Aurélio Agostinho nasceu
em 354 em Tagasta (Argélia) e terá sido o impulsionador da primeira tentativa
sistemática para a harmonização da Filosofia e da Teologia, conciliando
elementos de origem platónica e neoplatónica com os preceitos da revelação. Por
palavras suas, procurou «crer para entender e entender para crer» com o objetivo
de integrar num corpo doutrinal coerente as verdades da fé.
Filho de Patrício,
pagão, e Santa Mónica, fervorosamente cristã, viveu uma juventude dissoluta mas
sempre atormentada pela busca da verdade e da felicidade. Depois de ter abraçado
e renegado várias doutrinas, deixou-se vencer pelo ceticismo e só tardiamente se
converteu à religião cristã.
O núcleo do sistema agostiniano reside exatamente na
superação do ceticismo e da dúvida que, num percurso que encontrará paralelo em
Descartes, o conduz ao primado da certeza
imediata da experiência interior: mesmo
quando duvida, o homem tem de admitir que vive, recorda, conhece e quer, de onde
lhe advém a certeza que existe, e que, ainda que erre em todo o resto, pode ter
como seguro que até para errar tem de existir. Além disso, só é possível pôr em
causa os dados do mundo exterior quando existe algum padrão superior de Verdade.
De facto, na razão, o ser humano encontra certas verdades necessárias e
universais - os princípios lógicos e matemáticos, assim como as ideias de Uno,
de Bem e de Belo -, cuja origem não pode estar na experiência sensível. O mesmo
acontece com a generalidade dos conceitos, cujas especificações não podem ser
extraídas da simples sensibilidade, pressupondo Ideias determinadas apenas
acessíveis por via intelectual.
Para Agostinho, todas essas
Ideias não podem ser originárias senão de Deus e só se tornam acessíveis ao
homem por iluminação - através da intervenção
doMestre
interior, i. é,
o próprio Deus - pelo que o conhecimento da Verdade se apresenta como produto de
uma graça
divina que
apenas se pode dar em virtude de uma abertura da vontade para a fé, a partir da
qual se deve orientar para o bem e o amor genuíno de Deus. Só depois de
alcançado esse estado de contemplação da verdade divina pode, finalmente, o
indivíduo assegurar a bem-aventurança, a felicidade e a salvação que constituem
o objetivo último da existência humana.
No sistema agostiniano,
as Ideias divinas, além de serem consideradas princípio gnosiológico, surgem
como princípio ontológico, uma vez que correspondem ao projeto do universo na
mente de Deus.
Na geração do mundo,
Deus opera em três registos:
- cria, a partir do
nada, a matéria, que, no entanto, não existe por si mas em virtude de uma
permanente doação de ser por parte de Deus;
- reproduz os arquétipos ideais - havendo a distinguir
os entes espirituais, imortais, criados já na sua forma final, dos entes
materiais, cujo desenvolvimento explica pelo recurso às razões
seminais, elementos formais dinâmicos que
constituem na matéria o longínquo reflexo das Ideias
divinas;
- cria o tempo -
remetendo Deus para uma instância completamente exterior à temporalidade, deixa
para o tempo, com início (o Génesis) e fim (o Juízo Final), a marca da
contingência e da precaridade.
Santo Agostinho, que
ficou conhecido como «Doutor da Graça», morreu em 430 em Hipona, onde havia sido
sagrado bispo. As suas investigações, pioneiras na análise da metafísica da
experiência interior, influenciaram decisivamente o percurso posterior do
pensamento filosófico.
Fontes:
Infopédia
wikipedia
(imagens)
Detalhe de "Agostinho ensinando em
Roma" de Benozzo Gozzoli
Manuscrito da Cidade de Deus, a obra mais famosa de
Agostinho.Início do século XV, atualmente na Biblioteca
Nacional da Holanda
Conversão
de Agostinho.
1756. Por Charles-Antoine Coypel, actualmente no Palácio de Versalhes, em França
1756. Por Charles-Antoine Coypel, actualmente no Palácio de Versalhes, em França
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