Vitorioso em Ourique (1139), afastadas, assim,
as preocupações suscitadas pelos desastres de Leiria e Tomar, Afonso Henriques
renovou os seus ataques ao norte e, mais uma vez, invadiu a Galiza. Por seu
turno, Afonso VII, parando o golpe, entrou em Portugal. Todavia, após o recontro
de Arcos de Valdevez (1140) e mediante intervenção do arcebispo de Braga, D.
João Peculiar, os dois primos assentaram na cessação das hostilidades, com vista
ao estudo das condições definitivas de paz, tudo parecendo indicar que o duelo
militar entre os dois chefes se aproximava de um desfecho político. E, com
efeito, três anos volvidos, a trégua tornou-se paz na Conferência de Zamora,
reunida a 4 e 5 de Outubro de 1143, com directa ingerência do cardeal Guido de
Vico, legado do papa Inocêncio II. Quais tenham sido as condições de paz em que
se assentou é ponto que hoje se ignora, dado que nenhum documento especial que
no-lo diga chegou até nós. "Mas o que se pode asseverar", escreveu Alexandre
Herculano, "é que o imperador reconheceu o título de rei que seu primo tomara, e
que este recebeu dele o senhorio de Astorga, considerando-se por essa tenência
seu vassalo. Não é menos provável que, ainda como rei de Portugal, ficasse numa
especie de dependência política de Afonso VII, o imperador das
Espanhas ou de toda a Espanha, como ele se intitulava nos
seus diplomas." Refira-se, no entanto, que o Prof. Damião Peres, afastando-se
neste ponto, do parecer de Herculano, manifestou a opinião de que, "Ao contrário
do geralmente suposto, não constituiu, segundo creio, matéria litigiosa a
tratar na reunião o título de rei dos portugueses. Havia três anos que
Afonso Henriques assim se proclamava, e os textos oficiais leoneses lavrados
enquanto decorria a conferência já assim lhe chamavam também. Mas se esse título
não constituiu então matéria litigiosa, constituíam-na certamente as relações
pessoais do rei de Portugal com Afonso VII, como senhor de Astorga, e sobretudo
os limites do reino português. Isso ali se resolveu. Tudo mostra que Afonso
Henriques desistiu de qualquer reivindicação territorial para além dos limites
da terra propriamente portuguesa, cujo governo seu avô Afonso VI, avô por igual
do imperador Afonso VII, doara ao conde Henrique meio século antes, e que Afonso
VII, por seu lado, aceitou a anulação doas obrigações assumidas para com ele por
Afonso Henriques no Tratado de Tui." Firmada a tranquilidade dos dois Estados,
Afonso I voltou aos seus domínios, deixando por governador de Astorga o seu
alferes, Fernando Captivo.
Fontes:
Dicionário de História de Portugal
wikipedia (Imagens)
D. Afonso Henriques


Afonso VII de Leão e Castela e a rainha Leonor
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