Na literatura, o Modernismo em Portugal surge
em 1915 com a publicação da revista "Orpheu", com a participação de Fernando
Pessoa, Mário de Sá Carneiro, Almada Negreiros, Luís de Montalvor e Ronald de
Carvalho. Nesta revista nasce uma corrente de oposição ao Saudosismo, ao
Academismo, ao Nacionalismo e ao Parnasianismo.
Literatura
Surge no segundo decénio do século XX este
movimento artístico que filosoficamente assenta em Fichte e Hegel. O Simbolismo
nascente de Eugénio de Castro passa e dá lugar ao Neoclassicismo de
Tirésias, depois da Ceifa..., tal como acontece com Jean Moréas. O
espaço que decorre até ao Modernismo é preenchido pelo Simbolismo do distante
Camilo Pessanha, pelo Saudosismo de Teixeira de Pascoaes, pelo Nacionalismo e
Narcisismo de António Nobre e pelo Classicismo de António Sardinha. Pessoa e
Sá-Carneiro, que foram saudosistas do grupo de A Águia e da Renascença
Portuguesa, separam-se e vão dar origem ao grupo do Orpheu com Luís
de Montalvor e Ronald de Carvalho. Orpheu entra abertamente em oposição
com o Saudosismo, o Academismo, o Nacionalismo e o Parnasianismo. Sacode o
grande público essa rajada impetuosa de Decadentismo, de sonho, do inconsciente
em versilibrismo. O Paulismo, o Intersecionismo, o Sensacionismo «emaranhados
imaginativos do grande todo», «Tudo é outra coisa neste mundo onde tudo se
sente» (Álvaro de Campos), aparecem sucessivamente. É a permissão dada à
liberdade confessional de interioridade que vai orientar os poetas do
Surrealismo. Em Orpheu, o escândalo anuncia-se, prosseguindo em
Centauro, Exílio, Portugal Futurista (1917), Atena
(1924), mas é a Presença (1927) que vai fixar a influência do movimento
que sacudiu mas não se impôs, o que, doze anos mais tarde, se torna possível, em
razão do criticismo equilibrado de João Gaspar Simões, de José Régio, de Adolfo
Casais Monteiro. A Nouvelle Revue Française vai permitir a esta geração
continuar e aprofundar a semente estuante de seiva lançada em Orpheu.
José Régio apresenta as linhas programáticas do nosso segundo Modernismo: uma
arte renovada, desligada de intenções religiosas, nacionalistas, filosóficas,
voltada para a busca, a descoberta do mundo interior do homem. André Gide e Paul
Valéry são padrões da estética do movimento.
O Modernismo ensaia-se em 1913 com os
poemas Dispersão de Sá-Carneiro e Pauis de Fernando Pessoa
(publicado em Renascença, 1914). Progride com o encontro de Pessoa e José
de Almada Negreiros depois da crítica de Pessoa em Águia a uma exposição
de caricaturas daquele. Mário de Sá-Carneiro e Santa Rita Pintor com a sua
rajada de Futurismo impulsionam o aparecimento do primeiro número de
Orpheu, que provocou um impacto extraordinário. Orpheu só saiu
duas vezes e os poetas modernistas vão publicando nas revistas já citadas.
Simbolismo - Pauis, Decadentismo, Romantismo -
passado e futuro - aproximam-se, juntam-se. Do Paulismo, Pessoa passa
rapidamente para o Intersecionismo da Chuva Oblíqua e para o
Sensacionismo em busca da tal arte europeia cosmopolita que visava, como diziam,
"épater le bourgeois". A literatura moderna é apreciada por José Régio, que
salienta a dispersão ou a multiplicidade da personalidade - a heteronímia em
Pessoa e outros desdobramentos em Sá-Carneiro e Almada Negreiros, o seu
irracionalismo, intelectualismo e "a expressão paradoxal das emoções e dos
sentimentos" que levará ao Surrealismo.
Modernismo. In Infopédia [Em linha].
Porto: Porto Editora, 2003-2011.
wikipedia
(Imagem)

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