sábado, 1 de julho de 2017

01 de Julho de 1751: Com discurso de d'Alembert, é publicado o primeiro volume da Enciclopédia

No dia 1 de Julho de 1751 é publicado o primeiro volume da Enciclopédia, precedida por discurso de d'Alembert. Foi nessa data o início de uma aventura editorial sem precedentes que iria arejar as ideias em França e em toda a Europa.
O projecto nascera seis anos antes do desejo do livreiro Le Breton de traduzir a Cyclopaedia do autor inglês Ephraïm Chambers - um dicionário ilustrado das ciências e das artes publicado em 1728.

O livreiro e editor submete a sua ideia a Denis Diderot, que na época tinha 32 anos. Esse impetuoso e ambicioso rapaz, que se dizia "filósofo", passou a visar não mais uma simples tradução e sim um "quadro geral dos esforços do espírito humano em todos os géneros e em todos os séculos" Foi assim que surgiu o nome 'enciclopédia', neologismo forjado segundo uma expressão grega que designa as ciências destinadas a ser ensinadas.

Diderot resolve valer-se também dos serviços do seu amigo, o matemático e filósofo Jean Le Rond d'Alembert. Em Outubro de 1750, expõe o seu projecto num prospeto tendo em vista atrair subscritores. Mais de 2 mil responderam ao apelo e pagaram cada um 280 libras. Ou seja, o equivalente ao rendimento anual de um operário. Alguns dos maiores espíritos da época aceitaram colaborar com a grandiosa obra editorial.
Jean d'Alembert, principal autor da Enciclopédia ao lado de Diderot, era filho natural do cavaleiro de Touches e de uma dama da alta aristocracia, Madame de Tencin.
Abandonado ao nascimento em 11 de Novembro de 1717 nas escadarias da igreja  Saint-Jean Le Rond – daí o seu segundo nome – recebe entretanto uma excelente educação graças aos subsídios do seu pai natural. Torna-se um sábio e um pensador muito requisitado que as pessoas arrastavam aos salões mundanos de Paris, como os de Madame Geoffrin, de Madame du Deffand e de Julie de Lespinasse, por quem se apaixonaria sem esperança até  à sua morte.
Por seu lado Denis Diderot consegue também a protecção da influente marquesa de Pompadour, amante do rei Luis XV. O sucesso da Enciclopédia é imediato em França e nos demais países da Europa das Luzes. A sua tiragem  alcança prontamente os 4200 exemplares, um número extraordinário  tendo em conta também o custo da obra.
A publicação teve os seus problemas. Além de acusações de heresia, teve que enfrentar constantemente as acusações dos religiosos. Os Enciclopedistas são culpados de criticar a religião católica. Os jesuítas, alicerçados no seu prestígio em matéria de educação, são os adversários mais virulentos.

De maneira totalmente inesperada, Jean-Jacques Rousseau desentende-se com Diderot e passa a  opor-se à Enciclopédia em virtude do artigo Genebra no qual d'Alembert critica os modos e costumes austeros da cidade calvinista. Rousseau publica então a Carta a d'Alembert sobre os Panoramas.

Em 8 de Março de 1759, com base num falacioso pretexto, o Conselho de Estado proíbe a venda da Enciclopédia e exige o reembolso aos 4 mil subscritores.

D'Alembert, desencorajado, renuncia a levar adiante o empreendimento. Os dois últimos tomos são publicados clandestinamente por Diderot em 1765 e os derradeiros volumes de páginas e pranchas ilustradas são enfim publicadas sem a participação de Diderot em 1772.

No total, em trinta anos, foram publicados 28 volumes compreendendo 11 volumes de pranchas ilustradas e mais de mil artigos com a assinatura de cerca de 200 autores, entre os quais os mais reputados do seu tempo: Voltaire, Montesquieu, Rousseau, Condorcet, Quesnay, Turgot, Marmontel, Helvétius, barão d'Holbach.
Fontes: Opera Mundi
wikipedia (imagens)



Jean-Baptiste le Rond d'Alembert por Maurice Quentin de La Tour
Denis Diderot, por Louis-Michel van Loo

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