domingo, 9 de julho de 2017

A tragédia de D. Fernando, o Infante Santo


O Infante Santo, D. Fernando, 8.° filho de D. João I e de D. Filipa de Lencastre nasceu em Santarém a 29 de Setembro de 1402 e faleceu em Fez a 5 de Junho de 1443. O mais novo dos membros da Ínclita Geração era senhor da vila de Salvaterra de Magos e de Atouguia da Baleia.
Foi educado com extremos de afecto, porque parecia ao princípio extraordinariamente débil mas nem, por isso foram menos perfeitos e cultivados o seu espírito e o seu carácter. Era extremamente religioso e por morte de João Rodrigues de Sequeira, foi-lhe dado o cargo de perpétuo administrador e governador da ordem de Avis, e dispensado para o ter, como teve em comenda, por bula de Eugénio IV, do ano de 1434.
Em 1437 participou numa expedição militar ao Norte de África, comandada pelo irmão, o Infante D. Henrique. O rei (D. Duarte) terá entregue ao Infante D. Henrique uma carta com algumas recomendações úteis, que foram por algum motivo ignoradas. A campanha revelou-se um desastre e, para evitar a chacina total dos portugueses, estabeleceu-se uma rendição pela qual as forças lusitanas se retiram, deixando o infante como penhor da devolução de Ceuta (conquistada pelos portugueses em 1415). No entanto, o infante pareceu ter pressentido o seu destino, pois ao despedir-se do seu irmão D. Henrique, lhe terá dito "Rogai por mim a El-Rei, que é a última vez que nos veremos!". Primeiro foi encerrado numa torre, onde esteve alguns dias, depois foi transportado para Arzila onde terá estado 7 meses. No fim deste tempo foi levado para Fez, sendo tratado ora com todas as honras, ora como um condenado de baixa condição (sobretudo depois de uma tentativa de evasão gorada, subvencionada por Portugal). Daí escreve ao seu irmão D. Pedro, então regente do reino, um apelo, pedindo a sua libertação a troco de Ceuta. Mas a divisão verificada na Corte em torno deste problema delicado e diversas ocorrências ocorridas com os governadores da praça-forte levam a que D. Fernando assuma o seu cativeiro com resignação cristã e morra no cativeiro de Fez em 1443 — acabando assim o problema da devolução ou não de Ceuta por se resolver naturalmente. Pelo seu sacrifício em nome dos interesses nacionais, viria a ganhar o epíteto de Infante Santo. Durante o reinado de D. Afonso V, seu sobrinho, o seu corpo veio para Portugal. Esteve depositado em Lisboa no convento do Salvador, e dali se transferiu para o mosteiro da Batalha onde repousa ao lado dos pais e irmãos, na Capela do Fundador.

Fontes:www.arqnet.pt/
www.padraodosdescobrimentos
wikipédia


Um dos Painéis de São Vicente de Fora mostrando  D. Fernando

Efígie do Infante Santo no Padrão dos Descobrimentos, em Lisboa.


2 comentários:

  1. Sempre a aprender. Muito bom trabalho, continue.

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  2. Há quem conteste esta versão da história. Basta ler Ricardo Raimundo...

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