domingo, 18 de junho de 2017

18 de Junho de 1037: Morre Avicena, o "príncipe dos sábios"

Ibn Sina ou Avicena, médico, filósofo e cientista persa, morre em Hamadan no dia 18 de Junho de 1037. Escreveu cerca de 300 livros sobre diferentes temas, predominantemente de Medicina e Filosofia.

Os seus textos mais famosos são O Livro da Cura e O Cânone da Medicina, também conhecido como Cânone de Avicena. Os seus discípulos deram-lhe o cognome de Cheikh el-Rais – “príncipe dos sábios” – o terceiro grande mestre depois de Aristóteles e Al-Farabi. É considerado um dos principais médicos de todos os tempos.

Avicena nasceu em 7 de Agosto de 980 em Afshana, actualmente Uzbequistão. Consta ter sido precoce no seu interesse pelas Ciências naturais e a Medicina, tanto que aos 14 anos estudava sozinho. Foi enviado para estudar cálculo com um mercador. Tinha boa memória e recitava largos trechos do Corão.

Ainda jovem estudou os saberes da época como Física, Matemática, Filosofia, lógica e o Corão. Foi influenciado por um tratado de Al-Farabi que lhe permitiu superar as dificuldades em entender a Metafísica de Aristóteles. A precocidade nos estudos reflectiu-se na precocidade na carreira pois aos 16 anos já se aproximava de médicos famosos e aos 17 gozava de fama como médico por ter salvo a vida do Emir Nuh ibn Mansur.
Conseguiu permissão para aceder à biblioteca real, onde ampliou os seus conhecimentos de  Matemática, Música e Astronomía. Converteu-se em médico da corte e conselheiro científico até à queda do reino samani em 999.

Em Hamadan, o emir Shams al-Dawla  escolheu-o como ministro. Dedicou-se de dia à administração pública e de noite à ciência. Aos 20 anos, escreveu 10 volumes chamados O Tratado do Resultante e do Resultado e um estudo dos costumes da época, A Inocência e o Pecado. Com esta obra, a sua fama como escritor, médico, filósofo e astrónomo estendeu-se por toda a Pérsia.

Em 1021, a morte do príncipe al-Dawla e o começo do reinado do seu filho Samah cristalizaram as ambições e os rancores. Vítima de intrigas políticas, Avicena foi preso. Disfarçado, conseguiu fugir para Ispahán.

Com 32 anos deu início à sua obra-prima, o  Cânone de Medicina, que continha a colecção organizada dos conhecimentos médicos e farmacêuticos da sua época.

Durante uma expedição a Hamadan, actual Irão, o filósofo sofreu uma crise intestinal grave que contraiu, segundo disseram, por excesso de trabalho e de prazer. Tentou curar-se porém o remédio foi fatal. Morreu aos 57 anos.
A obra de Avicena é de importância capital. Foi traduzida para o latim no século XII, reforçando a doutrina aristotélica, fortemente influenciada pelo pensamento de Platão.

Avicena declarou ter lido em mais de 40 ocasiões a Metafísica sem chegar a entendê-la completamente. Mesclou a doutrina aristotélica com o pensamento neoplatónico, adaptando-os ao mundo muçulmano. Colocou a razão acima do ser e explicou que com isso se buscaria a perfeição.
Teve grande influência sobre pensadores do porte de Santo Tomás de Aquino, Boaventura de Fidanza e Duns Escoto. Desenvolveu muito antes de Descartes um pensamento similar: o conhecimento indubitável da própria existência.

Se bem que inclinado à mística, tratou o tema de modo objectivo. O ascetismo não lhe bastava, acreditava que se deveria buscar a iluminação como acto final do conhecimento. A iluminação obtinha-se por meio dos anjos que actuavam como união entre as esferas celestiais e as terrestres. Avicena abriu caminho para um novo ramo da filosofia islâmica, a sabedoria da iluminação, a chamada Metafísica da Luz, inaugurada pelo seu seguidor Suhrauardi.

A obra de Avicena é numerosa e variada. Escreveu principalmente no idioma culto do seu tempo, o árabe clássico, porém às vezes também no vernáculo, o persa.

Um dos seus textos mais famosos é o Al Qanun, cânone de medicina, também conhecido como Cânone de Avicena, enciclopédia médica de 14 volumes escrita por volta de 1020. Baseia-se numa combinação da sua própria experiencia pessoal, de medicina islâmica medieval, dos escritos de Galeno, Sushruta e Charaka, bem como na antiga medicina persa e árabe. O Cânone é considerado um dos livros mais famosos da história da medicina.

Outra grande obra, O Livro de Orientações e Advertências, trata de temas de Filosofia e Mística. Nesta obra aparece o seu famoso argumento do Homem Voador, predecessor do ‘cogito, ergo sum’ cartesiano, em que expunha que um homem suspenso no ar, sem contacto com nada nem sequer o seu próprio corpo, sem ver nem ouvir, afirmará sem dúvida que existe e intuirá o seu próprio ser.
Fontes: Opera Mundi
wikipedia (imagens)


 
Representação de Avicena de 1271
Primeira página de um manuscrito da autoria de Avicena

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