quarta-feira, 2 de agosto de 2017

02 de Agosto de 1882: O Reino Unido invade o Egipto e dá início a 40 anos de protectorado

No dia 2 de Agosto de 1882, os ingleses desembarcam em Alexandria, porto egípcio sobre o Mediterrâneo, com o pretexto de restabelecer a ordem depois de distúrbios sangrentos. Tirando partido da incapacidade do soberano egípcio de reembolsar a sua dívida externa, colocam o governo sob tutela. A intervenção põe fim à independência do Egipto bem como à expansão da França no vale do Nilo.

Desde a época de Solimão o Magnífico, três séculos antes, o Egipto considerava-se como fazendo parte do Império Otomano. Todavia, após a tomada do poder por Mehemet Ali em 1805, o khedive ou vice-rei, que o governava em nome do sultão, tornou-se independente de facto.
Sob o impulso de Mehemet Ali e dos seus sucessores, o país moderniza-se a passos largos, sustentando a ambição de se igualar à vanguarda europeia. A população, essencialmente camponesa, concentrava-se no Vale do Nilo desde a Alta Antiguidade. No decurso do século XIX, ela passa de 2,5 milhões para 10 milhões de habitantes (80 milhões no final do século XX).

Em 18 de Janeiro de 1863, o trono é ocupado por Ismail Pacha, 32 anos, neto de Mehemet. O novo khedive investe a todo vapor nas infraestruturas e para tanto subscreve maciços empréstimos no estrangeiro, notadamente a fim de permitir a conclusão dos trabalhos de escavação do Canal de Suez. A dívida pública passa de 4 a 80 milhões de libras esterlinas. A dívida custa muito caro, de um lado porque os credores ocidentais impuseram uma taxa de juros elevada por outro porque os intermediários retinham comissões exorbitantes da ordem de 30 a 50%.

Em 24 de Novembro de 1875, o khedive cede à Inglaterra a sua participação na Companhia do Suez a fim de tentar diminuir a dívida. Como a medida se mostrou  insuficiente, o Estado egípcio  declara-se em bancarrota a 8 de Abril de 1876. Sem alternativas, o governo de Ismail Pacha é posto sob tutela de europeus. Os responsáveis  pela tutela eram 2 britânicos, 2 franceses, um austríaco e um húngaro. Um controlador geral europeu ficou encarregado de gerir as receitas e um outro as despesas. Aos europeus foram confiados os ministérios de Finanças e Obras Públicas, com a missão de reduzir o salário dos funcionários públicos e dos militares, 2500 militares foram mandados para a reserva.

Ismail Pacha, submetido à pressão das ruas e do exército, demite os ministros europeus. Os credores, exasperados, consideram que nada mais podem esperar do khedive e  exigem que abdique a favor de seu filho Taufiq. Taufiq Pacha, 27 anos, não resistiu. Confiou a administração do país a um consórcio franco-britânico. Os oficiais  revoltam-se sob o comando do coronel Ahmed Arabi em 9 de Setembro de 1881, obrigam o khedive a exonerar todo o seu gabinete e a convocar uma nova Câmara de Delegados.
Numa nota conjunta, o primeiro ministro britânico William Gladstone e o Presidente do Conselho francês Leon Gambetta manifestam apoio ao khedive e tentam impressionar os rebeldes, que veem a nota como uma provocação. Arabi é chamado ao governo em 29 de Maio, obtém do khedive poderes ditatoriais e manda fortificar o porto de Alexandria e a costa. Um levantamento popular em Alexandria fornece a Gladstone o pretexto para intervir. Exige que o governo desarme as baterias da cidade. Em 11 de Julho de 1882, o almirante Beauchamp-Seymour recebe autorização de bombardear Alexandria. Na noite seguinte, vastos incêndios tomam conta da cidade e os saques multiplicam-se.

Em 2 de Agosto, por fim, tropas britânicas desembarcam em Alexandria. Em 13 de Setembro, uma batalha decisiva tem lugar em Tel el-Kebir entre ingleses e egípcios, Estes são facilmente derrotados e Pacha, capturado, é enviado para o exílio no Ceilão. Gladstone coloca o governo do khedive sob sua protecção e todo o poder passa para as mãos do cônsul-geral da rainha Victória, lorde Cromer. Cromer torna-se o verdadeiro chefe de governo. Remodela o exército e dá andamento à obra de modernização de Ismail Pacha, desenvolvendo a irrigação e a cultura do algodão.

Durante a Primeira Guerra Mundial caem as máscaras. O Egipto rompe oficialmente com o Império Otomano, aliado das Potências Centrais (Alemanha e Áustria-Hungria) e o país transforma-se num mero protectorado britânico.

 Fontes: Opera Mundi
 wikipedia (imagens)
Mehmet Ali
Ibrahim Pacha por Charles-Philippe Larivière 

Sem comentários:

Enviar um comentário