelho à cana e partiu-a ao meio. As moedas que o pobre ali tinha metido caíram ao chão! Então o Zé do Telhado, como castigo ao pobre por querer mais do que precisava, apanhou as moedas todas e levou-as para dar a outros pobres!

    ResponderEliminar