O Tratado de Versalhes foi um tratado de paz assinado pelas
potências europeias a 28 de Junho de 1919 e encerrou oficialmente a I Guerra
Mundial. O principal ponto do tratado determinava que a Alemanha aceitasse todas
as responsabilidades por causar a guerra e que, sob os termos dos artigos
231-247, fizesse reparações a determinados países da Tríplice Entente (Aliança
vencedora).
Os termos impostos à Alemanha
incluíam a perda de uma parte do seu território para algumas nações
fronteiriças, de todas as colónias, uma restrição ao seu exército e uma
indemnização pelos prejuízos causados durante a guerra. O ministro alemão do
exterior, Hermann Müller, assinou o tratado a 28 de Junho de 1919. O tratado foi
ratificado pela Sociedade das Nações a 10 de Janeiro de 1920. Na Alemanha o
tratado originou um sentimento de humilhação na população, o que contribuiu para
a queda da República de Weimar em 1933 e a ascensão do regime
nazi.
As negociações entre as potências
aliadas começaram a 18 de Janeiro, no Salão dos Relógios no Ministério dos
Negócios Estrangeiros Francês. No início participaram nas negociações 70
delegados representado 27 nações.
Tendo sido derrotadas, a Alemanha,
a Áustria e a Hungria foram excluídas das negociações. A Rússia também foi
excluída porque tinha negociado o Tratado de Brest - Litovsk, que estabelecia
uma paz separada com a Alemanha em 1918, graças ao qual a Alemanha ficou com uma
grande faixa de terras e de recursos à Rússia.
As condições finais foram
determinadas pelos líderes das "três grandes" nações: o primeiro-ministro
britânico David Lloyd George, o primeiro-ministro francês Georges Clemenceau, e
o presidente dos EUA, Woodrow Wilson.
O tratado originou a criação
da Sociedade das Nações, um dos objectivos principais do presidente dos Estados
Unidos, Woodrow Wilson. A Sociedade das Nações tinha como objectivo arbitrar
conflitos internacionais para evitar futuras guerras.
Outras cláusulas do
Tratado incluíam a perda das colónias por parte da Alemanha e dos territórios
que o país tinha anexado ou invadido num passado recente,
destacam-se:
A Alsácia
-Lorena, os territórios cedidos pela França à Alemanha no acordo de Paz assinado
em Versalhes de 1871 e pelo Tratado de Frankfurt de 1871, seriam devolvidos à
França.
Uma parte da Jutlândia seria devolvida à Dinamarca se assim
fosse decidido por um plebiscito na região.
A
parte leste da Alta Silésia era devolvida à Polónia (área 3214 km², 965 000
habitantes) apesar do plebiscito ter apontado que 60% população preferia ficar
sob domínio da Alemanha. As
cidades alemãs de Eupen e Malmedy ficariam para a Bélgica.
A
província de Sarre ficou sob o comando da Sociedade das Nações durante 15
anos.
A Renânia foi desmilitarizada, ou seja, não ficou
nenhum soldado ou instalação militar na região.
A leste, a Polónia recebeu partes da Prússia
Ocidental e da Silésia.
A Checoslováquia recebeu o distrito de
Hultschin.
A grande cidade alemã de Danzig (na
actualidade Gdansk na Polónia), passou
a ser uma cidade livre, sob a protecção da Liga das
Nações.
Memel, uma pequena faixa territorial na Prússia
Oriental, às margens do Mar Báltico, foi entregue ao controle
lituano.
Fora da Europa, a Alemanha perdeu todas as suas
colónias [na África e no Pacífico]. No total, a Alemanha perdeu 13 por cento do
seu território em solo europeu, aproximadamente 70.000
quilómetros quadrados, e um décimo da sua população
(entre 6.5
a 7 milhões de habitantes).
O artigo 231 do
Tratado (a cláusula da 'culpa de guerra') responsabilizou unicamente a Alemanha
por todas as 'perdas e danos' sofridas pela Tríplice Entente durante a guerra
obrigando-a a pagar uma reparação por tais actos. O montante foi oficializado em
269 biliões de marcos, dos quais 226 biliões como principal, e mais 12% do valor
das exportações anuais alemãs. Mais tarde, naquele ano, a dívida foi reduzida
para 132 biliões.
Alguns dos artigos do Tratado
Artigo
42 - É proibido à Alemanha
manter ou construir fortificações, quer na margem esquerda do Reno, quer na
margem direita, a Oeste de uma linha traçada a 50 quilómetros a Leste deste
rio.
