segunda-feira, 5 de junho de 2017

05 de Junho de 1898: Nasce o escritor espanhol Federico García Lorca

No dia  19 de Agosto* de 1936, o escritor espanhol Federico García Lorca é fuzilado pelos franquistas perto de Granada, no sul de Espanha. A guerra civil no país eclodiria menos de um mês depois. O conflito opôs o exército do general Francisco Franco ao governo republicano. As simpatias de esquerda, o seu comprometimento com os mais desfavorecidos e a sua homossexualidade custariam a vida ao poeta. 


Nascido em Fuente Vaqueros, província de Granada, no dia 5 de Junho de 1898, Lorca escreveu uma obra que constitui um dos pontos altos da poesia espanhola do século XX. Após sobreviver a uma infância marcada por graves e consecutivas doenças, estudou Direito e Literatura, inicialmente em Granada e depois em Madrid. Nessa época, por volta de 1919, aproximou-se dos grandes nomes da vanguarda artística espanhola e tornou-se amigo íntimo do pintor Salvador Dalí, do compositor Manuel de Falla, do cineasta Luis Buñuel e do poeta Rafael Alberti. 


Com a publicação de Libro de Poemas (1921), García Lorca despertou a atenção da crítica, e em 1925 passou a colaborar em várias revistas literárias madrilenas, sobretudo em La Gaceta Literaria e na Revista de Occidente. A crítica  consagrou-o em definitivo após a publicação das Canciones Gitanas (1927). No ano seguinte publicou Romancero Gitano (1928), para muitos a maior das suas obras poéticas. Esteve em Nova Iorque, em 1929, como bolsista da Universidade de Colúmbia, e fez ainda uma viagem a Cuba. 



Voltou a Espanha em 1931 e fundou e passou a dirigir o importante grupo teatral universitário La Barraca. Visitou países da América Latina, fazendo grande sucesso como poeta, dramaturgo e conferencista em países como Brasil, Argentina e Uruguai. Socialista convicto sem nunca ter sido comunista, havia tomado posição a favor da República. Foi preso por ordem de um deputado católico  de direita que justificou a sua prisão sob a alegação de que ele era mais perigoso com a caneta do que outros com o revólver. 



Em seguida foi executado pelos nacionalistas franquistas em Víznar, com um tiro na nuca, numa execução que teve repercussão mundial. O seu corpo foi deixado em Serra Nevada. Segundo algumas versões, ele teria sido fuzilado de costas, em alusão à sua homossexualidade. A caneta  calava-se, mas emergia em todas as partes um sentimento de que o que ocorria na Espanha dizia respeito a todo o planeta. 



Assim como muitos artistas, Pablo Picasso, Pablo Casals, Salvador Dali e outros -, durante o longo regime ditatorial do generalíssimo Franco, as suas obras foram consideradas clandestinas em Espanha. 



Com o fim do regime, e o regresso do país à democracia, finalmente a sua terra natal rendeu-lhe homenagem, sendo hoje considerado o maior autor espanhol desde Miguel de Cervantes. Lorca tornou-se o mais notável numa constelação de poetas surgidos durante a guerra, conhecida como "geração de 27", alinhando-se entre os maiores poetas do século XX. 



Foi ainda um excelente pintor, compositor precoce e pianista. Como dramaturgo, Lorca fez incursões no drama histórico e na farsa antes de obter sucesso com a tragédia. As três tragédias rurais passadas na Andaluzia, Bodas de Sangue (1933), Yerma (1934) e A Casa de Bernarda Alba (1936) escrita na maior parte em prosa e talvez a sua melhor peça, asseguraram a sua posição como grande dramaturgo. 
Como poeta, destacou-se com as publicações Poema del Cante Jondo (1931), Llanto por Ignacio Sánchez Mejías (1935), Seis Poemas Gallegos (1935), Poeta en Nueva York (1940) publicado em livro postumamente, no México. 

*Algumas fontes referem 18 de Agosto como data da morte
Fontes: Opera Mundi
wikipedia (imagens)

Federico García Lorca em 1914

Alma Ausente - Federico García Lorca

No te conoce el toro ni la higuera, 
ni caballos ni hormigas de tu casa. 
No te conoce tu recuerdo mudo 
porque te has muerto para siempre. 

No te conoce el lomo de la piedra, 
ni el raso negro donde te destrozas. 
No te conoce tu recuerdo mudo 
porque te has muerto para siempre. 
El otoño vendrá con caracolas, 
uva de niebla y montes agrupados, 
pero nadie querrá mirar tus ojos 
porque te has muerto para siempre. 

Porque te has muerto para siempre, 
como todos los muertos de la Tierra, 
como todos los muertos que se olvidan 
en un montón de perros apagados. 

No te conoce nadie. No. Pero yo te canto. 
Yo canto para luego tu perfil y tu gracia. 
La madurez insigne de tu conocimiento. 
Tu apetencia de muerte y el gusto de su boca. 

La tristeza que tuvo tu valiente alegría. 
Tardará mucho tiempo en nacer, si es que nace, 
un andaluz tan claro, tan rico de aventura. 
Yo canto su elegancia con palabras que gimen 
y recuerdo una brisa triste por los olivos.


El crimen fue en Granada - Antonio Machado

 Se le vio, caminando entre fusiles,
por una calle larga,
salir al campo frío,
aún con estrellas de la madrugada.
Mataron a Federico
cuando la luz asomaba.
El pelotón de verdugos
no osó mirarle la cara.
Todos cerraron los ojos;
rezaron: ¡ni Dios te salva!
Muerto cayó Federico
—sangre en la frente y plomo en las entrañas—
... Que fue en Granada el crimen
sabed —¡pobre Granada!—, en su Granada.

          2. El poeta y la muerte

  Se le vio caminar solo con Ella,
sin miedo a su guadaña.
—Ya el sol en torre y torre, los martillos
en yunque— yunque y yunque de las fraguas.
Hablaba Federico,
requebrando a la muerte. Ella escuchaba.
«Porque ayer en mi verso, compañera,
sonaba el golpe de tus secas palmas,
y diste el hielo a mi cantar, y el filo
a mi tragedia de tu hoz de plata,
te cantaré la carne que no tienes,
los ojos que te faltan,
tus cabellos que el viento sacudía,
los rojos labios donde te besaban...
Hoy como ayer, gitana, muerte mía,
qué bien contigo a solas,
por estos aires de Granada, ¡mi Granada!»

          3. Se le vio caminar... 
                      Labrad, amigos,
de piedra y sueño en el Alhambra,
un túmulo al poeta,
sobre una fuente donde llore el agua,
y eternamente diga:
el crimen fue en Granada, ¡en su Granada!



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