sexta-feira, 14 de julho de 2017

14 de Julho de 1858: Nasce a feminista britânica Emmeline Pankhurst, precursora da luta pelos direitos das mulheres.

Sufragista e feminista britânica, Emmeline Goulden Pankhurst, apesar de ter nascido numa Inglaterra governada ferreamente por uma mulher, a rainha Vitória, logo na juventude deparou e indignou-se com as injustiças e desigualdades para com o sexo feminino no seu país e no mundo inteiro. Nascida em 1858, em Manchester, a mais famosa das sufragistas (alcunha maliciosa dada pelo Daily Mail para ridicularizar o movimento feminista a favor do voto das mulheres) bem jovem começou a pugnar pelo direito à liberdade das mulheres, confinadas num mundo dirigido por homens e envolto em conceitos morais injustos e discriminatórios de mais de metade da população do mundo. Não era assim apenas na velha Inglaterra vitoriana, mas por toda a Europa e América, sem referir os outros continentes.
Em 1879, Emmeline Goulden junta ao seu nome o apelido de Pankhurst, por via do seu casamento com Richard Marsden Pankhurst, advogado inglês e amigo da causa feminista inglesa, pois foi o autor do primeiro projeto de lei sobre o voto das mulheres (pouco antes de se casar) e das leis sobre a propriedade das mulheres casadas (1870 e 1882). Com ele fundou, em 1889, a Liga para o Voto das Mulheres, organismo que se tornaria fulcral para a luta das sufragistas. Deste casamento nasceram três novas intransigentes sufragistas: Christabel Harriette (1880-1958), grande companheira de luta da mãe, Sylvia (1882-1960) e Adela (1885-1961). A primeira incitou a mãe para a politização do movimento sufragista, com a criação da União Política e Social das Mulheres, em 1903. As mais novas foram ainda mais radicais que Emmeline e Christabel, marxizando de certa forma o sufragismo feminista e assumindo uma postura ainda mais radical e ativa.
Entretanto, Emmeline tinha já militado no Partido Liberal e depois no Partido Trabalhista Independente (entre 1892 e 1918), formações políticas onde não deixou de lutar pelo direito ao voto das mulheres. Esta luta manteve-se de forma pacífica até à fundação da referida Liga para o Voto das Mulheres. Mas assim que esta se revela incapaz de alcançar os seus objetivos pela via política, Emmeline, acompanhada de suas filhas (seu marido, Richard, tinha falecido em 1898), passa à ação direta e radicaliza as suas formas de luta, com ações públicas de grande impacto junto da população. Esta opção ganhou forma a partir de 1906, quando o governo britânico (do Partido Liberal) recusou a concessão do direito de voto às mulheres, depois de negociações entre Emmeline e o primeiro-ministro. As violentas ações públicas desencadeadas por Emmeline acabaram, todavia, por conduzi-la à prisão, situação que ocorreu por cinco vezes entre 1908 e 1914.
Em 1914 foi para os Estados Unidos, onde assumiu uma outra luta, a da causa dos Aliados na Primeira Guerra Mundial. Depois dos EUA, foi viver para o Canadá, em 1919, aí permanecendo até 1926. Não pôde, assim, assistir no seu país natal a uma vitória importante do movimento das sufragistas, que ela lançara: a concessão, em 1918, do direito de voto para as mulheres britânicas com mais de 30 anos.
Em 1926, Emmeline Pankhurst regressa a Inglaterra, candidatando-se pelo Partido Conservador à Câmara dos Comuns. Veio a falecer dois anos mais tarde, em 1928. Ironicamente, nesse mesmo ano de 1928, o direito de voto feminino estendia-se às cidadãs com mais de 21 anos de idade, em plano idêntico ao dos homens. Oito anos depois dos EUA e cerca de vinte anos antes da França (em Portugal, apenas em 1969), a luta de uma vida de Emmeline Pankhurst frutificava através da universalização plena do direito de voto, não mais confinado exclusivamente aos homens. A luta das sufragistas, de que Emmeline se tornou o seu maior ícone, não era mais do que o rosto do próprio feminismo em si e de todas as suas reivindicações, desde a defesa do controlo da natalidade, ao problema do divórcio e ao direito de propriedade e administração  dos bens e guarda dos filhos menores por mulheres casadas. Emmeline Pankhurst ofereceu a sua vida, a sua liberdade, e não desdenhou nunca o contacto físico com as autoridades, a irreverência verbal ou as montras partidas, o que a tornou uma figura invulgar do seu tempo. Muitas outras mulheres lhe seguiram o exemplo, desde as suas próprias filhas a Rosa Luxemburgo, Olympe de Gouges, Mary Wollstonecraft, Simone de Bouvoir, Sojourner Truth, Shulamith Firestone, Catherine Mackinnon ou, em Portugal, Elina Guimarães e Maria Lamas, para não nos esquecermos também, noutro plano, de Adelaide Cabete ou até Carolina Michaelis.
Emmeline Pankhurst. In Infopédia [Em linha]. Porto: Porto Editora, 2003-2011. 
wikipedia (Imagens)

Arquivo: Emmeline Pankhurst2.jpg
Emmeline Pankhurst (c.1913)


Arquivo: sufragistas, Inglaterra, 1908.JPG

Uma reunião de sufragistas em  Caxton Hall, Manchester, Emmeline Pethick-Lawrence e Emmeline Pankhurst encontram-se  no centro da plataforma

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