Artigo
45 - Como compensação pela
destruição das minas de carvão no Norte da França, e por conta da importância a
pagar pela reparação total dos prejuízos de guerra devidos pela Alemanha, esta
cede à França a propriedade inteira e absoluta (...) das minas de carvão
situadas na bacia do Sarre (...). [em anexo a esta parte
estabelece-se, no parágrafo 16, que: O Governo do território da Bacia do Sarre
será confiado a uma Comissão representando a Sociedade das
Nações]
Artigo 51 - Os
territórios cedidos à Alemanha em virtude [da guerra franco-prussiana de 1871 e
que a França perdeu, ou seja: a Alsácia-Lorena] são reintegrados na soberania
francesa (...)
Artigo 119
- A Alemanha
renuncia, em favor das Principais Potências aliadas e associadas, a todos os
seus direitos e títulos sobre as suas possessões de
além-mar.
Artigo 159
- As forças
militares alemãs serão desmobilizadas e reduzidas nas condições fixadas mais
adiante.
Artigo 160
- A datar do 31
de Março de 1920, o mais tardar, o exército alemão não deverá compreender mais
de sete divisões de infantaria e três divisões de
cavalaria.
Artigo 173
- Todo o
serviço militar universal obrigatório será abolido na
Alemanha.
Artigo 198
- As forças
militares da Alemanha não deverão comportar nenhuma aviação militar ou
naval.
Artigo 231
- Os Governos
aliados e associados declaram e a Alemanha reconhece que a Alemanha e os seus
aliados são responsáveis, por deles ter sido a causa, por todas as perdas e por
todos os prejuízos sofridos pelos Governos aliados e associados e pelos seus
nacionais em consequência da guerra, que lhes foi imposta pela agressão da
Alemanha e dos seus aliados.
Artigo 231
- Os Governos
aliados e associados exigem (...) e a Alemanha a tal se obriga, que sejam
reparados todos os prejuízos causados à população civil de cada uma das
Potências aliadas e associadas e os seus bens (...).
Artigo 235
- Com o fim de
habilitar as Potências aliadas e associadas a empreender desde já a restauração
da sua vida industrial e económica, enquanto não é realizada a fixação
definitiva da importância das suas reclamações, a Alemanha pagará, durante os
anos de 1919 e 1920 e os quatro primeiros meses de 1921 (...) em ouro,
mercadorias, navios, valores ou outra forma (...) o equivalente a 20 000 000 000
(vinte biliões) de marcos ouro (...)
Anexo
IV
§ 6 - a título de
adiantamento imediato, (...) a Alemanha compromete-se a entregar à França nos
três meses que se seguirem à entrada em vigor do presente Tratado (...) as
quantidades abaixo especificadas em gado vivo:
500 garanhões
de 3 a 7
anos;
30 000 poldras
e éguas de 18 meses a 7 anos (...);
2 000 touros
de 18 meses a 3 anos;
90
000 vacas leiteiras
de 2 a 6
anos;
1 000
carneiros inteiros;
100 000
cabras
Anexo
V
§ 2 - A Alemanha
entregará à França sete milhões de toneladas de carvão por ano, durante dez anos
(...).
§ 3 - A Alemanha
entregará à Bélgica oito milhões de toneladas de carvão por ano, durante dez
anos.
§ 3 - A Alemanha
entregará à Itália as quantidades máximas de carvão
seguintes:
Julho
de 1919
a Junho de 1920: 4 milhões 1/2 de
toneladas;
» 1920 » 1921: 6 milhões de
toneladas;
» 1921 » 1922: 7 milhões 1/2 de
toneladas;
» 1922 » 1923: 8 milhões de
toneladas;
» 1923 » 1924: 8 milhões 1/2 de
toneladas,
e, durante cada
um dos cinco anos seguintes: 8 milhões 1/2 de
toneladas.
Pode parecer incrível, mas só
recentemente (2010) a Alemanha terminou de pagar as indemnizações da 1ª Guerra
Mundial, relativas ao acordado no Tratado de Versalhes. O país também pagou
biliões de euros da 2ª Guerra Mundial .
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Fontes:
Infopédia
Wikipedia
Jornal Opção
Jornal Opção
Primeira página do Tratado, versão em
inglês
Assinatura do Tratado de Versalhes na Sala dos
Espelhos do Palácio de Versalhes
Manifestação contra o Tratado no Reichstag,
15 de Maio de 1919



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