Sebastião da Gama nasceu a 10 de
Abril de 1924. Licenciado em Filologia Românica pela Universidade de Lisboa, exerceu a função de professor do ensino técnico. Morreu com 28 anos, vítima de uma tuberculose que se declarara desde criança.
Colaborador de Távola Redonda (50-54),
estreou-se em volume
em 1945 com
Serra-Mãe, exercendo para os que procuravam, como David Mourão-Ferreira ou António Manuel Couto Viana, no fim da década de 40 e início da década de 50, um exemplo de superação da oposição entre necessidade
de empenhamento versus
liberdade de criação
em que se debatia a poesia, marcada ainda pela polémica entre presencistas
e neorrealistas. Em
carta a David Mourão-Ferreira, em 1946, defende que "a arte é a vida, nos seus matizes múltiplos, posta em beleza, não a política, não a religião, não a moral postas em beleza; que o artista verdadeiro apenas responde
às vozes que chamam dentro de si - o que
não quer dizer que essas vozes não tenham sido caldeadas em muitas vozes exteriores." (cf. MOURÃO-FERREIRA, David -
20 Poetas Contemporâneos, 1980,
p. 232). Poeta marcado pela consciência
de que a sua vida seria efémera, a poesia de Sebastião da Gama descreve uma lúcida aprendizagem da morte, não como desistência e desalento,
mas como confiança
na vida ("Foi necessário ter perdido tudo/ para chegar à perfeição enorme/ de não poder perder a confiança" in Itinerário Paralelo), manifestada
na exaltação da Natureza e de Deus. Herdeiro de Régio na expressão da inquietação religiosa,
resolve o maniqueísmo
do fundador da
Presença, num apaziguamento que nasce da entrega do sujeito poético a uma Natureza que é, na tradição franciscana, um "sinal da Beleza de Deus incarnada nas coisas (Belchior, pref. a Gama, 1983, p. 26).
Sebastião da Gama. In Infopédia [Em linha]. Porto: Porto Editora, 2003-2013.
Sebastião da Gama. In Infopédia [Em linha]. Porto: Porto Editora, 2003-2013.
Município de
Setubal

Pelo
sonho é que vamos,
Comovidos
e mudos.
Chegamos?
Não chegamos?
Haja
ou não frutos,
Pelo
Sonho é que vamos.
Basta a fé no que
temos.
Basta
a esperança naquilo
Que
talvez não teremos.
Basta
que a alma demos,
Com
a mesma alegria,
Ao
que desconhecemos
E
ao que é do dia-a-dia.
Chegamos? Não
chegamos?
-Partimos. Vamos.
Somos.
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